Goiânia – “O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) veio para ajudar e apoiar o desenvolvimento no campo. Sem ele, o agricultor enfrenta muitas dificuldades na produção”. A afirmação é do senhor Valdivino Oliveira, de 59 anos, produtor rural há mais de 28 anos. Ele, que tem como fonte de renda a pecuária leiteira, destaca que sua vida profissional mudou após conhecer o programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do
Sistema Faeg/Senar em Goiás. Em uma propriedade rural de sete hectares, na região de São Miguel do Passa Quatro, Valdivino cria 12 vacas leiteiras, com uma produção diária de 200 litros de leite, que são comercializados em uma cooperativa no município de Bela Vista de Goiás.
Hoje o cenário é de conquistas, mas nem sempre foi assim. Toda a qualidade da produtividade exige muita disciplina e esforço na lida. Isso porque todos os dias quando os ponteiros do relógio marcam três e trinta da manhã, Valdivino, já de café tomado, realiza a primeira ordenha do dia. Os trabalhos se encerram apenas por volta das cinco da tarde, e a atividade se repete de domingo a domingo, em dias de chuva e em dias de sol. No entanto, mesmo com uma rotina que exige extrema dedicação, a paixão do produtor rural pela atividade não cessa.
Hoje, além da produção leiteira de sucesso e de resultado econômico, na propriedade rural também há fabricação própria de concentrados para a alimentação dos animais, espaço para inseminação genética e até mesmo uma lavoura de milho. Quem vê assim, nem imagina que Valdivino começou com vacas emprestadas e uma renda diária de R$ 5, lá em 1995.
Da porteira para dentro havia uma área degradada, sem cuidados e sem produção assertiva. Foi em 2018 que tudo mudou, quando Valdivino procurou ajuda do Senar Goiás, que, em 30 anos, já cooperou para o desenvolvimento de mais de 8 mil produtores da cadeia leiteira em todo o Estado, por meio da assistência técnica em campo.
"O Senar foi uma grande vitória para a minha produção, pois somente após adquirir
os conhecimentos necessários e receber apoio técnico de campo, consegui ter
um novo olhar para a minha atividade. Isso reforça a evolução da sociedade e
da economia por meio da atividade rural. Afinal, é do campo que vai para a mesa”.
( Valdivino Oliveira, de 59 anos, produtor rural há mais de 28 anos)
ATeG/ Senar Goiás: uma oportunidade de impulsionar a economia goiana
A história de Valdivino se assemelha às histórias de outros 3 mil produtores rurais que atuam na cadeia leiteira. Este é o atual número de assistidos pelo Senar Goiás, por meio da ATeG. É um programa de extensão gratuito que ocorre da porteira para dentro e promove aumento da renda mensal, aprimoramento da área rural e principalmente conhecimentos para que a atividade seja mantida mesmo diante dos desafios.
O atendimento conta com apoio técnico e visitas mensais de 4 horas de duração cada, com foco gerencial da propriedade. Para o supervisor técnico, Rodrigo de Paula, de 37 anos, buscar eficiência na produção nas atividades de Corte e Leite, atualmente, é questão de sobrevivência no Brasil. “Em Goiás, desconheço outra entidade que tenha a capilaridade e expertise do Senar para a extensão rural, tão importantes ao pequeno e médio produtores. Ir até a assistência já é sinal de um produtor que se conscientizou dessas necessidades prementes ao desenvolvimento e sustentabilidade sócio ambiental econômica”, pontua em entrevista à reportagem do jornal A Redação.
Rodrigo prestou apoio técnico na propriedade rural de Valdivino entre 2018 e 2020. Durante o período, Valdivino era vizinho de José Graciano, outro produtor assistido que já obtinha resultados positivos em um ano de acompanhamento do Senar. Após constatar o crescimento e desenvolvimento do amigo, com a insistência de ambos, Valdivino entrou para o grupo de assistidos. E, como o vizinho, viu o sucesso bater à porteira. “No caso dele, foi possível sair de uma produção de 40 litros de leite por dia, para 200 litros, de uma renda de R$ 5 para até R$ 10 mil mensais. Existe toda uma equipe envolvida, desde os funcionários do Senar, instrutores, supervisores e demais colegas técnicos, passando pelos parceiros regionais, até o elo mais importante de todos: o produtor. Foi ele que fez toda a diferença por confiar e aplicar as orientações repassadas durante a aprendizagem. Em suma, eu fui muito privilegiado de assistir este progresso”, ressalta Rodrigo.
Produtor rural Valdivino Oliveira e Rodrigo de Paula, coordenador técnico do Senar (Foto: arquivo pessoal)
Ainda conforme pontua o coordenador técnico do Senar, se os produtores não se aperfeiçoarem, poderão ficar à mercê dos riscos da atividade. “Posso garantir que em ambas as pontas do processo é muito bom poder dizer 'fiz o melhor nas condições que eu tinha'”, arremata ao AR.
Como funciona:
A Assistência Técnica e Gerencial atua em uma metodologia de cinco etapas:
1 – diagnóstico produtivo individualizado;
2 – planejamento estratégico;
3 – adequação tecnológica;
4 – capacitação profissional complementar;
5 – avaliação sistemática de resultados.
As cadeias atendidas são: pecuária de corte; pecuária de leite; olericultura; fruticultura; agricultura de grãos; piscicultura; apicultura; agroindústria; avicultura; caprinos e ovinos.
O Senar contrata um profissional que atua na cadeia e passa a assistir até 30 produtores(as) rurais por mês em visitas de 4 horas abordando sobre as técnicas de produção e de gestão dos gastos e receitas. Hoje, são atendidos mensalmente mais de 8 mil produtores. Em 2023, houve um aumento de 52% na adesão ao programa, no entanto, a expectativa é que este número cresça ainda mais. Clique
aqui e confira a linha do tempo do programa de Assistência do Senar Goiás.
A aprendizagem rural como extensão da evolução social e econômica de Goiás
Superintendente do Senar Goiás, Dirceu Borges destaca, em entrevista à reportagem do A Redação, que a entidade tem como missão "realizar a Educação Profissional, a Assistência Técnica e as atividades de Promoção Social, contribuindo para um cenário de crescente desenvolvimento da produção sustentável, da competitividade e de avanços sociais no campo”. Com isso, a instituição se concretiza de forma a promover conhecimento e qualidade de vida dentro e fora da porteira.
"As transformações que os mais de 300 técnicos de campo proporcionam nas vidas das famílias rurais são incontáveis.
Maior produção, gerenciamento dentro da porteira e produção de alimentos para alimentar o mundo fora dela".
(Dirceu Borges, superintendente do Senar Goiás)
Por meio das ações promovidas pelo Senar, o produtor pode expandir seu negócio e adquirir uma produção de maneira sustentável e eficiente, além de aumentar a rentabilidade financeira, por meio de uma maior captação de clientes. Outro ponto é que os conhecimentos e orientações necessárias podem promover um produto de maior qualidade, o que gera maior valor de mercado. Com isso, o campo se torna ainda mais presente e necessário, chegando à mesa com mais eficiência.
A expectativa é que neste ano o Senar Goiás realize cerca de 8 mil atendimentos em campo, o que beneficia mais de 90 mil produtores e trabalhadores rurais goianos. De acordo com Dirceu, o portfólio é bastante amplo, tendo ações que vão desde a operação de drones e máquinas até a inseminação artificial em bovinos, irrigação, segurança no trabalho, manejo agropecuário, proteção de nascentes, culinária, artesanato, educação e ações de saúde.
Dirceu Borges, superintendente do Senar Goiás (Foto: divulgação)
“Temos atuado em programas que levam qualidade de vida no campo, como o Campo Saúde, que leva atendimento médico e exames nas comunidades, Equoterapia, Festival de Receitas do Campo, Turismo Rural, Mulheres em Campo, entre outros. São eventos que transformam e dão perspectiva de vida para homens, mulheres, crianças nas fazendas e a comunidade como um todo”, arremata.
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