Jales Naves
Especial para o AR
Goiânia – O interesse pela arte de escrever e de pintar surgiu ainda na adolescência, quando Roselene Cardoso passou a pesquisar essas duas áreas, que a acompanharam ao longo da vida. Posteriormente, já artista plástica e poetisa, adotou o nome artístico de Rosy Cardoso e tem um longo currículo, formado por três livros publicados, participação em 13 antologias, nove exposições individuais, 23 exposições coletivas, nove encontros literários, 14 palestras e conferências e 11 premiações, inclusive internacionais. Agora, conquistou a Cadeira nº 5 da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás (AFLAG), que tem como patrona a escritora Cora Coralina, e estava ocupada pela artista Runi Conceição Vieira e Silva. A posse ainda não teve data definida.
Seus estudos superiores começaram pelo Curso de Letras/Português, na Universidade Federal de Goiás, em 1979, ano em que começou a trabalhar no Banco do Estado de Goiás, por onde se aposentou em 2001. Em 1981 ela interrompeu o curso na UFG para se casar com Leônidas Correa Araújo Júnior. Só retomou seus estudos em 2010, na Faculdade Cambury, onde fez o Curso de Design de Interiores e Paisagismo, que concluiu no ano seguinte, quando apresentou monografia intitulada “Ambientação”, estudo que realizou na empresa Mococa. O Mestrado em Letras (2018-2020) ela fez na Pontifícia Universidade Católica de Goiás, defendendo dissertação com o título “As imagens da mulher afro-brasileira em ‘Olhos D’Água’, de Conceição Evaristo”.
Artista sensível
Rosy Cardoso, como descrito por Nonato Coelho, presidente da Associação Goiana de Artes Visuais (AGAV), “uma artista sensível, depositária de enorme capacidade expressiva, que transita dentro de uma dinâmica singular entre a arte visual e a poesia, faz de seu tempo – de nosso tempo – momento marcante ao construir com determinação e muita inspiração, a sua história artística, pontuando e inscrevendo no rico e diversificado amálgama cultural de nossa região”.
“Expoente de uma composição pictórica voltada ao universo feminino, uma estrutura composicional de base figurativa onde a linha bem demarcada e cores fortes constroem, sobriamente, um tema que questiona os limites e as censuras impostas às liberdades da mulher na sociedade contemporânea. Muitas vezes suas imagens parecem sensivelmente muito próximas da literatura, embora a artista esteja perfeitamente licenciada, sendo compreensível essa ‘vizinhança’ entre arte e literatura em Rosy Cardoso – essa mulher polivalente que vive em estado de constante produção literária e artística”, afirmou.
A emoção é a tônica da sua vida. “Sem ambiguidades, ela tem a coragem e a naturalidade de direcionar sua vida cotidiana numa intrínseca relação com a criatividade artístico-literária, observando tudo que passa por seu caminho e reciclando momentos e situações, transformando-os em metáforas de formas, cores e palavras, nesta desconcertante intimidade entre arte e literatura”, arrematou Nonato.
É leitora atenta da obra da escritora mineira Conceição Evaristo, 72 anos, que se destaca na defesa da mulher e para quem “é preciso romper com a história oficial”, defendendo um esforço dos professores em contar a trajetória da população negra e indígena nas escolas. Conceição se candidatou à Academia Brasileira de Letras, que virou hashtag, reuniu 40 mil assinaturas em abaixo-assinados e expôs a falta de representatividade negra e feminina na academia centenária. Professora aposentada da rede pública do Rio de Janeiro, doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense e vencedora do Prêmio Jabuti em 2015 com o livro “Olhos D’Água”, tem seis obras publicadas.
Trajetória na literatura e nas artes
Goiana de Goiatuba, 63 anos, filha de Sílvia Moreira Naves do Carmo e Waldemar Cardoso do Carmo, ela tem dois filhos, Murilo Cardoso Araújo, 38 anos, que mora nos Estados Unidos, e Rafaela Cardoso Araújo, 30 anos. Tão logo se aposentou, passou a se dedicar às artes: as suas primeiras exposições individual e coletiva foram em 2002, “Arte de Rosy Cardoso” (coletânea), na Galeria a Vista, da PUC-GO, e na Casa da Arte e Cultura em Acreúna, GO.
No ano seguinte montou a individual “Cores do Cerrado”, também na Galeria da PUC-GO, e a levou ao auditório e salão de arte da Prefeitura de Goiatuba. Em 2005 montou a exposição individual “Negro Olhar”, Série I, nessa galeria da PUC-GO; no ano seguinte realizou a exposição “Negro Olhar”, Série II, no Palácio Conde dos Arcos, na cidade de Goiás, e que também integrou o III Encontro Sebrae Afro Goiano, nesse espaço na antiga capital. Em 2007 participou de duas mostras coletivas: “Artistas goianos”, da Associação Goiana de Artes Visuais (AGAV), na galeria da PUC-GO; e “Trabalhos artísticos de familiares Naves”, dentro do I Encontro Nacional da Família Naves, realizado nos dias 23 e 24 de novembro de 2007, no Jóquei Clube de Goiás, em Goiânia.
Em 2008 teve a individual “São Francisco de Assis”, na galeria da PUC-GO; e a coletiva “Processo criativo”, também na Universidade Católica. No ano seguinte foram duas coletivas em Goiânia: “Mulheres, Mulheres”, no auditório da Caixa Econômica Federal, em comemoração ao Dia da Mulher, e “Mulheres, Somos muitas, Somos muito!”, no Clube de Engenharia de Goiás. Em 2010 foram uma individual “Mulheres, Somos muitas, Somos muito!”, na PUC-GO, e duas coletivas: “PUC – 50 x 50 nos 50 anos”, na Universidade, e “Primavera das artes”, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), da 18ª Região, em Goiânia.
Em 2011 teve uma coletiva, “Mostra sua arte”; em 2012, duas coletivas também em Goiânia: “O olhar da arte na condição feminina”, na Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres e Igualdade Racial; e “Artes de final de ano – Plural de Cores”, no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. Em 2013 houve a primeira participação em exposição coletiva no exterior, “AGAV’s Look on Brazilian Mid West”, na Gallery MC, em Nova York, Estados Unidos, e duas em Goiânia, “Pioneiros e Contemporâneos”, no Tribunal Regional Eleitoral, e “Coletiva de Escultores e Pintores do Movimento da Arte – XIV”, na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás.
No ano seguinte houve duas exposições coletivas: na posse da diretoria da AGAV, na Galeria do Cine Ouro, e “Coletânea do Artista”, na PUC-GO. Em 2015, “Movimento Santuário da Arte – XVI, Coletiva de Escultores e pintores”, na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás. Em 2016, a exposição individual “Lata d’água na cabeça”, na Vila Cultural Cora Coralina; e duas mostras coletivas: “Movimento Santuário da Arte XVIII” e “Só Frida – Frida Kahlo, um olhar de mulher”. Em 2017, a individual “Mulheres que amam demais”, na Vila Cultural Cora Coralina; e “O novo grito”, na Galeria Octo Marques, iniciativa da AGAV. Em 2018, a coletiva organizada pela Secretaria Municipal de Cultura e AGAV; e mostra coletiva “A arte celebra Goiânia”, igualmente na Galeria Octo Marques.
Rosy já publicou três livros: “Iconografia poética”, em 2017, pela ed. Talento; “Andarilha”, 2018, ed. Kelps; e “Duas falas, dois encantos”, 2020, pela Ed. Art3. Tem trabalhos em 13 antologias; e publicou quatro artigos: “O lugar de fala da mulher negra em ‘Olhos d’água”, de Conceição Evaristo”, na revista “Trama”, da Unioeste, e “O corpo fala em Luamanda, Ana Davenga e Duzu-Querença – Conceição Evaristo”, na revista “Linguagem, estudos e pesquisas”, em 2020; e “Momento que atemoriza e ensina – Retalhos do caos”, Ed. Kelps e “Reflexos e reflexões em torno da uma identidade cultural: a descolonização do eu em ‘Beijo na face’ e ‘O cooper de Cida’”, de Conceição Evaristo”, “Revista de Letras norte@mentos”.
Ela conquistou 11 premiações: ‘Destaque cultural’, pelo Movimento Santuário da Arte, do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais e Academia Goiana de Letras, em 2008; ‘Troféu Santuário da Arte – Artista Destaque’, do Movimento Santuário da Arte, em 2009; Medalha do Mérito Acadêmico Visconde de Porto Seguro, outorgada pela Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano (Alaneg), 2010; ‘Laureles Educativos Invalorable e la Educacion, Salub, Bienestar y al Desarrollo Farmativo’, em Quito, Equador, ‘Década del Liderazgo y Empoderamento de las Apafas como Actores del Grain Cambio en la Educacion’, encontro, em Quito, Equador, ‘Doctor Honoris Causa’, da Confederacion Mundial de Asociaciones de Padres de Família, de Lima, Peru, e Diploma do Mérito Acadêmico Visconde de Porto Seguro, Alaneg, os quatro em 2014; ‘Sarau Brasil’, quarta colocação, concurso Sarau Brasil e Publicação, Vivara Editora Nacional, Paraíba, em 2016; Diploma Destaque Cultural e Artes, da Academia Internacional de Cultura (AIC), do Distrito Federal, e Troféu Buritis, do Conselho Municipal de Cultura, de Goiânia, GO, ambos em 2019.
Rosy Cardoso integra cinco entidades: na AGAV é vice-presidente, gestão 2019/2022; na Academia Goianiense de Letras (AGnL) ocupa a Cadeira nº 5, que tem como patrona Leodegária de Jesus; no Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado (Icebe), a Cadeira nº 19, sendo patrono o ex-deputado federal Gerson de Castro Costa; na Academia Internacional de Cultura, de Brasília, DF, a Cadeira nº 60, cujo patrono é o escritor Mário Quintana; e na Seção de Goiás da União Brasileira de Escritores participa do Conselho Artístico.