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Após convite da Opep, Lula fala em reduzir a dependência do petróleo

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02.12.2023 - 09:12:25

São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (1º/12), na Cúpula do Clima (COP-28), que é preciso reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e acelerar o ritmo de descarbonização da economia. O discurso ocorre justamente quando o Brasil foi convidado a integrar a Opep+. O grupo reúne 23 nações, entre membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados, como Rússia, México e Malásia.

No discurso na conferência das Nações Unidas, Lula criticou o descumprimento de acordos climáticos e os gastos com guerras, além de cobrar novamente ajuda financeira dos países ricos. "O mundo já está convencido do potencial das energias renováveis e é hora de enfrentar o debate sobre o ritmo lento da descarbonização do planeta e trabalhar por uma economia menos dependente de combustíveis fósseis", disse Lula.

Ocorre ainda que a dubiedade do presidente sobre explorar petróleo na Margem Equatorial do Amazonas tem chamado a atenção internacional. O plano divide até o governo internamente. A área ambiental resiste em conceder licenças para que a Petrobras pesquise petróleo na região. Já a pasta de Minas e Energia defende o estudo com o propósito de extrair o recurso. Em falas recentes, o presidente tem minimizado a controvérsia.

Leia mais:
Lula discursa sobre mudanças climáticas na abertura da COP28 em Dubai

Desde o Egito
Em Dubai, Lula criticou ainda os gastos com arsenais de guerra e cobrou mais dinheiro dos países ricos, o que ele tem feito desde a COP de 2022, no Egito. "O planeta está farto de acordos climáticos não cumpridos. De metas de redução de emissão de carbono negligenciadas. Do auxílio financeiro a países pobres que não chega", disse. "É inexplicável que a ONU, apesar de seus esforços, se mostre incapaz de manter a paz, simplesmente porque alguns dos seus membros lucram com a guerra", afirmou.

Menções a guerras também têm sido uma questão delicada para Lula, cujas declarações sobre os conflitos na Ucrânia e na Palestina já despertaram reações negativas na comunidade internacional. Numa das mais recentes, o petista equiparou a ofensiva israelense na Faixa de Gaza ao ataque terrorista do Hamas.

O presidente citou ainda a redução do desmate na Amazônia, cuja taxa de destruição caiu 22% em um ano, e reiterou a meta de zerar a devastação do bioma até 2030. Grande parte dos ambientalistas e do setor produtivo, porém, defende antecipar esse objetivo. O ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira, Pedro de Camargo Neto, disse ao Estadão ser "inaceitável" a promessa de zerar o desmatamento só em 2030.

Além disso, a estiagem histórica seguida por um número recorde de incêndios no Amazonas expõe falhas no planejamento do governo na resposta aos eventos climáticos extremos. A própria gestão Lula admitiu que o número de brigadistas era insuficiente para dar conta do problema, agravado pelo El Niño, cujos efeitos graves eram alertados pelos cientistas desde o começo do ano. "Obviamente a gente tem de se planejar melhor, ter estruturas melhores. O Brasil precisa ter mais aeronaves de combate a incêndio", admitiu ao Estadão o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho.

Florestas
Em sua fala, Lula afirmou ainda que o Brasil estabeleceu pontes com países florestais e criou visão comum com os vizinhos amazônicos. Mas na Cúpula de Belém, em agosto, divergências entre as nações que abrigam a floresta sobre o veto a novas explorações de petróleo na região e resistências de assumir a meta de zero desmate emperraram documento mais ambicioso.

Em Dubai, uma das principais apostas do governo neste ano é propor um novo fundo internacional que receba recursos como contrapartida para cada hectare de floresta preservado. A ideia do modelo é de que seja diferente do Fundo Amazônia e gerido por uma instituição financeira multilateral (Mais informações na página A21). "Vamos trabalhar de forma construtiva com todos os países para pavimentar o caminho entre esta COP-28 e a COP-30, que sediaremos no coração da Amazônia (em 2025, em Belém)."

Reuniões
A agenda do presidente ontem previa ainda cinco encontros bilaterais. Entre eles, o encontro com o primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak; com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; com o premiê da Espanha, Pedro Sánchez; com o presidente de Israel, Isaac Herzog; e o da Guiana, Mohamed Irfaan Ali. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Agência Estado)

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por Victor Santos

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