Samuel Straioto
Goiânia – O goiano Ronaldo Caiado, que disputou a Presidência da República pelo PSD, afirmou na noite deste domingo (4), em coletiva de imprensa em frente ao Palácio das Esmeraldas, na Praça Cívica, em Goiânia, que não venceu a eleição, mas que “caiu de pé”. Ele disse que só vai se pronunciar sobre o cenário nacional depois de se reunir com o presidente do partido, Gilberto Kassab. Com 92,27% dos votos totalizados, Caiado tinha 2,24%, o equivalente a 2.456.738 votos.
O ex-governador de Goiás também avaliou a campanha como “atípica”, apontou crises no país e comemorou a vitória do governador Daniel Vilela (MDB) ainda no primeiro turno em Goiás. Caiado falou ao lado da senadora eleita Gracinha Caiado (União Brasil), de Daniel e de apoiadores.
Balanço da campanha
Caiado disse que percorreu o país e apresentou um plano de governo que considera completo, com base na experiência em Goiás. “Em relação à minha campanha à Presidência da República, caminhei o Brasil, apresentei um plano de governo reconhecido por todos como o mais completo, com referência na educação, na segurança pública, como também na saúde. Avancei vários pontos de um projeto completo do Brasil, pela experiência que nós tivemos no nosso estado de Goiás”, declarou.
O candidato avaliou que a campanha foi diferente das anteriores e criticou a falta de debate. “Infelizmente, foi uma campanha totalmente atípica, onde não teve debate. Eu sou um homem que vem desde a primeira eleição à Presidência após a redemocratização do país e nunca assisti a nada igual no cenário nacional”, afirmou.
Segundo Caiado, discussões desviaram o foco do que considera mais importante. “Foram tantas ingerências e medidas, tantas discussões que não tinham nada a ver com o cenário político nacional, que desviaram o foco do debate, e infelizmente as pessoas não se atentaram para a situação que passa o país hoje, de uma grave crise na área da segurança pública”, disse.
Ele citou ainda uma crise institucional e econômica, sem apontar nomes. “É uma grave crise institucional, em que os poderes hoje estão dando mau exemplo, com a desordem instalada do ponto de vista institucional no país, sem credibilidade junto à população. É um momento de uma crise econômica seríssima, atingindo todos os segmentos da sociedade”, afirmou.
Sobre o endividamento, Caiado disse que atinge todas as classes sociais e criticou os juros. “O cidadão, independentemente da sua classe social, hoje está duramente endividado. Cada cidadão tem uma dívida contraída que é, no mínimo, seis vezes o que ele recebe por mês, e isso tudo com a taxa de juros de agiotagem em nossa nação”, declarou.
“Não venci, mas caí de pé”
Ao reconhecer que não venceu, Caiado disse que encerra a disputa com orgulho. “Eu cheguei agora à minha décima primeira candidatura. Não venci, mas caí de pé. Caí com orgulho, com honra, com dignidade, com coragem e com responsabilidade daquilo que foi representar o meu povo no cenário nacional. Não venci, mas caí de pé”, afirmou.
Ele disse ainda que mantém a trajetória de vida pública. “Jamais me acovardei, jamais fugi da luta, e continuarei aqui, ajudando, trabalhando, apoiando tudo aquilo que for possível, ao lado de Daniel Vilela, de Gracinha, dos deputados estaduais e federais, com a experiência que acumulei nesses quarenta anos de vida pública”, declarou.
Segundo turno e Kassab
Questionado sobre a posição que adotará na disputa nacional, Caiado afirmou que manterá a coerência e que só vai se pronunciar depois de conversar com o presidente do PSD. “Vocês sabem que eu vou guardar a minha coerência, mas jamais vou me pronunciar sem antes estar reunido com o presidente Gilberto Kassab”, declarou.
Ele agradeceu a Kassab por tê-lo credenciado como candidato do partido. “Quero prestar um agradecimento especial pela coragem de liderar, de autorizar e de me credenciar como candidato à Presidência da República pelo PSD. Isso tudo só foi possível graças ao seu apoio, graças à sua liderança, Gilberto Kassab”, disse.
Caiado lembrou que Kassab o acompanhou em Nova Crixás, onde ele votou, e afirmou que o partido seguirá em fortalecimento, no Senado e nos estados.
