Especial para o jornal A Redação
Goiânia – Desde os anos 1930 em Morrinhos, GO, onde se instalou, o casal de mineiros Marcília Rosa Naves e Pedro Silvério Pereira teve presença importante na região. Em especial Marcília, que nasceu em Uberlândia, no dia 12 de março de 1911, viveu 99 anos – faleceu em 2 de abril de 2010 –, dos quais em torno de 80 nesse município do sul goiano, em fazendas e na cidade, e ali criou os seis filhos, todos assinando Pereira Naves e nascidos nessa localidade – Francelina, de 1926, Brazilina, de 1929, Valdemar, de 1932, Januária, de 1935, Simeão, de 1937, e Maria, de 28 de junho de 1940 –, netos e bisnetos. Pedro era de Estrela do Sul, do dia 29 de julho de 1902.
Essas lembranças são do transcurso dos 80 anos da filha caçula, Maria, que ganhou o apelido de Maria Isabel para diferenciá-la de duas outras primas, que tinham o mesmo nome. Uma pessoa determinada e firme em suas decisões, é artesã, habilidosa nos trabalhos manuais, produzindo toalhas de mesa, panos de prato e crochês muito bonitos, e doceira. Ela dedicou a vida a cuidar da casa e dos filhos; casou-se em 1956 com seu conterrâneo Sebastião Eduardo de Barros, que nasceu em 29 de setembro de 1933, filho de Francisco Januário de Barros e Minervina Fancelina de Barros. Maria e Sebastião tiveram cinco filhos, todos nascidos na cidade: Gislanda Fátima, Gilberto, Gilmar, Marizete e Gilson.

Sebastião Eduardo de Barros (Foto: álbum de família)
Atuação firme e respeitada
Ambos naturais de Morrinhos, Maria Isabel e Sebastião sempre foram ligados ao meio agropecuário, na região dos Macacos, onde fica a fazenda Rochedo, de propriedade da família, onde criavam gado de corte e de leite e de porcos, e plantavam milho, mais para consumo dos animais. O cereal era também utilizado para fazer pamonha, prato predileto dele, e que permitia melhor convívio com os familiares e vizinhos, quando sempre se reuniam para colher as espigas nas lavouras e limpá-las para a pamonhada, um ritual de grande participação.
Sétimo de 10 irmãos, Sebastião começou o I Grau no Ginásio Senador Hermenegildo de Morais, mas não o concluiu. Por sua atuação firme e respeitada, logo assumiu liderança, sendo sempre consultado nas decisões políticas, mas nunca quis exercer cargos públicos, mesmo sendo membro ativo do Diretório Municipal do então Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Foi sócio fundador do Sindicato Rural, da Cooperativa Mista dos Produtores de Leite da Morrinhos (Complem), do Rotary Clube, do Clube do Meio Ambiente, sempre participando de suas atividades, e da Cavalgada Ecológica de Morrinhos, desde 1991. Faleceu aos 85 anos em 2019.
Dedicação preservada
Os filhos mantiveram a dedicação do pai com a cidade, e cada um buscou sua trilha, à exceção das filhas. A primogênita Gislanda Fátima não quis a vida interiorana e mudou-se para Goiânia. Estudou Ciências Sociais na Universidade Federal de Goiás, lecionou História do Brasil e História Geral na Escola Municipal Targino de Aguiar, na Capital, e na década de 1980 ingressou na Assembleia Legislativa do Estado, em função administrativa, como secretária; logo passou para o Departamento de Recursos Humanos dessa instituição, na área de capacitação, quando contribuiu para a implantação de um dos maiores projetos do Parlamento goiano, do qual foi a primeira coordenadora-geral – a Escola do Legislativo, para propiciar educação política para a comunidade; capacitar o servidor público da Assembleia Legislativa; e promover a integração com outras Casas Legislativas, em todos os níveis. Em dezembro de 2016 ela se aposentou.
Gilberto sempre morou na fazenda, criando gado, e se tornou um grande tocador de berrante nas reuniões de familiares e amigos. Casou-se com Neuralene Rodrigues Araújo, piauiense de Floriano Peixoto, e eles tiveram uma filha, Suellen Rodrigues de Barros, que fez Fisioterapia em Goiânia, mudou-se para Palmas, TO, para exercer a profissão, no Hospital Geral da cidade, e depois decidiu ir para o Paraguai, cursar Medicina, e já está no terceiro ano do curso.
Médico-veterinário pela UFG e pecuarista, Gilmar trabalhou por vários anos em empresas nacionais e multinacionais de produtos agropecuários, como a Merial, Agroquima e Milenia, período em que morou por aproximadamente 10 anos em Rio Verde, GO. Retornando a Morrinhos iniciou uma nova etapa ao adquirir loja de produtos veterinários, pet-shop e jardinagem, administrada pela esposa, a administradora de empresas Luciene Nogueira Mendes Barros. O casal tem dois filhos. O mais velho, Túlio, é cirurgião-dentista pela UFG com mestrado pela UFG/Universidade de Malmö (Suécia), doutorado pela UFG/McGill University (Canadá) e especialista em Implantodontia e Economia em Saúde. Atualmente realiza pós-doutorado na UFG. Recentemente, ele conquistou reconhecimentos importantes, em níveis nacional e internacional: em 2019 foi o vencedor do Prêmio Capes de Tese, o “Oscar” da Pós-graduação brasileira, tendo sua tese de doutorado sido considerada a melhor no Brasil na área de Odontologia. Ele e sua equipe pesquisaram e comprovaram uma forma simplificada de tratamento com implantes para pacientes que perderam todos os dentes e possuem dificuldades de se adaptar com a dentadura inferior. Os resultados estão sendo utilizados no Sistema Único de Saúde (SUS) para definir novas políticas de saúde. O trabalho também foi reconhecido na Inglaterra, recebendo o prêmio de pesquisa destaque do ano pelo Colégio Europeu de Odontogeriatria. Thaísa formou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás, concluiu pós-graduação em Direito Penal e obteve aprovação no Exame de Ordem. Apesar de gostar da área jurídica, Thaísa descobriu sua verdadeira vocação na arte da fotografia, especializando-se em São Paulo e trabalhando com um renomado fotógrafo de artistas. Neste período, ela participou de sessões de fotos com grandes nomes, como Elza Soares. De volta a Goiânia, dedica-se à cobertura de grandes shows e festivais de música e expõe parte de seu trabalho no seu perfil no Instagram (@thaisa.nb).
“Antes de avo? ele e? pai, filho, irmão, amigo. Meu avô e? desses caras que toda a cidade do interior conhece – seja pela política que tanto gosta; seja pelas inúmeras festas de folia que faz na fazenda; seja pelas cavalgadas de que participa; seja pelo Rotary; seja pelo Sindicato Rural; seja pela Complem; seja pelos conselhos; seja pelo ombro oferecido; seja pelas pingas que sempre gosta de dar – mesmo sem tomar; seja pela casa sempre cheia. No presente porque ainda continua fazendo e gostando disso tudo, só que hoje de um lugar um pouco diferente. Bem ali. Ali em cima mesmo. No céu”, escreveu no facebook a neta Thaísa Nogueira Barros, quando de seu falecimento. E acrescentou: “Sebastião Eduardo de Barros: nome forte (que nem ele). Meu ‘vo?’, descanse em paz! O senhor fez uma família incrível por aqui. Quanta honra fazer parte! Agora nos olhe ai? de cima, por favor, porque aqui … a luta continua! ??. De sua neta caçula ‘baianinha’ (como o senhor me chama)”.
Formada em Pedagogia e Língua Portuguesa e especialista em Língua Portuguesa, Marizete foi casada com Evandro Borges de Souza, com quem tem dois filhos: Vinícius Eduardo Souza e Lucas Eduardo Souza. Atualmente é casada com Willian Martins Pereira e residem em Palmeiras de Goiás, onde ela trabalha com educação especial no Colégio Estadual da Polícia Militar de Goiás (CEPMG). Vinícius – que tem como hobbie a pescaria e desde criança desmontava os brinquedos para descobrir como eram feitos–, formou-se em Engenharia Mecânica e hoje, profissional da área, possui uma oficina de máquinas refrigeradoras; é casado com Janaína Alves de Jesus, residem em Palmeiras de Goiás e tem uma filha, Júlia Eduarda Alves. Lucas, desde criança, cultiva a paixão pelos animais (cães), formou-se em Publicidade e Propaganda, já trabalhou em campanhas políticas em produtora de vídeo e atua na área de Marketing Digital (na qual cursa pós-graduação).
“Ele era dessas pessoas que na maior parte do tempo tinha a cara fechada, mas quem convivia de perto vivenciava a alegria que tinha de viver, de ter a casa cheia, de proporcionar uma festa de folia e de ver um desfile de mula”, escreveu nas redes sociais o neto Lucas. “Foi conselheiro na família, na política e entre amigos. Foi íntegro. Foi meu avô, meu exemplo de que devemos observar e ouvir muito e falar pouco. Foi quem me proporcionou o sobrenome ‘Eduardo’. Foi sempre quem me pedia pra não demorar a voltar e agora tá difícil acreditar que ele é quem não volta”.
Caçula dos cinco irmãos, Gilson sempre morou na fazenda, onde cria gado de leite, planta hortaliças e mantém uma granja. Ele teve três relacionamentos, três filhos e quatro netos, dentre os quais com Rosemayre Fleury tem o filho Diego, formado em Agronomia pela Universidade Estadual de Goiás, que reside em Catalão, onde se casou com Conceição e com quem tem o filho Frederico; e com Maria de Lourdes Silva, a filha Maryara Eduarda, estudante de Pedagogia, casada com Robson Ferreira Freitas, com quem tem um filho, Bernardo, e residem em Porteirão, GO.