Nádia Junqueira
Até quem dizia não ligar para política, de certa forma, política fará nesse feriado (7/9). O paradoxo surge da intolerância da presidenta Dilma Rousseff diante de casos de corrupção em seu governo e a subsequente faxina nos ministérios. Da indignação, surge uma manifestação que ganha adeptos sem ligações políticas. As conhecidas marchas ganharam fama nesse ano de 2011: marcha da maconha, das margaridas, das vadias. Temas não faltam. Nem pessoas mobilizadas por causas específicas. Mas neste feriado, comemorando a independência do Brasil (que parece ter que ser conquistada a cada dia), a marcha que ocupará as ruas tem como tema aquele que está mais presente na história política do país e nos noticiários: a corrupção.
O palco da marcha será, evidentemente, Brasília. E quem irá para as ruas e organiza o evento não são movimentos organizados ou grupos partidários, como de costume. São brasileiros cansados de ouvir que sua contribuição para bens e serviços públicos vai para bolsos privados. Mas se não é um grupo institucionalizado ou partidarizado quem organiza o evento, como reunir tanta gente? Qual o espaço de encontro? Acertou quem pensou nas redes sociais. Foi no Facebook que a ideia da marcha nasceu, cresceu, ganhou adeptos e se concretizará para além das telas. Até essa manhã, eram quase 25 mil pessoas confirmadas no evento.
A ideia surgiu das irmãs Daniela Kalil e Luciana Kalil, que criaram o evento no Facebook, motivadas pela faxina da presidenta. O boom de adesões foi no dia em que a deputada-federal Jaqueline Roriz (aquela que aparece em vídeo recebendo propina) foi absolvida. A indignação tomou conta de cinco mil brasileiros que acabaram clicando "confirme" no evento de amanhã. Walter Magalhães se uniu às irmãs e está a frente da organização, que acabou aderindo 30 voluntários que se reúnem para organizar logística e materiais para amanhã.
Faixas, banners e panfletos são confeccionados com recursos da famosa "vaquinha" entre voluntários e apoiadores. Walter afirma que até agora foram gastos em torno de R$5 mil. E diz que esse dinheiro também se destina a uma 'surpresa' que somente amanhã poderemos saber o que é.
Interesse pela política
O Dj Wash mora em Brasília e assim que viu o evento confirmado no Facebook, colocou a marcha como prioridade em sua agenda. "Lembrei que quando teve impeachment do Collor eu não fui porque minha professora não deixou sair da sala. Aí pensei: esse não posso faltar", comenta rindo. Wash diz não gostar de política, mas a sua indignação com a família Roriz motiva o Dj a sair de casa amanhã. "Nas últimas eleições nem votei no primeiro turno. Mas no segundo, quando vi que estavam de palhaçada com a nossa cara com a candidatura da Weslian Roriz, fui lá votar só para ela não entrar", conta.
Apesar de não gostar de política (ou políticos), Wash acredita que se for à marcha, ajuda um pouco. No mural do Facebook de Daniela Kalil tem a seguinte mensagem: "espero que quem confirmou presença no evento, realmente compareça, pois reclamar do sofá não adianta nada". Wash concorda com Kalil.
Os organizadores não têm em sua trajetória ligação com movimentos sociais ou partidos. Eles reforçam que o evento é apartidário e que políticos e partidos não são bemvindos. Walter diz que muitos deles procuraram a organização para participar do evento, mas já disseram que não estão convidados. A OAB, contudo, participará do evento. Por outro lado, Daniela afirma que se interessa por política, tem estudado sobre assunto e pretende se candidatar nas próximas eleições, se tiver condições financeiras. "Quero mudar a política e tirar os velhos do poder", afirma.
Serviço: Marcha contra corrupção
Data: 7/9, quarta-feira
Local: Museu Nacional (Esplanada dos Ministérios), Brasília
Traje: roupa preta ou acessório preto.