Jales Naves
Especial para o AR
Goiânia – Simples e simpático, vaidoso e aventureiro, José Moreira Valadão teve oportunidades, aproveitou-as e soube conduzir sua vida para o que mais gostava: caçar e pescar, além de contar histórias. Foi aprendiz de padeiro e de alfaiate, atividade na qual se sobressaiu, com fregueses até de São Paulo. Fixou-se em Trindade e se casou com a moça mais bonita da cidade, Maria Augusta de Lourdes; participou ativamente da construção de Brasília, atuando no setor de carreto de areia; e depois ingressou na Caixa Econômica Federal (CEF), onde fez carreira e se aposentou.
Levando uma vida simples, mas rígida e cheia de aventuras, gostando de inesgotáveis façanhas e bem viver, recusou diversos convites de seu primo, então governador de Goiás, Ary Valadão, para assumir um cargo na administração pública. Contentou-se em participar da intervenção na CEF em Goiás, no período militar, e depois preferiu continuar com o cargo de caixa, no qual permaneceu até se aposentar. Ele faleceu no domingo, dia 24, às 91 anos de idade, de câncer, em seu apartamento, em Goiânia.
Trajetória
Goiano de Anicuns, onde nasceu no dia 17 de setembro de 1929, filho de Cirilo Moreira da Cruz Valadão e Guaraciaba Valadão, ele iniciou suas atividades como aprendiz de padeiro. Ao mesmo tempo, muito interessado, tornou-se aprendiz de alfaiate, chegando a oficial de Alfaiataria. Essa função abriu as portas para se instalar em Trindade, na época o principal polo da região, e ali se firmou como alfaiate, quando suas habilidades lhe trouxeram encomendas de freguesia de outras cidades, inclusive São Paulo. Galante, estava sempre bem vestido e elegante, sendo muito requisitado para as festas.
Na Capital da Fé enamorou-se da bonita Maria Augusta, que tinha o apelido de Cotinha, era gêmea, filha do então secretário da Prefeitura de Goiânia, Osório Carlos da Silva, e exímia nas artes culinárias e bordados. Eles se casaram e tiveram seis filhos, nove netos e 10 bisnetos.
Como lembra sua filha Ana Maria, era amante de boas caçadas e pescarias, tinha um repertório recheado de fantásticas aventuras nos rios e matas goianas e era dono de uma simpatia extraordinária, angariando muitos ouvintes por onde passava. “Soube viver, desfrutando sempre do que mais gostava: da caça, da pesca e de falar de suas aventuras”, completou.
Filhos
O casal teve seis filhos: Paulo César, contador, que seguia a carreira bancária do pai na CEF e faleceu ainda jovem em acidente, o que comoveu a cidade; Maria de Fátima, funcionária pública; José Fernando, economista e servidor público estadual, já falecido; Guaraciaba, que fez o Curso de História; Ana Maria, artista plástica e designer; e Luciano, advogado e administrador de empresa pública.
Maria de Fátima tem três filhos: Marco Emílio, pastor, Paulo César e Marcelo Augusto, empresários; Fernando casou-se com Simone Nadler, pedagoga, e tem dois filhos: Lívia, advogada, e Thiago, economista; Guaraciaba casou-se com Aguinaldo Lacerda, contador, e tem três filhos: Carolina, engenheira, Fernanda, servidora do Ministério Público, e Aguinaldo Júnior, médico; Ana Maria casou-se com geólogo Sevan Naves, empresário das áreas de mineração e de produção de energia elétrica, e tem uma filha, Sevana, acadêmica de Medicina; e Luciano casou-se com Solange Alvares, administradora de empresas.