Gabriel Neves
Goiânia – A Orquestra Sinfônica de Goiânia (OSGO) apresentou gratuitamente, na noite de terça-feira (22/3), um concerto com nomes de peso da música do período romântico. Pouco depois das 20h, o público que esgotou a capacidade máxima de 80% permitida no Teatro Escola Basileu França, em Goiânia, foi recepcionado e já introduzido ao primeiro dos três movimentos do Concerto em Mi Menor, do compositor alemão Félix Mendelssohn – amplamente conhecido por ser o autor da “Marcha Nupcial”, música que se popularizou em cerimônias de casamentos. Brahms e Paganini também incluíram o setlist da noite.
O violinista Alessandro Borgomanero, que estava longe dos palcos desde o início da pandemia, fez uma participação especial no concerto, a convite do maestro Eliseu Ferreira. Ele executou, além de outras músicas, o solo de um dos ápices da noite – “Campanella”, do compositor italiano Niccolò Paganini. Considerada enigmática, a obra desperta até hoje o interesse e a curiosidade do público quando mencionada.
“Paganini foi o maior virtuoso da história [da música] e que revolucionou a técnica do violino”, pontuou Alessandro Borgomanero em entrevista ao jornal A Redação. Ele afirma que o período da pandemia o levou a retomar com afinco os estudos sobre o compositor, que aprendeu ainda quando mais jovem. Segundo o maestro, esta foi a primeira vez que a obra do músico foi executada no Estado de Goiás. “Pelo fato de ele [Paganini] ser muito difícil, raramente se vê sendo tocado com orquestra.”
Retomada
A plateia, que já preenchia boa parte dos assentos do teatro, lotou o espaço. Antes mesmo do término da execução do segundo movimento da peça de Mendelssohn, era possível perceber que haviam poucos lugares disponíveis. O concerto marca um momento em que a cena cultural no Estado de Goiás retoma as atividades do setor com efusividade após dois anos de intensa pandemia.

(Foto: Gabriel Neves)
O maestro e regente do concerto, Eliel Ferreira, avalia que este momento proporciona uma singularidade ao evento. Um dos fatos que ele cita é a formação da orquestra. “Agora já está sendo possível executar o concerto com a formação quase completa, com todos os instrumentistas de cordas, de madeiras, metais e até percussão. Isso nos dá a possibilidade de construir um repertório abrangente, desde músicas sinfônicas a de cinema e sertanejas”, afirmou ao AR.
O teatro praticamente lotado foi um ponto que animou o maestro, que não deixou de citar as recomendações sanitárias exigidas para que apresentações voltassem a ser possíveis. “O público que consumiu arte durante a pandemia está ávido por compartilhar conosco momentos como o deste concerto, que inclui um repertório sinfônico tradicional”, observou.
Repertório
Brahms e Mendelssohn, presentes no repertório da noite, além de gigantes do estilo/período Romântico, são detentores de uma obra musical avaliada por músicos do mundo inteiro como desafiadora, embora sua presença no cenário dos estudiosos seja um tanto quanto tradicional. “Trazer este repertório para o concerto foi justamente uma forma de conduzir os músicos [da OSGO] para este desafio”, justifica Ferreira.
Ainda segundo o maestro, pensar na orquestra e, sobretudo no público, é o principal critério para uma escolha acertada no quesito de lista das obras que serão executadas. A preparação, todavia, é puxada. Os músicos da OSGO tiveram uma semana inteira de ensaios conjuntos de três horas de duração cada, além do tempo extra que dedicam aos estudos em casa.
Quando encerrado o concerto, perto das 22h, os sons que preencheram o ambiente do Teatro Escola Basileu França não foram os dos violinos, das flautas ou dos trompetes. As palmas, os assovios e os brados, estes sim, rompiam as barreiras sonoras do lugar banhado em arte. “Cultura e arte elevam a alma”, arrematou Borgomanero ao AR.