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Blogueira Camila Coutinho fala da rotina da profissão

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05.05.2012 - 21:01:47

Alexandre Parrode

Camila Coutinho, considerada a blogueira de moda com maior número de acessos do Brasil, esteve em Goiânia para o desfile “Made In Blog” na última quarta-feira (2/5). Antes do evento, ao lado de amigas, ela se produziu no Studio Alessandra Nunes e, entre um grampo e outro, falou com exclusividade ao A Redação. Muito simpática e com um caloroso sotaque recifense, a editora do GarotasEstúpidas contou como surgiu o blog, quais as suas principais fontes de inspiração, sua rotina profissional e pessoal (já que ela acaba de se casar), além de analisar essa nova profissão que, cada vez mais, vem ganhando espaço no mercado brasileiro.

A Redação – Como surgiu o convite para participar do “Made in Blog”?
Camila – Foi normal, como outras participações que faço. O pessoal da Pactus entrou em contato com meu departamento comercial e encaminhou a proposta. Dai, analisei o evento, entrei no blog e site da marca, achei a ideia muito interessante e decidi vir. Além disso, eu já conhecia as blogueiras Das Guimarães (de Goiânia).

AR – E o GarotasEstúpidas? De onde veio a ideia de montar o blog?
Camila – O blog nasceu de brincadeira. Sempre gostei de ler sites gringos de celebridades, aqueles bem barraqueiros mesmo (risos) e, quando ainda estava na faculdade, sempre trocava links de fofocas com minhas amigas. Dai, um dia, falei “vamos montar um blog?”, minhas amigas toparam e em uma noite de insônia eu decidi criar. Primeiramente, dei o nome de Stupid Girls, por causa da música jocosa da cantora P!nk. Mas ai decidi colocar em português mesmo e assim nasceu o “GarotasEstúpidas”. Depois de uns dois meses minhas amigas desistiram e eu continuei.

AR – Por que garotas estúpidas?
Camila – Eu costumo dizer que é uma ironia com o que os homens pensam das coisas de mulher. Eles acham que batom, esmalte, roupa, desfile, é tudo futilidade. E acaba que, para eles, é mesmo. O que é fútil? Algo que não é útil, né? Nada disso é realmente útil para eles, logo, é fútil. Já para minhas leitoras, é útil sim.


(Foto: reprodução)

AR – Qual a relação da profissão blogueira com a profissão jornalista? Você acredita que existe alguma ligação entre as duas?
Camila – Acho que jornalismo, em primeiro lugar, é imparcial, já a blogueira é totalmente parcial. Ela usa de suas experiências pessoais para falar de determinada coisa. Não sei se isso está mudando, mas eu sou blogueira. Não tenho nenhum problema em dizer isso. É o meu trabalho, vivo dele já há seis anos. Tive algumas experiências com revistas, como a RG Vogue, quando fiz estágio cobrindo semanas de moda. Aprendi muito e prezo muito pela qualidade de minhas pautas. Agora mesmo estou com o computador no colo, procurando especialistas para um post que estou fazendo. Não fico só no achismo. Acho que é legal sempre estar aberto a evoluir e acrescentar coisas novas.

AR – De que maneira você acredita que os blogs vêm influenciando o jornalismo?
Camila – Com certeza a linguagem das revistas mudou. Está mais direta, mais descomplicada e, o mais importante, as editoras, as repórteres, o styling, enfim, o staff da revista aparece mais nas matérias. Antes o jornalista falava pelo veículo, agora ele já pode falar na primeira pessoa. Um bom exemplo é a primeira Glamour. Primeiro que a revista está recheada de blogueiras e, segundo, há muitas matérias com linguagem descontraída e com colaboradoras falando na primeira pessoa. “Fui convidada a visitar o spa tal e gostei disso, daquilo…”, por exemplo. É clara a mudança. Mas também percebe-se que a blogueira vem mudando seu jeito de escrever. Procurando cada vez mais averiguar as informações antes de publicá-las, preocupando-se com o Português, buscando pautas diferentes. Acho que os dois meios tem o que a aprender com o outro. 

AR – Tem vontade de fazer algo na área da Comunicação?
Camila – Eu até tenho vontade de fazer uma especialização em jornalismo de moda, já que sou formada em design de moda. Talvez algo em mídias sociais, estou vendo ainda.

AR- Mudando de assunto… Como é seu dia-a-dia de trabalho?
Camila – Bom, sobre o trabalho, é corrido. Cheguei até a montar um escritório para mim, mas acabei desistindo porque viajo muito e acabo nem ficando em escritório. Me acostumei a trabalhar em casa, sabe? Daí optei por montar um home office. Não tenho rotina fixa. Acordo sempre cedo, leio e respondo e-mails, preparo pautas, monto posts, tenho reuniões e as viagens, que sempre tenho.

AR – Agora casada, como você está lidando com essa rotina?
Camila – Estou aprendendo a lidar agora! (risos) Tenho ainda só dois meses e esta é a segunda viagem que faço depois do casamento. Está indo tudo bem, a gente já namora há bastante tempo e ele sabe como é minha rotina. Ele me ajuda muito, sempre dá opinião.

AR – No blog, todo o conteúdo é produzido por você ou alguém lhe ajuda?
Camila – A home é toda escrita por mim. Tenho sim um colunista na parte de beleza e outro na parte de moda masculina, mas eu edito e aprovo tudo que é escrito. De vez em quando também tenho uma equipe que faz um “freela” (trabalho temporário) de editoriais de moda. Na equipe do blog, tenho uma pessoa no financeiro e duas no comercial para lidarem com anunciantes e tal. O engraçado é que todo mundo trabalha em casa, ninguém vai a um escritório.

AR – Agora falando da rede F*Hits, da qual você faz parte. O que é e como funciona?
Camila – O F*Hits é muito simples, eu não sei porque as pessoas fazem alvoroço em cima disso. Talvez até pelo fato de eles terem abafado as coisas no começo, mas é bem simples: um coletivo de blogs, onde as audiências são somadas e dai se comercializam os anúncios dentro dos afiliados. O F*Hits também faz um trabalho de assessoria do pessoal.

 AR – Os produtos no conteúdo do GarotasEstúpidas são só de publicidade, de clientes?
Camila – (risos) Eu acho que as pessoas ficaram um pouco bitoladas com essa coisa da publicidade e vendo coisa onde não tem. Assim, uma revista, por exemplo, há os anunciantes normais, que são institucionais e estão nas páginas, mas que não tem nada a ver com as matérias. No entanto, se o patrocinador está lá é porque ele passou pelo crivo da revista. Logo, quando há uma pauta e a editora precisar falar de biquínis, por exemplo, é óbvio que se ela tem um anunciante que vende, até mesmo pela disponibilidade e bom relacionamento, ele vai estar lá.

AR – Do que você gosta e como você se mantém informada?
Camila – Eu amo revistas! E amo mesmo o papel. Vejo muita novela, tv em geral… Estou sempre na rua, prestando atenção em tudo que vejo. Também acompanho minha irmã mais nova para ver o que está vindo… Ah! O Instagram vem sendo uma fonte incrível de informações. Esses dias percebi que uma pessoa postou tênis neon, dai logo vi outro e mais outra. Pensei “opa!” e virou post. (risos)

AR – Você está fora do eixo Rio-São Paulo, os maiores centros e referências em moda e tecnologia. Como você vê isso?
Camila – Eu adoro estar fora do eixo! (risos) Isso me obriga a ter uma visão diferente das coisas que estão acontecendo. Também não vou aos mesmos eventos, com as mesmas pessoas porque, em São Paulo, se deixar, tem evento todo dia. E, ao mesmo tempo, penso que hoje o mundo é tão globalizado que acompanho tudo e não faz tanta diferença. Eu amo estar em Recife!

AR – Para finalizar, a que você atribui o sucesso do seu blog?
Camila – Acho que foram três pilares: a linguagem, que é muito acessível e engraçada; a imagem, pois sempre me preocupei muito com a montagem, com o visual, e o outro pilar é a variedade de assuntos. Não é só moda, fofoca e beleza, lá tem um pouco de tudo, é um mix.

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por Adriana Marinelli

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