José Abrão
Goiânia – A pandemia foi o ponto de virada na vida da então designer Kamila Amorim, natural de Goiânia. Filha de músicos e criada em meio ao universo artístico, ela decidiu que não dava mais para adiar o sonho de estar nos palcos e resolveu se jogar de vez no que sempre considerou seu destino. Corta para 2026, quando Kamila ganha papel de destaque na novela Coração Acelerado, da Rede Globo, como Laurinha, melhor amiga da influenciadora Naiane (Isabelle Drummond).
Em entrevista ao jornal A Redação, Kamila relembra a própria trajetória, fala sobre sonhos e destaca a satisfação de integrar uma novela ambientada em Goiás, com foco na cultura local. Definindo-se como uma “jovem mística”, a atriz acredita que, além de talento e sorte, sua chegada ao papel também envolve algo difícil de explicar, como o destino.
“Eu já estava trabalhando aqui no cinema de Goiânia, fazendo vários filmes, e aí surgiu o Levanta, Regiane, que foi aquele filme da Globo, né, feito com uma equipe toda goiana, um filme regional, e que foi uma porta de entrada para a maioria de nós ali. Esse filme foi usado como material de pesquisa para fazer o elenco da novela, só que, quando a gente fez o filme, ainda não tinha essa noção, não sabia que ia ter novela aqui”, lembra.
A partir daí, ela passou por vários testes de elenco em Goiânia, inclusive uma espécie de oficina de experimentação cênica. Mais adiante, ainda, houve, enfim, novos testes de elenco. “Foram três ou quatro testes aqui, com muita gente: veio gente de Brasília, de BH, de vários lugares. Esse teste foi em julho de 2025, e, em agosto, eu assinei o contrato. Em setembro, já me mudei para o Rio”, conta. Todo o processo foi muito rápido, considerando que Levanta, Regiane havia sido gravado no final de 2024.
Quando recebeu a notícia, o cenário já era de novela: Kamila estava em uma praia na Espanha. “Foi lindo”.

Audiovisual goiano consolidado
Outra coisa que Kamila acredita que fez a diferença foi sua formação e preparação em Goiás, que já está consolidado no cenário do audiovisual. “Aqui em Goiás, nós somos muito bem servidos de profissionais e de projetos. Se eu não me engano, Goiás foi um dos estados que mais captaram recursos para o audiovisual nos últimos tempos. E isso foi a base da minha carreira”, pontua.
Ela conta que, quando foi estudar, pesquisou os cursos e escolas do eixo Rio-SP para ficar mais próxima das produtoras, mas logo descobriu que não apenas as escolas daqui não devem nada às de lá, como a maioria dos testes agora é feita remotamente, por vídeo. “Se eles estão fazendo por vídeo com quem está no Rio, podem fazer comigo, que estou aqui”, foi a lógica que ela seguiu. “Foi uma grande libertação. Isso tirou um peso enorme dos meus ombros. Eu sou goiana, eu estarei em Goiás”, relata.
O que acabou dando muito certo, já que pouco depois apareceram oportunidades procurando especificamente por atrizes goianas: “o que me levou para a Globo foi o trabalho que eu fiz aqui”.
Trabalhar na novela tem sido uma experiência muito diferente. Em primeiro lugar, Kamila destaca a estrutura: os Estúdios Globo permanecem os maiores do país e, além disso, há a questão da velocidade com que as cenas são escritas, produzidas e gravadas. Em um dia muito cheio, ela conta que pode fazer 15 cenas. Ainda assim, é uma correria que vale a pena: “No final das contas, é um grande sonho. Estar ali. Trabalhar ali. É uma loucura, mas é uma loucura boa”.
Lançamento
Para o futuro, Kamila conta que tem recebido alguns convites, mas que, no momento, está totalmente focada na novela, inclusive porque é uma rotina que demanda muito, com gravações seis dias por semana. Mesmo assim, ela já tem um lançamento previsto para o final deste ano: o longa-metragem Leodegária, seu primeiro papel de protagonista, gravado antes de começar a novela.
“Ela foi a primeira mulher a publicar um livro em Goiás. Ela publicou 20 anos antes da Cora Coralina. Era uma mulher preta e foi apagada da história. E aí, estão movimentando o resgate da memória dela. Ele foi filmado em abril e maio de 2025”.
