Kamylla Rodrigues
Goiânia – A morte do ator Domingos Montagner, vítima de afogamento no rio São Francisco nessa quinta-feira (16/09), trouxe à tona dois alertas que não são novidades: nadar após ingerir alimentos pode provocar exaustão e mal súbito, problemas que dependendo da situação evolui para a morte, e o perigo de nadar em rios. O Corpo de Bombeiros de Goiás explica as duas situações e recomenda cuidado.
O major Fernando Augusto Caramaschi explica que ao ingerir alimentos, o corpo concentra a energia para o processo digestivo, diminuindo o fluxo sanguíneo nas outras partes do corpo, como os músculos, por exemplo. “A atividade de nadar requer muito esforço e esse trabalho vai competir com o processo de digestão. A pessoa pode acabar sentindo fraqueza, exaustão, ter um mal súbito e, consequentemente, morrer afogada por não conseguir se manter na superfície”, afirmou em entrevista ao jornal A Redação.
A recomendação da corporação é aguardar no mínimo uma hora após qualquer refeição para entrar na água. “O alerta vale para qualquer faixa etária, até para quem já está acostumado com atividade física”, complementou o major.
O outro alerta deixado pela tragédia que vitimou o ator de “Velho Chico” é quanto ao perigo de entrar em rios. O major Fernando Augusto esclarece que, mesmo se tratando de um local aparentemente calmo, podem ocorrer correntezas e aumento do nível da água subitamente. “Pode estar chovendo na cabeceira do rio e o volume maior de água chegar de repente ou uma correnteza se intensificar. A natureza é imprevisível e o melhor é não arriscar”, disse.
A recomendação para quem ama nadar em rios é sempre estar na companhia de outras pessoas e usar um colete salva-vidas. Em caso de susto, o major orienta como agir. “A primeira coisa é manter a calma, porque o desespero faz com que a gente não tenha controle dos movimentos. Não tente nadar contra a correnteza. Isso vai levar você à exaustão. Nade a favor da correnteza e em direção à margem com o corpo levemente inclinado para trás, como se fosse deitar”, recomendou o major.
O bombeiro também chama a atenção de quem estiver próximo à vítima para que em hipótese alguma entre na água para tentar socorrer. “Na maioria dos casos, os dois se afogam por conta do desespero de se manterem na superfície. Se você passar por uma situação assim, a melhor forma de ajudar é lançando um objeto como corda ou um galho e acionando os bombeiros, que são treinados para o resgate”, finalizou.