Paris – Pelo menos dois homens armados invadiram uma conferência sobre liberdade de imprensa realizada na tarde deste sábado, 14,em Copenhague, na Dinamarca, e atiraram contra os participantes, matando pelo menos uma pessoa. A palestra "Arte, blasfêmia e liberdade" homenageava as vítimas do atentado ao jornal satírico Charlie Hebdo e tinha entre seus convidados artista e chargista sueco Lars Vilks, que em 2007 desenhou a figura de Maomé e desde 2010 vive sob proteção policial.
As primeiras informações indicam que, além de um civil morto, três policiais ficaram feridos. O número total de atingidos em estado grave ainda é impreciso. O ataque aconteceu por volta das 15h30 (12h30 no horário de Brasília), no Krudttønden ou "Barril de pólvora", em dinamarquês , um centro cultural situado a 3,7 quilômetros do centro de Copenhague.
Presente no evento, o embaixador da França, François Zimeray, informou pelo Twitter, de dentro da sala, ter sobrevivido ao ataque. "Ainda vivo na sala", escreveu. À agência France Presse (AFP), Zimeray deu os primeiros detalhes sobre o atentado. "Atiraram do exterior do prédio. Foi a mesma intenção de Charlie Hebdo, alvo que eles não conseguiram ingressar", explicou. "Eu diria que houve pelo menos 50 disparos, mas os policiais aqui nos dizem 200. As balas passaram através das portas e todo mundo se jogo ao chão."
De acordo com o jornal dinamarquês JyllandsPosten o mesmo que em 2005 publicou as primeiras charges sobre Maomé, que despertaram a ira de radicais muçulmanos pelo mundo , dois homens que teriam fugido do local portando armas automáticas em um automóvel Volkswagen Polo e continuavam desaparecidos no início da noite. As primeiras testemunhas ouvidas pela publicação indicam que os dois homens falariam árabe. A mesma publicação, o coordenador técnico Pallet Vedel, que estava no prédio no momento do atentado, afirmou que um dos terroristas teria conseguido ingressar no prédio e atirar com um fuzil automático. "Havia seis ou sete policiais no prédio quando o tiroteio começou, e eles responderam rapidamente aos disparos", contou Vedel.
Ainda conforme o JyllandsPosten, a polícia investiga a hipótese de que Lars Vilks tenha sido o alvo principal dos agressores. O chargista, também historiador de arte, publicou em 18 de agosto de 2007 no jornal sueco Nerikes Allehanda uma charge do que seria Maomé em um corpo de cachorro. Em represália, sua casa foi alvo de um incêndio criminoso em maio de 2010, e desde então ele vive sob proteção policial. Em setembro de 2014, sua cabeça foi colocada a prêmio por Abu Omar AlBaghdadi, chefe da organização terrorista Estado Islâmico, que teria oferecido US$ 100 mil por sua morte.
Também estava presente na sala da conferência a ativista do movimento Femen Inna Shevchenko, que perdeu amigos no atentado de Paris em 7 de janeiro. Pelo menos dois dos agressores fugiram do local.
Em nota oficial, o ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, condenou o episódio, que definiu como "um ataque terrorista". O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, uma das figuras de proa quando dos atentados de Paris, está rumando para Copenhague para trabalhar em conjunto com as autoridades dinamarquesas. (Agência Estado)