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Bicicletas, aqui e na Holanda

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08.02.2012 - 11:57:35
Aos poucos, parece que as bicicletas estão se tornando mais visíveis em Goiânia. Essa é a avaliação da cicloativista Gabriela Silveira, em seu blog Caminhos Goianos, num balanço feito no fim do ano passado. É uma mudança fundamental na direção de uma cidade que tenha mais pessoas utilizando esse meio de transporte, por sua vez extremamente importante para transformarmos nossas ruas em locais menos tomados por carros e mais ocupados por pessoas.

É o que podemos ver também na rua 10 do Centro, com a construção da primeira ciclovia da cidade (apesar da questionável retirada de praticamente todas as árvores do local, que não posso deixar de repetir). Não sei se é impressão, mas também acredito estar vendo mais ciclistas se locomovendo por aí. Uns corajosos, nesse trânsito maluco em volume e qualidade.

Hoje me deparei com um vídeo bem legal sobre como a Holanda se transformou nesse país que guarda a bicicleta entre suas marcas registradas – Como os holandeses conseguiram suas ciclovias (tradução de How the Dutch got their cycle paths). “Algumas pessoas pensam que as ciclovias sempre estiveram ali”, diz o filme. Mas nem sempre foi assim, e o que ele mostra é que a enorme mobilização da sociedade foi crucial para as mudanças nas ruas e na cabeça das pessoas.

Da mesma forma o foi a resposta do poder público, diante de holandeses indignados com todo o espaço dedicado aos carros e com todas as mortes no trânsito – em 1971, foram 3.300 no total, das quais 400 eram de crianças. E também diante da crise do petróleo de 1973, quando o país decidiu depender menos da energia para se locomover.

Por aqui, também temos muitos motivos para exigir e promover mudanças. Segundo um artigo do presidente do Detran-GO publicado neste jornal, a Organização Mundial de Saúde (OMS) contabilizou mais de 40 mil mortes no trânsito em 2010, no Brasil. Em Goiás, mais de 1,8 mil. São 29 vítimas fatais a cada 100 mil habitantes, um dos índices mais altos do mundo. Além desse problema gravíssimo, temos o alto preço dos combustíveis, a perda crescente de espaço nas cidades para os automóveis, a emissão de poluentes que causam problemas de saúde e contribuem para as mudanças climáticas. Do outro lado da balança, estão os fortes incentivos políticos e econômicos para a arraigada cultura do carro. É um páreo duro. Mas, diante das recentes mudanças (ainda que tímidas), há espaço para um pouquinho de otimismo.

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por Elisa A. França

*Jornalista formada pela UFG, especializada em comunicação ambiental, com passagem pelo Greenpeace e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

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