Samuel Straioto
Goiânia – Os deputados federais e senadores eleitos por Goiás gastaram mais de R$ 26,6 milhões em recursos da cota parlamentar desde o início da legislatura atual, em 2023. De janeiro de 2023 até o fechamento de 2025, a bancada utilizou R$ 22,8 milhões — e nos primeiros seis meses de 2026 já somou outros R$ 3,85 milhões. Os valores cobrem despesas permitidas pela legislação: passagens aéreas, aluguel de escritório político, combustível, veículos, divulgação do mandato, entre outros.
Cada gabinete tem direito a uma cota mensal de até R$ 41,3 mil. Goiás tem o segundo menor teto do país, atrás apenas do Distrito Federal, cujos parlamentares recebem R$ 36.582,46 mensais. O maior valor é destinado aos representantes do Acre, com R$ 50.426,26 por mês.
O triênio 2023-2025
Entre 2023 e 2025, a bancada goiana utilizou 77% do total disponível de R$ 29,7 milhões. Os deputados federais foram mais próximos do limite: gastaram R$ 21,8 milhões dos R$ 25,2 milhões possíveis — aproveitamento de 86,4%. Já os senadores ficaram muito abaixo: usaram apenas 23,7% do teto de R$ 4,4 milhões, com total de R$ 1,06 milhão — valor inferior à média individual dos 17 gabinetes de deputados, que foi de R$ 1,284 milhão no período.
O maior gasto individual entre 2023 e 2025 foi do deputado Professor Alcides (PL), com R$ 1,467 milhão. O menor foi de Daniel Agrobom (PL), com R$ 499 mil — único a ficar abaixo de R$ 1 milhão no triênio. O ano de 2024, marcado pelas eleições municipais, registrou o maior volume de gastos do período.
Além da divulgação — principal categoria de despesa, com 47,4% do total —, os recursos foram para manutenção de escritórios (R$ 4,7 milhões), aluguel de veículos (R$ 3,8 milhões) e combustíveis (R$ 2,6 milhões).
O levantamento inclui também suplentes que assumiram mandatos ao longo da legislatura. Na Câmara, Hildo do Candango (Republicanos) ocupou o gabinete de Jeferson Rodrigues em partes de 2023 e 2024, com gastos de R$ 149,9 mil. O atual prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), assumiu o mandato de Célio Silveira em 2023 e registrou R$ 128,8 mil. Samuel Santos (Podemos) ocupou o lugar de Glaustin da Fokus no ano passado e gastou R$ 137,7 mil. No Senado, Pedro Chaves (MDB) assumiu por licença de Vanderlan Cardoso (PSD) no segundo semestre de 2025 e registrou R$ 73,5 mil.
Primeiro semestre de 2026
No primeiro semestre deste ano, os 17 deputados federais somaram R$ 3,69 milhões em gastos com a cota. Os três senadores registraram juntos R$ 153,8 mil — Jorge Kajuru (PSB) não apresentou nenhuma despesa no período.
Entre os deputados, Marussa Boldrin (PL) liderou com R$ 294 mil, seguida por Jeferson Rodrigues (Republicanos), com R$ 284,8 mil, e Dr. Ismael Alexandrino (Republicanos), com R$ 264,7 mil. Daniel Agrobom (PL) registrou o menor valor — R$ 83,5 mil — mantendo o padrão de uso mais comedido que já o distinguia no triênio anterior.
Entre os senadores, Vanderlan Cardoso (PSD) gastou R$ 81,4 mil, concentrados em aluguel de escritório e locomoção. Wilder Morais (PL), pré-candidato ao governo, utilizou R$ 72,4 mil, com despesas voltadas para escritório e material de consumo. Jorge Kajuru (PSB) zerou todas as categorias.
Gastos totais da bancada goiana com cota parlamentar
|
Período |
Deputados (R$) |
Senadores (R$) |
Total (R$) |
|---|---|---|---|
|
2023–2025 |
21.800.000,00 |
1.060.000,00 |
22.860.000,00 |
|
1º sem. 2026 |
3.697.678,44 |
153.873,52 |
3.851.551,96 |
|
Total legislatura |
~25.497.678,44 |
~1.213.873,52 |
~26.711.551,96 |
Fonte: Portal da Câmara dos Deputados e Sistema de Cotas do Senado Federal.
Gastos individuais com cota parlamentar no 1º semestre de 2026
|
Parlamentar |
Partido |
Total (R$) |
|---|---|---|
|
Marussa Boldrin |
PL |
294.021,80 |
|
Jeferson Rodrigues |
Republicanos |
284.863,08 |
|
Dr. Ismael Alexandrino |
Republicanos |
264.738,99 |
|
José Nelto |
Podemos |
249.774,60 |
|
Glaustin da Fokus |
Podemos |
246.612,30 |
|
Magda Mofatto |
PL |
233.961,62 |
|
Adriano do Baldy |
PSD |
233.862,43 |
|
Rubens Otoni |
PT |
228.597,39 |
|
Silvye Alves |
União |
221.359,11 |
|
Del. Adriana Accorsi |
PT |
217.996,30 |
|
Célio Silveira |
MDB |
214.821,35 |
|
Professor Alcides |
PL |
204.354,06 |
|
Dr. Zacharias Calil |
MDB |
203.020,00 |
|
Flávia Morais |
PDT |
201.284,33 |
|
Lêda Borges |
PSD |
189.354,34 |
|
Gustavo Gayer |
PL |
125.509,86 |
|
Daniel Agrobom |
PL |
83.546,88 |
|
Total deputados |
3.697.678,44 |
|
|
Vanderlan Cardoso |
PSD |
81.441,68 |
|
Wilder Morais |
PL |
72.431,84 |
|
Jorge Kajuru |
PSB |
0,00 |
|
Total senadores |
153.873,52 |
|
|
TOTAL GERAL |
3.851.551,96 |
Fonte: Portal da Câmara dos Deputados e Sistema de Cotas do Senado Federal. Dados de 07/07/2026.
Escritório, veículo e combustível
Além da divulgação, os recursos da cota parlamentar da bancada goiana seguiram para três grandes categorias entre 2023 e 2025. A manutenção de escritórios políticos consumiu R$ 4,7 milhões — estrutura física que os parlamentares mantêm nos municípios para atender eleitores e lideranças. O aluguel de veículos levou R$ 3,8 milhões, e o combustível, outros R$ 2,6 milhões. Juntas, essas três categorias representam cerca de 48% dos gastos totais do triênio, praticamente empatadas com a fatia de divulgação.
Senadores x Deputados
A diferença de comportamento entre deputados e senadores no uso da cota é marcante. Enquanto os 17 deputados federais goianos utilizaram 86,4% do teto disponível entre 2023 e 2025, os três senadores ficaram em apenas 23,7% — menos de um quarto do que poderiam gastar. O custo somado dos três senadores no triênio, R$ 1,06 milhão, é inferior à média individual de cada deputado federal, que foi de R$ 1,284 milhão. No primeiro semestre de 2026, o contraste se repete: deputados somaram R$ 3,69 milhões enquanto senadores registraram juntos R$ 153,8 mil — e um deles, Jorge Kajuru (PSB), zerou todas as categorias.
