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Antes que seja tarde

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09.01.2012 - 11:49:35

 

 
No final de semana fui visitar um casal de amigos querido. Matei a saudade dos dois, em meio a um delicioso jantar. Sabendo da minha recente alergia alimentar, que me impede de comer tudo o que tem aditivos químicos (e faz com que não sobre quase nada no cardápio), tiveram a gentileza de preparar uma massa caseira de macarrão e um molho pesto artesanal de dar inveja a muito chef badalado.
 
Depois de provar o prato dos deuses, rir muito e botar o papo em dia, saí de lá altas horas da madrugada, pensando por que diabos a gente demora tanto tempo para estar com quem gosta e fazer o que realmente dá prazer. Embora morem na mesma cidade que eu e sejam muito queridos, há quase um ano eu não os via.
 
Percebi que a coisa era grave mesmo quando, na manhã do dia seguinte, me peguei em frente ao computador, fazendo uma lista de tudo o que eu curtia. Fiz uma relação das pessoas, situações e coisas que gosto, para não esquecer de encaixar na minha rotina louca, de um jeito que todos tenham seu lugar ao sol ao longo de 2012.
 
Comer pastel na feira, ver o pôr-do-sol num parque, assistir a um concerto de música clássica, degustar um bom vinho, ligar para amigos queridos que moram fora, combinar um happy hour semanal ou quinzenal com os irmãos de fé que vivem aqui, tomar um banho de cachoeira em Pirenópolis, fazer uma tarde de Barbie com as amigas para trocar dicas de beleza… Eis alguns itens da prosaica lista.
 
Como se vê, não é preciso dispor de muito dinheiro nem de grande planejamento para tudo isso. Mas a gente deixa passar e esquece como viver pode ser bom. Falta de tempo? Mentira. A gente se desdobra para arranjar uma hora para puxar ferro na academia, comer brócolis e espinafre e agüentar gente chata falar na nossa cabeça.
Cumprimos todas as obrigações sociais, pagamos religiosamente os impostos e as contas, levamos o carro para a revisão na data certa, fazemos hora extra sem reclamar, mas não encontramos a mesma disposição para nos dar prazer. Coisa mais doida. Coisa mais sem sentido. 
 
Ficamos esperando o grande momento, o dia em que faremos aquele cruzeiro caríssimo, a viagem internacional chiquérrima; o dia em que o grande amor vai chegar; em que o dinheiro não vai faltar, em que os filhos estarão mais crescidos, para finalmente começar a sorrir e aproveitar o lado bom da vida.
 
O único detalhe é que ela – a vida – acontece justamente em meio a esses pequenos e corriqueiros instantes. O “grande momento” é, na verdade, uma grande ilusão. Uma hora conseguimos o que tanto almejamos, mas isso não muda a nossa vida por completo, não acaba com todos os problemas.
 
Vamos adiando as alegrias, até que um dia nossa viagem sobre a Terra chega ao fim. Sendo assim, é melhor aproveitar antes que seja tarde. Entre as minhas resoluções de Ano Novo está a decisão de, todos os dias, fazer alguma coisa que me dê prazer. Por menor que seja, por mais banal que pareça.
 
São 11 horas da manhã e parou de chover. Ainda dá tempo de correr até o Bosque dos Buritis e tomar uma água de coco, curtindo o final da manhã dessa segunda-feira. Deixo vocês agora por um motivo, pois essa é a pequena alegria do dia. Boto fé que, pela primeira vez, vou conseguir cumprir uma resolução de Ano Novo. 
 
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por Fabrícia Hamu

*Jornalista formada pela UFG e mestre em Relações Internacionais pela Université de Liège (Bélgica)

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