Logo
BC mantém juros básicos em 15% ao ano pela quarta vez seguida. (Foto: Reprodução)

Banco Central mantém juros básicos em 15% ao ano pela quarta vez seguida

Taxa Selic está no maior nível em quase 20 anos

10.12.2025 - 19:38:06
WhatsAppFacebookLinkedInX

Brasília – O recuo da inflação e a desaceleração da economia fizeram o Banco Central (BC) não mexer nos juros. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Taxa Selic, juros básicos da economia, em 15% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro.

Em comunicado, o Copom não deu pistas de quando deve começar a cortar os juros. Assim como na última reunião, repetiu que o cenário atual está marcado por grande incerteza, que exige cautela na política monetária, e que a estratégia do BC é manter a Selic por bastante tempo.

“O comitê avalia que a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que, como usual, não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, destacou o comunicado.

Essa é a quarta reunião seguida em que o Copom mantém os juros básicos. A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano.

Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho, sendo mantida nesse nível desde então.

Inflação
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em novembro, o IPCA ficou em 0,18% , o menor nível para o mês desde 2018. Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,46% em 12 meses, voltando a ficar dentro do teto da meta contínua de inflação.

Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa a ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em dezembro de 2025, a inflação desde janeiro do mesmo ano é comparada com a meta e o intervalo de tolerância.

Em janeiro de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de fevereiro de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária diminuiu para 4,8% a previsão do IPCA para 2025, mas a estimativa será revista, por causa do comportamento do dólar e da inflação. A próxima edição do documento, que substituiu o antigo Relatório de Inflação, será divulgada no fim de dezembro.

As previsões do mercado estão mais otimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4,4%, levemente acima acima do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 4,55%.

Crédito caro
O aumento da taxa Selic ajuda a conter a inflação. Isso porque juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas maiores dificultam o crescimento econômico. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central diminuiu de 2,1% para 2% a projeção de crescimento para a economia em 2025.

O mercado projeta crescimento um pouco melhor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 2,25% do PIB em 2025.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.

Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir. (Agência Brasil)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Michelle Rabello

*

Postagens Relacionadas
Empreendedorismo
24.02.2026
Fecomércio-GO recebe delegação do Canadá para fortalecer investimentos em Goiás

A Redação Goiânia – A Fecomércio-GO recebe, na próxima quarta-feira (25/02), em sua sede, em Goiânia, uma delegação oficial da província de Saskatchewan, no Canadá, em agenda estratégica voltada ao fortalecimento das relações comerciais, institucionais e de investimentos entre Goiás e o mercado internacional. A delegação é composta pelo ministro do Comércio e Desenvolvimento de […]

economia
23.02.2026
Dólar fecha em R$ 5,16 e atinge menor valor em 20 meses

Brasília – Em meio à cautela dos investidores com a política tarifária do presidente Donald Trump, o dólar voltou a cair e a fechar no menor valor em 20 meses. A bolsa de valores iniciou o dia em alta, mas reverteu a trajetória e caiu, influenciada pelo mercado externo. O dólar comercial encerrou esta segunda-feira […]

Agronegócio
23.02.2026
Faeg promove evento para debater impactos e desafios da reforma tributária para produtores rurais

José Abrão Goiânia – Em meio às mudanças que redesenham o sistema tributário brasileiro, o setor rural goiano esteve no centro da pauta nesta segunda-feira (23/3), em Goiânia. É que a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) realiza o debate “Desafios da Implementação da Reforma Tributária para o Agro”, reunindo entidades, órgãos e […]

Empreendedorismo
22.02.2026
Evento on-line da Acieg aborda Lei do Bem para projetos de inovação em Goiás

A Redação Goiânia – O Escritório de Projetos da Acieg promove, na próxima quarta-feira (25/2), o painel “Aprenda a transformar inovação em vantagem fiscal com a Lei do Bem”. Com palestra do especialista em Gestão de Tributos e Planejamento Tributário, Juliano Coitiño, o evento será em formato on-line, a partir das 19h. Os participantes vão acessar […]

Economia
21.02.2026
Governo brasileiro vai insistir no diálogo com os EUA após Trump anunciar tarifa de 15%

São Paulo – Integrantes do governo brasileiro acreditam que ainda é muito cedo para fazer um prognóstico concreto sobre as mais recentes decisões do governo dos Estados Unidos. No entanto, ressaltam que a estratégia seguirá pelo caminho do diálogo entre os dois países. O presidente norte-americano, Donald Trump, disse neste sábado, 21, que aumentará as […]

Internacional
21.02.2026
Trump afirma que vai aumentar ‘Tarifa Mundial’ de 10% para 15%

São Paulo – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu neste sábado, 21, na Truth Social, que irá aumentar de 10% para 15% o que denominou Tarifa Mundial. A sobretaxa comercial será aplicada contra os países que “têm explorado os EUA por décadas”. “Eu, como Presidente dos Estados Unidos da América, estarei, com efeito […]

Interncional
21.02.2026
Brasil e Índia firmam acordo sobre minerais críticos e terras raras

São Paulo – O Brasil e a Índia assinaram um acordo de entendimento sobre terras raras e minerais críticos neste sábado (21/2), anunciou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Nova Délhi. Os detalhes da resolução não foram divulgados. “Ampliar os investimentos e a cooperação em […]

economia
20.02.2026
Bolsa bate recorde e dólar cai para R$ 5,17 com fim de tarifaço

Brasília – A decisão de Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar a maior parte do tarifaço do governo de Donald Trump provocou uma onda de euforia no mercado financeiro. A bolsa de valores bateu recorde e superou a marca de 190 mil pontos pela primeira vez. O dólar caiu para menos de R$ 5,20 […]