José Abrão
Goiânia – Que tal ouvir uma mistura entre Banda Calypso e Linkin Park? Ou Michael Jackson e o Filho do Piseiro? Ou, ainda, a música-tema de Cocoricó com o rapper Snoop Dogg? Essas misturas improváveis são os “mexidões”, mash-ups criados pelo DJ Cabra Guaraná que bombaram nas redes sociais e que estão lotando bailes em diversos Estados. Neste sábado (20/6), o Cabra apresenta seus mexidões e remixes no evento Cidade Rock especial junino, promovido pela Monstro Discos, no Centro Cultural Martim Cererê, no Setor Sul, em Goiânia.
Nascido em Goiânia, o artista foi criado em Taguatinga e ainda mora no DF, mas sempre teve contato com a capital goiana por meio de vários primos. O sucesso nas redes começou a ser construído após a pandemia e, com o passar do tempo, as misturas estranhas foram chamando a atenção, caindo no gosto das pessoas e do algoritmo. “Começou a dar um alcance grande. Aí, quanto mais improvável, maior o retorno. Eu tenho uma única regra com mexidão, que é sempre botar uma música brasileira, nunca misturo duas músicas gringas”, explica.
E tudo o que ele posta nas redes sociais vai para o set. “Eu tenho mais de quatro horas de música minha, sabe? Só de música minha, dos mexidões, dos remixes e tal. E eu sempre toco tudo. De Cocoricó mesmo, eu toco todas as versões, em todos os sets. As que eu fiz de The Office também, a galera curte muito. Quando eu toco, o meu set é a coisa mais aleatória possível”, conta. E assegura: ser aleatório e inesperado é todo o objetivo.
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E boa parte das misturas é reconhecível para quem é 30+, mas e os jovenzinhos? Segundo ele, no começo era mais uma turma mais velha, mas o sucesso nas redes tem atraído uma galera mais nova. “Um ano atrás, era 30+, assim, 100%. Depois que começou a hypar, aí começou a dar, nos últimos bailes, uma galera mais nova também”, pontua.
As misturas chamaram tanto a atenção que até começaram a dar problema por causa dos direitos autorais. “Isso aí é um grande problema na minha vida agora. Eu não tenho, basicamente, direito de nada, né? Inclusive, eu quase tomei um processo, não posso falar nem o nome da artista, mas quase tomei um processo. Então, eu não consigo lançar nenhum desses mexidões, desses remixes, a maioria eu não consigo lançar, mas tem um ou outro que foi autorizado, sabe? É uma coisa bem complexa, eu também tenho música autoral ali, sabe? Sei como é que funcionam as coisas e tal, mas é isso, eu tô bem no meio”, relata.
No Spotify, é possível conferir suas músicas autorais, que devem eventualmente virar o foco da sua produção, pelo menos monetizável e postável nas plataformas de streaming.
E, para o show em Goiás, será que não dá para fazer um mexidão com sertanejo? “Cara, então, pra essa agora, não sei se vai dar tempo de eu fazer, sabe? Eu até tava pensando em fazer isso, tem aparecido muitas coisas do Chitãozinho e Xororó pra mim, não sei por quê, mas eu tô com esse plano de botar, sabe? Porque eu fiz tanta coisa, mas tanta coisa, que eu dei uma esgotada na criatividade. Mas eu quero, eu tenho a perna em Goiás, passei muitas férias com meus primos em Goiânia, então eu conheço todos os sertanejos antigões”, planeja.
Em Goiânia, a apresentação está prevista para às 23h.
Serviço
Cidade Rock – Edição Festa Junina
Data: Sábado, 20/6, a partir das 16h30
Local: Centro Cultural Martim Cererê (Travessa Bezerra de Menezes, Setor Sul)
Ingresso: 1kg de alimento
Programação:
18h – DJ Perini
19h – Jô do Piseiro
20h – DJ Gabi Matos
21h – Forró Fiado
23h – Cabra Guaraná
