José Abrão
Goiânia – Na última passagem do MotoGP por Goiânia, em 1987, o famoso artista goiano Siron Franco também deixou a sua marca: uma arte sua foi usada como marca para o grande prêmio daquele ano. Além disso, a empresária Maria Célia teve a sagacidade de pedir a autorização para estampar o desenho em camisetas.
Foi um sucesso só: o desenho, que misturava o traçado do autódromo com a figura de um motociclista, atraiu uma multidão de fãs que, durante o evento, esgotaram todas as 50 mil camisetas impressas.
Essa memória foi resgatada pelo site Onze de Maio pelo jornalista Marcus Vinícius de Faria que, na época, atuava na serigrafia que teve o privilégio de estampar a arte de Siron nas camisetas.
Ao jornal A Redação, Siron conta que sempre gostou de fazer cartazes e que na época fazia muitas artes do tipo para eventos de fora, então foi uma rara oportunidade de fazer um desenho para Goiânia.
“Acho que o cartaz é uma forma de comunicação muito maneira. Eu fazia muito cartaz. Fiz dos 75 anos da criação de Zebu no Brasil, fiz cartaz até pra polícia”, diz.
O artista relata que ficou muito feliz com o sucesso da arte e das camisetas, mas que não estava aqui par ver nada disso. “Logo em seguida eu me mudei para a Itália. Acho que só vi uma dessas camisetas e esqueci ela lá em Parma (risos). Naquela época eu não ligava muito pra arquivo”, relembra.
Ele também lembrou que o ano do GP foi o mesmo do acidente do césio-137 e a cidade estava envolta em muito preconceito e essa uma forma de se engajar. “Na mesma época fiz uma grande passeata em Goiânia com vários artistas. Fiz uma grande exposição inspirada no césio que depois circulou pelo mundo. Na época, não sei se você sabe, mas em São Paulo jogavam pedra nos carros dos goianos”, reconta.

