A Redação
Goiânia – Enquanto no restante do Brasil os Estados discutem a agenda da crise econômica e ainda não deram um passo seguinte para superar a fase dos ajustes fiscais, na região do Brasil Central os governadores de seis unidades da federação formaram um bloco de cooperação econômica e política suprapartidária com o intuito de se prepararem para o pós-crise.
"Não podemos ficar parados no tempo, apenas lamentando as dificuldades. Sabemos que não está fácil para ninguém, mas precisamos ter criatividade para superar esse momento. Estamos nos preparando para deixar primeiro essa situação ruim", explica o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), um dos principais articuladores do chamado Movimento Brasil Central (MBrC), formado por Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Rondônia.
O bloco tem no pensador social Mangabeira Unger um dos grandes fomentadores e entusiastas. O intelectual ocupa atualmente a função de Secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Brasil.
O MBrC teve sua primeira reunião oficial no início de julho deste ano em Goiânia (Goiás), quando foi assinada a Carta do Brasil Central, na qual os governadores de Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins se comprometiam a compor um bloco regional com o objetivo de construir políticas de desenvolvimento comuns.
"A ideia é nos aproximarmos naquilo que nos unem e não focarmos no que pode nos distanciar. Temos que nos unir e não concorrer entre nós. Não podemos ter, por exemplo, foco em interesses particulares e nem em diferenças político-partidárias", explica o secretário de Gestão e Planejamento do Estado de Goiás, Thiago Peixoto.
O secretário, que é deputado federal licenciado, participou das discussões para a criação do bloco desde o início. A ideia, aliás, já tinha sido discutida por ele com Mangabeira Unger no final do ano passado quando o deputado foi à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, dar uma palestra sobre os avanços educacionais do Estado de Goiás quando ele, Peixoto, foi secretário estadual de Educação. Mangabeira é professor titular da universidade. "Naquela época, nem eu era secretário estadual e nem o professor Mangabeira era ministro. Conversamos bastante e descobrimos que tínhamos pensamentos convergentes: era possível construir uma agenda de desenvolvimento regional a partir de Goiás", relembra Thiago Peixoto.
Em junho deste ano, durante um evento em Goiânia com a presença de Mangabeira Unger, o ministro retomou a pauta da conversa com Thiago Peixoto e fez um desafio: Goiás deveria liderar um movimento regional de desenvolvimento para superar o discurso de crise que prevalecia no Brasil. "A região é a mais pujante e vanguardista do Brasil e precisa reagir. Vocês precisam se articular em bloco e buscar o caminho do desenvolvimento por conta própria. Vocês podem sair primeiro e melhor da crise", disse o ministro.
O governador de Goiás, Marconi Perillo, aceitou a provocação e, menos de um mês depois, no início de julho, foi anfitrião do 1º Fórum dos Governadores do Brasil Central, em Goiânia. "Nossa meta é, a cada novo encontro, apresentar questões efetivas e avançar na consolidação desse bloco", explica o secretário Thiago Peixoto, que está à frente dos trabalhos executivos do Movimento Brasil Central.
Nesse sentido, em julho, além do aspecto político da presença de todos os governadores das seis unidades da federação, foi assinada a Carta de Goiânia que definiu as intenções gerais do movimento. Na reunião seguinte, em Cuiabá (Mato Grosso), em agosto, ficou definido que o braço executivo de operações do MBrC será um consórcio interestadual de cooperação e também se avançou na possibilidade de criação da Agência de Desenvolvimento do Brasil Central como mecanismo de captação de recursos públicos e privados no Brasil e no exterior.
Além disso, em Cuiabá, onde novamente todos os governadores estiveram presentes, além dos presidentes dos legislativos estaduais, também ficou claro que os Estados já se comportam como bloco de cooperação regional. Na terceira região, em Palmas (Tocantins), a tendência é que seja assinado o protocolo de intenções entre as unidades da federação. Estão programados ainda encontros no Mato Grosso do Sul, Rondônia e Distrito Federal até o fim do ano, além de um possível encontro de encerramento em Goiás.