Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – Num momento em que não haviam conseguido pegar nenhum peixe e chegaram desesperançados, com seus pequenos barcos vazios, os pescadores se surpreenderam quando Jesus entrou num deles e pediu a Simão que o levasse para mais longe da terra. Sentou-se na embarcação e passou a ensinar do barco, ao discorrer sobre os valores da persistência, criatividade, paciência e humildade “para não desistirmos dos sagrados deveres do dia a dia”. As ‘águas mais profundas’, como explicou o advogado Marcelo Arruda Camargo, representam as potencialidades emocionais, morais e intelectuais do Espírito, que, para se manifestarem, sempre estão à disposição da boa vontade, dos sentimentos superiores, como o amor.
A observação foi feita ao analisar, na sessão de estudos da Academia Espírita de Letras do Estado de Goiás, na tarde do sábado, dia 5, o episódio em que Jesus, diante de pescadores, repassou-lhes esses ensinamentos. O advogado estudou o item 3.11 – Jesus ensina a pescar, p, 122 a 124, do livro “Tratado dos Evangelhos”, do escritor e pesquisador Emídio Brasileiro, que saiu em 2023 pela Editora Culturas.
“Aprendemos, pela sensibilidade e simplicidade de Jesus, ao nos repassar seus sublimes ensinamentos, o ‘Pedi e dar-se-vos-á’; o ‘Buscai, e achareis’; e o ‘Batei, e abrir-se-vos-á’”, disse Marcelo, complementado que tudo isso deve ser exercitado, com fé, esperança e alegria, para pescarmos e sermos ajudantes desta pesca de homens. Ou, então, dependendo de cada situação de nossa existência, sermos pescados e, a partir daí, passarmos a seguir o caminho do bem e da evolução espiritual”.
Ensinamentos
Em sua obra, o pesquisador Emídio Brasileiro relata que Jesus dirigiu-se à margem do lago de Genesaré. A multidão se comprimia ao seu redor para ouvir a palavra de Deus. Ele viu dois pequenos barcos que estavam à beira do lago, pois os pescadores tinham desembarcado e lavavam as redes. “Ao entrar em um dos barcos, que era de Simão, pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra; e, depois de sentar-se, passou a ensinar do barco às multidões”.
Quando acabou de falar, disse a Simão:
‘Avança para águas mais profundas e lança tuas redes para a pesca’.
Simão disse:
‘Mestre, trabalhamos a noite inteira, e nada apanhamos; mas, em atenção a ti, lançarei as redes.’
Fizeram isso e apanharam tão expressiva quantidade de peixes que suas redes se rompiam. Então acenaram aos companheiros que estavam no outro barco, para que viessem ajudá-los, e, ao chegarem, encheram de tal modo os dois barcos, que estavam a ponto de submergir.
Ao ver isso, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e lhe disse:
‘Senhor, afaste-se de mim, porque sou um homem pecador!’.
Tanto ele como os outros seus companheiros ficaram admirados com a quantidade de peixes que acabavam de pescar; e também Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão. Jesus, porém, disse a Simão:
‘Não temas. De agora em diante serás pescador de homens!’.
Então, eles levaram os barcos à terra e, depois de deixarem tudo, seguiram-no.’ (Evangelho de Lucas, cap. 5, vv. de 1 a 11).
Criatividade
Nesse dia, Jesus disse:
– Isso demonstra a capacidade criativa do Divino Mestre para solucionar problemas do cotidiano com simplicidade e eficácia.
Daquele momento em diante, como frisou o autor, os discípulos-pescadores da Galileia não deixariam de pescar profissionalmente, “mas teriam como prioridade seguir os passos do Divino Mestre, com quem eles aprenderiam ensinamentos e, assim, lançariam as redes de Deus para resgatar seres humanos das trevas oceânicas do ódio e da ignorância.”
Em sua análise, Marcelo destacou que a oportunidade “sempre bate à nossa porta, estejamos encarnados ou desencarnados. Então, o que necessitamos é abrir o nosso coração e a nossa mente rumo ao bem e à luz”.

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