A Redação
Goiânia – Em 2017, o desemprego no Brasil foi maior entre os mais jovens do que em outros estratos da população. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (Pnad), a taxa de desocupação, no quarto trimestre de 2017, alcançou 39,7% dos jovens de 14 a 17 anos e 25,9% na faixa etária de 18 a 24.
Em Goiás, igualmente o avanço do desemprego atingiu com maior força a população mais jovem. No mesmo período, o Estado registrou 38% de índice de desocupação na faixa 14-17 e 20,1% entre adultos até 24 anos. Embora a economia tenha dado sinais de recuperação, conquistar um lugar no mercado de trabalho formal ainda é tarefa árdua para jovens e adolescentes.
Para reverter esse quadro, uma boa aposta é buscar formação profissional em cursos de aprendizagem industrial. Modalidade de ensino destinada à preparação para o primeiro emprego de jovens de 14 a 24 anos – para pessoas com deficiência, não há limite máximo de idade –, a aprendizagem tem alcançado índices que chegam a 80% de empregabilidade no mercado formal de trabalho, onde a importância dos jovens e adolescentes é ressaltada com a criação do Dia do Aprendiz, ou Dia Internacional do Jovem Trabalhador (24 de abril). A data será comemorada na Faculdade Senai Ítalo Bologna, que realiza palestra sobre a importância da aprendizagem no contexto familiar, ministrada pela auditora do trabalho Katleem Marla Pires (veja serviço abaixo).
Parcerias com empresas
Desenvolvidos gratuitamente em todas as unidades do Senai em Goiás, os cursos de aprendizagem abrangem diversos segmentos produtivos, como mecânica, eletricidade, vestuário, gráfica, informática, construção civil e alimentos. Além de garantir formação de qualidade, essa modalidade possibilita a realização de parcerias com empresas para implantação de turmas exclusivas no âmbito do programa Jovem Aprendiz.
Com uma planta industrial instalada recentemente em Itumbiara, a multinacional polonesa Can Pack, fabricante de embalagens de alumínio, é uma das empresas parceiras do Senai na realização do programa. A indústria conta com nove aprendizes em seu quadro de funcionários. Entre eles, Maria Aparecida Alves, de 19 anos, aluna do curso de mecânica industrial na Escola Senai Itumbiara. “O mercado de trabalho está cada vez mais exigente e a aprendizagem é uma oportunidade de ter formação de alto nível e acesso rápido ao emprego. A experiência tem sido ótima. A Can Pack é muito organizada e acolhedora, todos são acessíveis”, diz.
Aluno do curso de operador de processos industriais, ministrado pela Faculdade Senai Ítalo Bologna, de Goiânia, Tiago Sousa Vieira, de 19 anos, atua na área de manutenção industrial na filial da empresa Metalgráfica Iguaçu, na capital. Para ele, a aprendizagem abre portas para os jovens nas empresas, com oportunidades reais de crescimento profissional. “O Senai foi essencial para conseguir ingressar no mercado de trabalho”, reconhece.
Carteira assinada
Neste ano, até março, o Senai havia registrado mais de 5 mil matrículas nos cursos de aprendizagem. Desse total, cerca de 4 mil alunos são mantidos como aprendizes em várias empresas goianas, como Refrescos Bandeirantes, Unilever Brasil, Cia. Hering, Caoa/Hyundai, Telemont, Grafigel, Metalgráfica Iguaçu, Gelnex Gelatinas e Fricó Alimentos. As áreas de formação mais procuradas pelas indústrias são manutenção mecânica, operador de processos industriais, manutenção elétrica, mecânica automotiva e química.
A iniciativa visa qualificar novos profissionais com perfil adequado à realidade da indústria e atender à chamada Lei da Aprendizagem, que regulamenta a contração de jovens aprendizes. De acordo com a legislação, todas as empresas, exceto as micro, são obrigadas a cumprir uma cota de aprendizes fixada entre 5% e 15% do total de empregados cujas funções demandem formação profissional.
Especificamente no âmbito do programa Jovem Aprendiz, desenvolvido em parceria com o IEL Goiás, o Senai oferece diversos cursos de aprendizagem, como mecânico de usinagem, eletricista industrial, editor gráfico, costureiro industrial e assistente administrativo. As vagas são destinadas apenas a candidatos encaminhados pelas empresas e que serão contratados como aprendizes. Com duração máxima de dois anos, o contrato é registrado na carteira de trabalho, com remuneração de um salário mínimo-hora e demais benefícios de um trabalhador comum, como férias, 13º salário, FGTS (2%) e vale-transporte.
Os interessados em participar do programa Jovem Aprendiz devem estar matriculados ou ter concluído o ensino médio e inscritos em cursos de aprendizagem. As principais habilidades observadas pelas empresas para contratação de aprendizes é a capacidade de trabalhar em equipe, facilidade de comunicação, organização, criatividade e pensamento crítico.