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Autismo: o desafio do diagnóstico precoce

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02.04.2021 - 08:00:00
 
O autismo tem se tornado cada vez mais comum e não há algo que o possa prevenir, no entanto o diagnóstico precoce é fundamental para o bom desenvolvimento da criança.
 
Aproveito o início de abril, que é o mês da conscientização do autismo, para alertar a respeito da importância de não esperar o autismo “aparecer”.
 
Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) divulgados em 2020, uma em 54 crianças nascem com o transtorno de espectro autista (TEA).
 
No Brasil, ainda não se tem um dado confiável da prevalência desse diagnóstico na população. Porém, no Censo 2021, o IBGE coletará dados concernentes à população com deficiência, incluindo autistas, para atualizar os dados de prevalência do transtorno na população brasileira.
 
Apesar de essa ser uma medida importante na luta pelos direitos dos autista, será que a inclusão do autismo no Censo é suficiente? Temo que não. Infelizmente grande parte da população ainda não tem acesso ao diagnóstico e quando se tem, é tardio.
 
Estudos atuais têm demonstrado que é possível identificar sinais de alerta do transtorno de espectro autista, em muitos casos, a partir dos seis meses de vida. Apesar disso, no Brasil a maioria dos diagnósticos de autismo acontecem entre os quatro e sete anos de vida.
 
Isso se deve a alguns fatores, principalmente a falta de acesso à informação, o que leva à crença popular errônea de que “cada criança tem seu tempo”.
 
Assim como nos aspectos biológicos, o desenvolvimento da comunicação social atende a alguns padrões esperados em cada faixa etária. O atraso dessas habilidades não pode ser ignorado.
 
O diagnóstico do autismo é complexo e exige grande experiência do médico pediatra para notar os primeiros sinais e encaminhar para um especialista.
 
Não existem exames laboratoriais ou de imagem que detectem o autismo. O transtorno é diagnosticado por meio de observação clínica de déficits na comunicação social e padrões rígidos e repetitivos de comportamento.
 
Desde 2017, em consultas pediátricas pelo SUS, é possível identificar precocemente sinais de TEA para crianças de 16 a 30 meses. Portanto, ao perceber qualquer sinal de atraso no seu bebê, solicite a aplicação dessa avaliação ao seu pediatra.
 
Dos seis aos oito meses é esperado que o bebê consiga olhar quando chamam pelo seu nome e olhar para diferentes sons do ambiente, além de acenar com as mãos e bater palmas.
 
Aos nove meses, espera-se que a criança seja capaz de seguir com olhar o gesto de apontar de adultos, usar vocalizações para chamar atenção, reconhecer pessoas familiares e estranhar pessoas novas, além de apresentar expressões faciais de afeto e imitar sons.
 
Já aos 12 meses, a criança deve ser capaz de apontar para pedir o que deseja e mostrar coisas do seu interesse, seguir instruções simples e falar em torno de três palavras.
 
A ausência dessas habilidades no primeiro ano de vida deve ser levada a sério. Por se tratar de um transtorno do neurodesenvolvimento, cada segundo é precioso.
 
Diversos estudos destacam a intervenção precoce como fator fundamental para a melhora do quadro clínico do autismo, gerando ganhos significativos e duradouros no desenvolvimento da criança.
 
*Giovana Reolon Brasil é mestre em Psicologia com formação em terapia ABA para autistas
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por Giovana Reolon Brasil

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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