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Banho com economia de energia e água

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28.11.2011 - 19:05:31

Já faz alguns bons anos que ouvimos que o chuveiro elétrico é um grande vilão quanto se trata de consumo de eletricidade – com destaque para a crise energética de 2001, quando se falou muito do assunto. Afinal, esse pequeno aparelho, instalado Brasil afora, é responsável por 18% da demanda energética em horário de pico, e por cerca de 6% do consumo total de energia no país, segundo o livro Um banho de sol para o Brasil.

Também não é de hoje que se aponta que o eletrodoméstico, presente em mais de 70% das residências brasileiras, é responsável por entre 30% e 40% do gasto de energia nos lares do país, cujo custo varia bastante de acordo com a cidade ou o Estado em que o consumidor se encontra. Em Goiânia, numa conta de 100 kWh (R$ 44), 30% seria equivalente a cerca de R$ 13.

Mesmo com esse peso todo na conta de luz, o chuveiro elétrico não sofreu muita concorrência em grande parte de sua história de mais de 80 anos. O maior motivo é bem claro: o produto é muito barato e, portanto, acessível a todas as classes sociais.

O aquecimento solar, sistema que pode proporcionar significativa economia em eletricidade, até recebe algum incentivo governamental, já que o equipamento não paga IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) ou ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Só que a isenção fiscal não bastou para barateá-lo a ponto de disseminar sua utilização. Segundo a Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento), em 2008 havia 4,5 milhões de metros quadrados de placas solares no país, o que corresponde a mais ou menos 800 mil residências (ou 1,78% do total). Em 2010, as placas somaram 6,2 milhões de metros quadrados.

Mas, embora o preço do equipamento ainda seja alto, numa residência o investimento se paga em dois ou três anos, devido à economia de energia. A redução da conta de luz é justamente seu maior benefício para o consumidor. Além disso, consequentemente, o aquecimento solar ameniza a demanda por energia em horários de pico – tradicionalmente, se toma banho no país principalmente nos períodos entre 7h e 7h30, e 18h30 e 19h.

Por outro lado, ao mesmo tempo em que é amigo do meio ambiente ao dispensar a energia vinda das hidrelétricas, o aquecimento solar tem seus problemas – como a demora para a água quente chegar até o chuveiro, gerando desperdício. Principalmente em prédios, quando a distância entre o reservatório e o ponto de consumo é maior do que nas casas. A água da tubulação que liga um ao outro se esfria e, até que seja substituída pela quente que vem do sistema solar, podem se passar alguns minutos de registro aberto.

Outro ponto negativo é, no entanto, um dos motivos da procura pelo sistema solar: seu grande consumo de água – explicado simplesmente por sua capacidade de aquecer uma grande quantidade de água, somada à escolha de uma ducha de grande vazão. Em outros tempos, essa qualidade poderia ser entendida como “conforto”, mas hoje em dia está mais com cara de “consumo exagerado”. Portanto, para fazer uso racional deste precioso recurso, basta que o consumidor coloque em sua residência uma ducha com menor vazão ou, simplesmente, abra menos o registro na hora de tomar banho. Ele também pode instalar um aerador, pequena peça que contribui para a economia.

Em suma, o que pode ser feito para economizar água e energia na hora do banho:

Se você já tem chuveiro elétrico (e não pensa em trocá-lo):
*É uma dica meio básica, mas procure deixar a chave no “verão” quando o clima não estiver muito frio.
*Lembre-se de que, quanto maior a potência do aparelho, maior será o consumo de eletricidade.
*Quando precisar substituí-lo, busque um modelo com várias opções de temperatura, e não só “inverno”, “verão” e “desligado”. Vale a pena gastar um pouco mais nesse momento, pois a economia com eletricidade pode ser de até 50%, segundo a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica).

Se seu sistema de aquecimento é solar:
*Para economizar água, tente não exagerar na vazão do banho, mesmo que a ducha tenha uma grande capacidade. Traduzindo: não abra muito o registro.
*Colocar um aerador, que é barato, atrás da ducha também ajuda.
*Caso a água quente demore a chegar, armazene a água fria com um balde. Com ela, regue as plantas ou lave roupas, por exemplo.

Qualquer que seja seu tipo de aquecimento:
*Quando o clima não está muito frio, é fácil fechar o registro ao se ensaboar. É só uma questão de prática.
*Não demore demais no banho. Ele não deve passar de oito minutos. Se der pra se lavar em 5 minutos, melhor ainda.
*Para conhecer a vazão do seu chuveiro, coloque um balde embaixo e ligue-o por um minuto. A água precisa cair toda no balde. Depois, meça o volume de água (pode ser com um copo de liquidificador, que geralmente traz uma “régua” de conteúdo). Assim você saberá quanto economiza, a cada minuto a menos no chuveiro.
*Uma empresa de Minas Gerais vende um produto que “recupera o calor” da água que cai do chuveiro, usando-o para pré-aquecer a água fria que ainda não chegou ao aparelho. É um sistema que, segundo o fabricante, pode gerar uma economia de energia de até 50%. Saiba mais clicando aqui.

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por Elisa A. França

*Jornalista formada pela UFG, especializada em comunicação ambiental, com passagem pelo Greenpeace e pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

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