Logo

Após dia de forte alta, dólar recua

WhatsAppFacebookLinkedInX
23.09.2011 - 12:58:48

 

 

A Redação, com Agência Estado
 
Após subir fortemente na quinta-feira (22/9), o mercado de câmbio abiru nesta sexta-feira com o dólar em queda. No final da manhã, a moeda recuava 1,20%, a R$ 1,887. Ontem, o dólar subiu para 3,52%.
 
No entanto a queda de hoje é apenas um alívio para as seguidas altas dos últimas dias. Nesta sexta, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini mostrou tranquilidade em relação à alta do dólar ante o real e disse que o BC irá agir sempre que julgar necessário. "Temos que ver aonde esse novo padrão do cambio internacional vai se estabilizar nos próximos dias, semanas. Nós temos capacidade, no caso do Brasil, de fazer com que o mercado de câmbio continue funcionando de forma adequada, com liquidez", disse Tombini a jornalistas, após conferência promovida pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Washington.

Ele não disse, no entanto, se a instituição irá intensificar os leilões de swap cambial para estabilizar o mercado de câmbio. "Toda vez que nós sentirmos a necessidade de entrar no mercado, o Banco Central estará lá para assegurar a tranquilidade do mercado de câmbio no Brasil", disse. "Mas temos um regime flutuante e tem que admitir que câmbio pode ir nas duas direções." 

O presidente do BC foi mais vago ao responder se está preocupado com a situação de empresas brasileiras com maior exposição em dólar. "Se virmos alguma disfuncionalidade, temos instrumentos para agir." Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também mostrou tranquilidade em relação ao câmbio, dizendo que se trata de um movimento normal em momentos de maior aversão a risco.

 
A perda do real frente ao dólar desde o final de julho até a manhã de ontem (22/9) já representa cerca de 40% da magnitude da desvalorização da moeda brasileira decorrente da crise financeira em 2008. Analistas e investidores internacionais, que classificam como "desordenada" a apreciação acelerada do dólar nos últimos dias, não veem espaço para recuperação do câmbio no curto prazo e não descartam a possibilidade de o governo brasileiro eliminar as medidas recentes de controle de capitais consideradas mais extremas, caso as intervenções do Banco Central não consigam segurar o tombo do real.

O dólar já subiu 27,73% frente ao real na comparação da cotação mínima de 2011 de R$ 1,5290, no dia 26 de julho, até ao patamar máximo deste ano de R$ 1,953, atingido na manhã de ontem. Da mínima de R$ 1,5560 por dólar em 1º de agosto de 2008, antes do colapso do banco americano Lehman Brothers, para o pico de R$ 2,62 em dezembro daquele ano, no auge da turbulência mundial, o dólar acumulou uma alta de 68,38% frente ao real. O que surpreendeu os analistas internacionais é que a barreira de R$ 1,92 por dólar, atingida em maio do ano passado quando a crise da dívida soberana da Grécia agravou-se, foi superada muito antes do projetado.

"Ainda há uma elevada ansiedade dos investidores internacionais em relação à zona do euro e enquanto o pessimismo sobre a crise da dívida soberana de países europeus persistir, não vejo como o real possa se recuperar no curto prazo, pois todos os ativos de riscos, como commodities e moedas e ações de países emergentes, devem sofrer", disse à Agência Estado Win Thin, diretor de pesquisa para mercados emergentes da Brown Brothers Harriman em Nova York.

Na opinião do estrategista-chefe para mercados emergentes da RBC Capital Markets em Toronto (Canadá), Nick Chamie, a desvalorização do real está sendo exacerbada pelas medidas de controle de capital adotada nos últimos meses pelo governo brasileiro. "O Brasil poderá relaxar as medidas mais extremas de controle cambial adotadas recentemente, como a taxação de 1% de IOF sobre o aumento de US$ 10 milhões nas posições de derivativos", disse Chamie à Agência Estado. "O governo brasileiro exagerou nessa medida, o que, combinada com outras ações adotadas nos últimos meses, contribuiu para deflagrar esse movimento forte do real". Para Chamie, as perdas da moeda brasileira são consistentes com a situação muito ruim de liquidez nos mercados financeiros globais atualmente.

Para Greg Lesko, diretor-gerente da Deltec Asset Management em Nova York, que têm US$ 850 milhões em ativos, dos quais quase US$ 200 milhões investidos na Bovespa, o câmbio desvalorizado diminui o apetite dos investidores estrangeiros de entrar comprando ações na Bolsa brasileira, pois o retorno em dólar das aplicações fica significativamente reduzido. "Como investidor cuja base da carteira é em dólar, o cenário atual (do câmbio no Brasil) não é muito feliz para o valor dos meus papéis brasileiros", disse Lesko.

Os dados sobre fluxo de capital externo divulgado ontem pela Bovespa corroboram o sentimento de Greg Lesko. O saldo de capital externo na Bovespa está negativo em R$ 14,732 milhões em setembro, até o dia 20, último dado disponível. É a primeira vez que os saques superam o ingresso de investimentos estrangeiros na Bolsa este mês. A cifra é resultado de compras de R$ 26,843 bilhões e vendas de R$ 26,858 bilhões no período. Somente no dia 20, os estrangeiros sacaram R$ 239,316 milhões da Bovespa.

"O movimento do câmbio no Brasil tem sido desordenado e as intervenções no mercado pelo Banco Central são para tentar injetar alguma ordem", afirmou o vice-presidente para mercados emergentes da MF Global, Michael Roche, baseado em Nova York. Para ele, o governo brasileiro não deve reverter completamente todas as medidas de controle de capital para não passar a impressão de pânico ao mercado nem arranhar sua credibilidade. "Reverter, neste momento, a taxação de IOF pode até ser contraproducente, pois os investidores estrangeiros podem achar que, quando o real se recuperar, o governo poderá voltar com as medidas", disse Roche. Ele considera que a melhor ação é continuar com as intervenções no mercado de câmbio para estabilizar o câmbio.

Para Roche, a desvalorização forte do real poderá fazer com que o BC interrompa o ciclo de queda na taxa de juros iniciado na última reunião do Copom, devido ao efeito sobre a inflação da alta do dólar. "O mercado tentará saber qual é a avaliação do BC sobre a magnitude de repasse ("pass-through") para os índices de inflação da alta nos preços de importados em razão da desvalorização cambial", afirmou. 

 
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Redacao Jornal

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Oportunidade
08.10.2026
Empresa oferta 20 vagas de emprego na área financeira em Goiânia e Rio Verde

A Redação Goiânia – A Nexgen Capital, escritório com sede em Goiânia, está com 20 vagas abertas para assessores de investimentos por meio do programa XP Future. A oportunidade é voltada para profissionais com experiência comercial que buscam migrar ou crescer no mercado financeiro. As oportunidades são para as cidades de Goiânia e Rio Verde […]

Negócios
29.09.2026
SuperAgos 2026 supera projeções, bate recordes e movimenta mais de R$ 350 milhões em negócios

A Redação Goiânia – A SuperAgos 2026 encerrou sua 23ª edição superando as expectativas e confirmando a força do encontro promovido pela Associação Goiana de Supermercados (AGOS). Realizada entre os dias 22 e 24 de setembro, no Centro de Convenções de Goiânia, a feira contabilizou mais de 22 mil acessos nos três dias, reuniu profissionais ligados […]

Talentos
29.09.2026
No comércio varejista, gente virou o novo ativo do negócio

Fernando Dantas Especial para o jornal A Redação Goiânia – Manter bons profissionais no quadro da empresa deixou de ser apenas uma preocupação do departamento de Recursos Humanos e passou a ser uma questão diretamente relacionada à produtividade e aos custos do negócio. Pesquisa global do Wellhub, realizada com 1.515 líderes de RH e benefícios […]

Jardim Ingá
25.09.2026
Dia do Cooperativismo de Luziânia terá serviços e lazer gratuitos

A Redação Goiânia – A comunidade do Jardim Ingá, em Luziânia, recebe neste sábado (26/9) a terceira edição do Dia do Cooperativismo. O evento será realizado das 8h às 12h, na Avenida Lucena Roriz, com uma programação gratuita voltada à população. Realizada pelo Sistema OCB/GO, a iniciativa reúne as cooperativas Cresol, Sicoob Unicentro Br, Sicredi Luziânia, […]

Negócios
24.09.2026
GWM Navesa inaugura nova unidade em Aparecida de Goiânia

A Redação Goiânia – A GWM Navesa inaugura nesta quinta-feira (24), em Aparecida de Goiânia, uma nova unidade na Avenida Rio Verde, Quadra 44, Lote 5E, na Vila Rosa. A operação amplia a presença da marca na Região Metropolitana de Goiânia e terá estrutura voltada ao atendimento, apresentação dos veículos e serviços da concessionária. A inauguração […]

Eleições 2026
17.09.2026
Marconi defende ações para evitar fuga de indústrias goianas após fim de incentivos fiscais

A Redação Goiânia – Candidato do PSDB ao governo de Goiás, Marconi Perillo afirma que a prioridade do Estado deve ser evitar a saída de indústrias já instaladas, diante do fim previsto dos incentivos fiscais. A declaração foi feita durante sabatina promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), na quarta-feira (16/9), com […]

Expoind
16.09.2026
Inscrições abertas para rodadas de negócios entre indústrias goianas e o mercado internacional

A Redação Goiânia – Indústrias goianas interessadas em conquistar novos mercados no exterior já podem se inscrever para participar das rodadas de negócios internacionais que serão realizadas durante o 13º Encontro Internacional de Comércio Exterior (Eice), promovido pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). As rodadas vão ocorrer […]

Negócios
14.09.2026
SuperAgos 2026 projeta crescimento de 10% e reúne mais de 200 marcas em Goiânia

A Redação Goiânia – A capital goiana recebe a 23ª edição da SuperAgos 2026, entre os dias 22 e 24 de setembro, no Centro de Convenções de Goiânia. O evento conta com mais de 200 marcas, presença de grandes indústrias e multinacionais, programação de conteúdo com nomes reconhecidos nacionalmente e expectativa de crescimento de aproximadamente 10% […]