Roberta Rodrigues
Goiânia – Os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), divulgados no dia 3 de dezembro pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), demonstram uma deficiência na educação brasileira. Os resultados apontam que o Brasil caiu no ranking mundial em matemática e ciências, e ficou estagnado em leitura. Sobre os números, a fundadora e diretora do Programa Educacional Escola da Inteligência, Camila Cury, acredita que uma "mudança de método na forma de aplicar o conteúdo" é a única forma de mudar o atual cenário da educação no Brasil.
“Não tem outro caminho, o País precisa investir na qualificação profissional e na educação emocional. Precisamos ter um conteúdo teórico, reflexivo e vivencial, interligando o conhecimento a vida do estudante”, destaca Camila Cury.
No Brasil, 10.961 alunos e cerca de sete mil professores de 597 escolas fizeram a prova. A pior situação foi em matemática, área em que o Brasil segue entre os dez piores do mundo. Um dos fatores associados ao desempenho negativo do País é o bullying, que 29% dos estudantes brasileiros declararam ter sofrido esse tipo de violência.
Para Camila, os métodos aplicados em sala de aula devem desenvolver a educação socioemocional no ambiente escolar. Isso, diz, melhora os índices de aprendizagem. "Fazemos uma avaliação dos dados da educação, inclusive do Pisa, para ajudar a juventude a ter um melhor desempenho, uma melhor capacitação para o mercado de trabalho que influencia no futuro do País."
O Programa Escola da Inteligência vai ao encontro da proposta do Pisa. Mais que saber se o estudante aprendeu o conteúdo na escola, também tenta identificar se o jovem consegue aplicar esse conhecimento na vida real. "Trazemos a estrutura do que acreditamos ser essencial para o aluno aprender o conteúdo. O aspecto emocional não deve ser deixado de lado", reforça.
"Na matemática, por exemplo, os alunos vêm com um conceito prévio negativo da matéria, e com o Gênios [método específico para a matemática], ajudamos ele a lidar com os traumas que muitas vezes já vem da família, de que matemática é muito difícil. Nós também ligamos atividades do dia a dia ao estudo da matemática. Isso aumenta o interesse do aluno e consequentemente o aprendizado, que está ligado ao interesse", explica.
"Acreditamos no programa e temos resultados significativos nos dez anos de atuação. Atualmente, o Escola da Inteligência atende 450 mil alunos e a expectativa para os próximos dois, três anos é que esse número chegue a um milhão de alunos", comenta Camila Cury.
Inteligência Educacional
O programa de Educação Socioemocional citado por Camila Cury, assim como os métodos inovadores utilizados pelo programa Escola da Inteligência, são aplicados em oito Estados brasileiros pela empresa goiana Inteligência Educacional, que atua com o planejamento de gestão da educação de uma forma diferenciada.
“Temos uma realidade muito ruim no Brasil, precisamos discutir mais, pensar como estamos apresentando o conteúdo para os alunos e o que eles estão aprendendo. Devemos trabalhar a ansiedade, transversalidade e desenvolver habilidades socioemocionais no ambiente escolar", frisa a diretora executiva da Inteligência Educacional, Millena Araújo.

"Não desvinculamos a matemática da vida dos alunos, desenvolvemos o trabalho sociomocional para filtrar os medos do dia a dia. Temos resultados de pilotos aplicados em algumas escolas que demonstraram resultados positivos", comenta a diretora executiva.
"Devemos ter métodos mais elaborados para que os alunos pensem, apaixonem-se e aprendam os conceitos, e que deixem de decorar a matemática. Pois, assim, as notas melhores e um bom desempenho serão consequência de o aluno realmente entender a matéria", ressalta Millena Araújo.