A Redação
Goiânia – O feijão de caldo não agrada ao paladar de todo mundo, mas o churrasco conquista a maioria. Água de coco e café são bebidas atípicas. Os pés inquietos com as músicas regionais indicam uma afeição pelo estilo bem peculiar do coração do Brasil. O clima, mesmo quente para alguns, é motivo de comemoração. A hospitalidade brasileira, então, encanta e incentiva a descontração entre times historicamente rivais. Já a comunicação, às vezes, tem que ir além da verbal. “Fazemos mímicas quando nos faltam as palavras”, revelou a árbitra uruguaia, Analia da Rosa.
É uma mistura de características, linguagens, costumes, habilidades, esporte e cultura no 15º Campeonato Mundial Universitário de Futsal, que se tornou uma experiência rica, tanto para quem participa, quanto para quem só acompanha. O torneio teve início no sábado (2/7) e segue até domingo (10), em Goiânia e Anápolis, proporcionando o encontro entre 16 países e os goianos.
Mr. Setthakornchai Chuenta, jogador da seleção masculina da Tailândia experimentou café pela primeira vez e gostou tanto que pediu para levar um pouco do grão para o país de origem. “É uma delícia e não se parece com nenhuma bebida da Tailândia. Quero levar para a minha família experimentar. Eles vão adorar”, afirmou. A semelhança dos dois povos fez com que o time se sentisse em casa desde o primeiro dia. “O jeito acolhedor das pessoas, a comida, o clima e as músicas são parecidas e isso é maravilhoso”, completou.
(Foto: Solimar Oliveira/Seduce)
A seleção feminina da Argentina também teve uma experiência nova com a água de coco. “Achamos uma delícia e o engraçado é que para todo canto que você olha tem alguém vendendo cocos. Não é comum tomarmos essa bebida em nosso país, mas adoramos, principalmente a paisagem”, disse Laura Henriquez, que joga na defesa do time e se referiu ao Parque Flamboyant. Já o feijão de caldo não apeteceu o paladar das argentinas. “Em nosso costume, colocamos o feijão branco na salada ou comemos frio enlatado. Quente, parecendo uma sopa, não nos agradou muito”, reforçou com uma careta.
Já no hemisfério norte, a opinião é contrária sobre o queridinho do Brasil. “Nós amamos o feijão de vocês, o tempero e a pimenta. Tudo uma delícia. Comida muito boa”, elogiou a atacante do time feminino do Canadá, Joëlle Gosselin, que está em busca do queijo de trança. “Uma amiga morou aqui um tempo e levou esse queijo para nós. É o melhor do mundo”, afirmou.
A seleção ainda não conheceu a cidade, mas já marcou uma excursão para o dia 8. Esta é a primeira vez que a seleção feminina do País participa da competição e aprovaram a organização do evento. “É muito legal ver todos os times interagindo. A equipe da organização é atenciosa e percebemos a preocupação com nossa segurança e comodidade”, ressaltou Joëlle Gosselin.
Para a maioria dos times entrevistados, o churrasco brasileiro é o prato mais saboroso. Os israelenses são prova disso. Poucos dias depois de chegar a Goiânia, a seleção visitou um rodízio de churrasco. “Ficamos impressionados com a quantidade de carne que chegava a todo o momento. Saímos de lá satisfeitos e com vontade de voltar outras vezes”, afirmou o atacante do time masculino Etienne Jubran. Ele conta que em Israel tem um restaurante brasileiro que faz o prato, mas o preço é mais alto e tem sabor diferente.
Os israelenses são um dos times que se adaptaram muito bem ao ambiente goiano. Tão bem, que quase toda a seleção baixou o aplicativo de encontros ‘Tinder’ para conhecer as goianas. “Nosso foco por enquanto está sendo os jogos, mas assim que terminar queremos conhecer mais a cidade e as mulheres daqui, que são muito lindas, com todo respeito”, afirmou Etienne Jubran.

O contato com Goiânia e Anápolis fora das quatro linhas da quadra também chamou a atenção dos jogadores da República Tcheca.
“O nosso País não tem tradição no futebol e por isso que o que nós mais gostamos aqui é sentir a alma desse esporte. Nós vemos as pessoas jogando futebol na rua, em qualquer lugar, e isso é muito legal”, disse Patrick Mazári, jogador da seleção masculina de futsal.
De todos os jeitos, formas e sabores, Goiânia e Anápolis têm mostrado para os visitantes atletas de várias partes do mundo que são cidades ricas e receptivas. A competição, mesmo escolhendo apenas um vencedor, une os povos na troca de experiências e proporciona um verdadeiro encontro de culturas.