José Abrão
Goiânia – A banda de rock independente swave volta aos palcos do Centro Cultural Martim Cererê, em Goiânia, neste sábado (23/5), no 4º Cidade Rock, mais ou menos um ano depois de ter feito sua estreia por aqui durante o festival Goiânia Noise. Na ocasião, a banda divulgava o seu álbum de estreia, “foi o que deu pra fazer”. Agora, após esse tempo de estrada, o grupo segue amadurecendo e já prepara o segundo disco.
“Foi incrível. O público foi muito receptivo. Acho que 90% das pessoas que estavam no show não conheciam a gente”, lembra a vocalista Aline Mendes sobre a apresentação em Goiânia no ano passado. “E nesse um ano de estrada, eu sinto que o nosso foco realmente foi rodar o máximo que a gente pudesse, tocando com outras bandas, para que as pessoas pudessem conhecer a gente pessoalmente, né? Não pelo digital. Acho que o nosso show é um forte muito grande. Ele é muito dinâmico, tem muita energia, nós vamos pra galera, e acho que isso tem se perdido, infelizmente, recentemente, hoje em dia as pessoas têm ficado muito no digital e nosso forte realmente é o show”, reforça.
Inicialmente, um dos chamarizes da swave foi ser formada por alguns integrantes de outros nomes da cena independente, como Far From Alaska, Supercombo e Violet Soda. Aline avalia, porém, que desde o princípio a swave encontrou uma voz própria e essa identidade tem sido reforçada na estrada e estará ainda mais presente no próximo disco.
“Eu vejo que desde o início. Mesmo tendo essas pessoas de outras bandas, a gente começou a pincelar a nossa identidade. E eu sinto que estamos fazendo novas composições que têm mais ainda a nossa cara. A swave é uma coisa à parte. É uma outra identidade. E eu acho que cada vez mais a gente está mostrando nossa identidade”, avalia a vocalista.
Em relação ao primeiro disco, ela brinca que todas as letras acabaram girando ao redor do tema da mudança, algo que era muito pessoal e vívido para ela e os outros integrantes naquele momento. Coincindentemente, as letras ressoaram com os fãs e suas ansiedades, mas Aline diz que não foi intencional: “Elas surgem de um lugar muito natural para mim porque eu simplesmente escrevi coisas que eu estava visualizando. Que estavam acontecendo comigo ou com as pessoas em minha volta. Foi algo muito natural realmente. Não foi pensado, porque realmente foi de vivência”.
Projetos futuros
E falando sobre mudanças, teve mudanças na banda também, com a entrada de dois novos integrantes, entre eles a baixista Luísa Phoenix. “Eu entrei bem indicada. Assim, eu lembro até hoje do primeiro show que eu fiz com eles. Foi um festival em Curitiba. Mas desde o primeiro ensaio que eu fiz com eles eu já falei pra Aline, assim: amiga, eu espero que vocês gostem de mim. Porque eu nunca tinha feito uma coisa tão legal na vida”, relata.
“Nesse segundo álbum, eu e a Aline fazemos uma coisa muito legal, que é de fato misturar as coisas que a gente escreve, assim, ‘olha o que eu fiz aqui nesse trecho’, ‘nossa, super combina com o que eu fiz. Experimenta esse segundo verso’, as coisas são muito misturadas”, conta a baixista. “O protagonismo e a importância é a música. A gente sempre vai definindo sempre o que vai ser melhor pra banda ou pro disco. Temos muito material, agora estamos nesse processo crítico”, completa.
Desde o ano passado, duas novas canções já estão no setlist dos shows e foram muito bem recebidas. O resto do álbum ainda não está definido e o disco ainda não tem nome nem previsão de lançamento. A próxima divulgação da banda vai ser uma live que já está gravada e provavelmente será lançada no segundo semestre.
“Acho que os temas deste álbum estão bem mais abertos. Ele está bem mais dinâmico, estamos colocando mais carinho e cuidado, está sendo mais polido”, avalia Aline. “Até na questão da identidade. No primeiro álbum a gente ainda não tinha tanto, estávamos testando muitas coisas, testando caminhos, vendo o que era mais a nossa cara. Agora, nesse segundo álbum, eealmente está sendo de uma maneira mais a nossa cara”, completa.
Luísa concorda: “tem muitas músicas que batem no peito pra falar ‘é isso que eu sou’ e também ‘é isso que eu quero, é isso que eu vou fazer’. Tem também um pouco de medo de perder essa identidade, de se perder no meio da muitidão, medo de me perder no digital. Acho que tudo transita um pouco por essa temática, só que por diferentes aspectos”.
