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Brasil produz alimentos para o mundo com segurança

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21.09.2020 - 14:00:00

Muitos questionam se é possível o Brasil produzir alimentos para todo o país e ainda exportar para mais de 1,2 bilhão de habitantes em todo o mundo. E com sustentabilidade. E a resposta é sim.
 
Não precisamos aumentar nossa área cultivada para produzir mais. Hoje aumentamos nossa produção, principalmente, graças ao aumento da produtividade. Isto é, com a incorporação de novas tecnologias para os agricultores, geradas pela pesquisa.
 
Se tivéssemos que entregar a quantidade de grãos que produzimos hoje tendo a mesma produtividade de 40 anos atrás, seria preciso ter duas vezes mais a atual área cultivada, o que significaria a destruição de florestas para que pudesse ter a área expandida.
 
Entre os diversos fatores que influenciam na produtividade um deles são as pragas, que são todos os seres vivos nocivos à produção: insetos, ácaros, fungos, bactérias, nematoides e plantas daninhas. Estas pragas, apesar de todas as técnicas que usamos hoje, causam cerca de 40% de danos na produção, ou seja, uma variedade que tem potencial de produzir dez toneladas por hectare, consegue produzir apenas seis.
 
Por isso, deve-se fazer o manejo adequado de pragas, que é o uso de todos os métodos e processos disponíveis, de forma integrada. Temos que evitar a introdução de pragas que não existem no país, utilizar materiais de propagação sadios, cultivares resistentes e práticas de cultivo adequados; porém, quando esses métodos preventivos não têm sucesso há a necessidade de se utilizar pesticidas, tanto químicos quanto biológicos. Por meio deles, conseguimos controlar as pragas e manter suas populações baixas. Se não os utilizarmos no Brasil, a estimativa é que haja uma perda de 50% na produção.
 
Precisamos garantir que produtores utilizarão os pesticidas com segurança; que sejam produtos bons e eficientes para controlar pragas, mas que também atendam exigências ambientais e toxicológicas.
 
Por isso existe aqui um processo de registro: só são utilizados produtos que são registrados após passarem por uma rigorosa avaliação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) considerando aspectos agronômicos; do IBAMA, considerando aspectos ambientais; e da ANVISA, para aspectos toxicológicos.
 
Para se chegar nessa situação é necessário grande investimento. Um novo produto só chega ao mercado depois de dez anos de trabalho envolvendo pesquisadores e cientistas de diversas áreas, com um custo aproximado de 250 milhões de dólares.
 
Uma vez produzidos e aprovados, os produtos devem ser utilizados adequadamente. Sempre seguindo boas práticas agrícolas, com receita agronômica, respeitando itens como dose e período de carência. Isso garante a produção de alimentos de qualidade.
 
O Brasil é um país que produz em quantidade e em qualidade. Produzimos alimentos saudáveis e a um preço menor que no passado para a população brasileira, que hoje possui uma qualidade de vida melhor, como para a exportação para mais de 150 países. Estamos entre os maiores produtores e exportadores de soja, milho, açúcar, café, suco de laranja, carnes (bovina, frango, suína), mas também exportamos frutas e hortaliças.
 
Nossos compradores externos, por meio de um sistema de monitoramento, referendam a qualidade dos nossos produtos. Nossos alimentos estão dentro dos padrões internacionais. Somos o terceiro maior exportador de produtos agrícolas do mundo, só superados por Estados Unidos e União Europeia.
 
Quando seguidas as recomendações de técnicos, os pesticidas garantem produtos de qualidade e uma agricultura sustentável, suficiente para continuar colocando o Brasil como o maior celeiro do mundo e o país que irá atender a demanda de alimentos em todo o mundo.
 
*José Otávio Menten é presidente do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Eng. Agrônomo e Professor Sênior da ESALQ/USP
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por José Otávio Menten

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