Sou tudo, menos uma nostálgica. Tenho excelentes lembranças de várias fases da minha vida, mas se me perguntassem agora que época gostaria de estar vivendo, responderia na batata: hoje.
Mas vou falar um pouco dos anos 80, uma década que desperta amores e ódios, na mesma intensidade. Uma década com as piores roupas e os mais estranhos cortes de cabelo. Uma década em que ninguém era bonito.
Deixando claro que não tenho a menor vontade de voltar a ser aquela menina de 16 anos, com roupas de ombreira e calças salopete. E muito menos ficar escutando Billy Idol nas festinhas, sofrendo sem saber se o menino que eu gosto ia ou não chegar em mim. Sim, chegar. Era o termo que usávamos para quando o garoto nos abordava para dar uns amassos.
Sou da turma que este ano completa 40 anos. E que nos anos 80 estava no auge da adolescência. Barão Vermelho, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Titãs eram nossas bandas preferidas e a trilha sonora das festas que freqüentávamos. Havia ainda outras que caíram no esquecimento, mas que na época fizeram algum sucesso como Sempre Livre, Miquinhos Amestrados e Metrô.
E a gente dançava New Wave, como as meninas do B´52. Escutávamos muito New Order, Simply Red, Talking Heads, The Cars e, claro, The Cure e sua genial Boys don´t cry.
Sim, foram tempos felizes.
Tempos em que torcíamos para que na sessão da tarde passasse Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller Day Off), um filme do genial diretor John Hughes. A cena antológica do protagonista Ferris (Mathew Broaderick, hoje mais conhecido como o marido da Sex and the City, Sarah Jessica Parker) dançando e cantando Twist and Shout no centro de Chicago é maravilhosa. Nunca matar aula pareceu tão tentador depois de assistir aquele filme.
E como matávamos aula. Era praticamente uma convenção. Armávamos tudo, um plano sem chance de dar errado, com programação pré-definida e roupa nova dentro da mochila para substituir os uniformes. Um must era matar aula e ir para Pecuária..Agradeço muito a Deus por meu gosto ter melhorado de lá para cá.
Na minha adolescência sair à noite em Goiânia durante a semana era como tentar achar uma cachoeira no meio do deserto. Simplesmente não havia nada, um bar decente para tomar uma cerveja, quem dirá um lugar para dançar. No máximo, era comer um pit dog e voltar para casa amaldiçoando o fato de ter nascido nesse fim de mundo.
Mas os fins de semana eram mais animados. Se na minha pré-adolescência me perguntassem qual o lugar onde eu mais queria ir no mundo, certamente responderia: Snack. Que nada mais era do que uma galeria cheia de adolescentes paquerando e querendo beijar na boca. Mais tarde, foi a vez do Alquimia, um barzinho na Rua 9 que virou moda. Tinha ainda o Vide Verde, mas esse aí eu não podia freqüentar, pois era o antro dos maconheiros, segundo a Liga da Família Goiana.
Um programa que eu achava chique nessa época era jantar no Bom Gourmet, do falecido Fernandinho Roriz. Ficava no alto da 85 e tinha o melhor arroz à piemontese e frango à cubana da cidade. Hoje quando vejo essas hordas de adolescentes gastando os tubos nos japoneses da vida, me lembro o qual raro era sair com os amigos para ir jantar fora. A comemoração tinha que ser para valer, tipo aniversário de 15 anos ou aprovação no vestibular.
As lembranças são muitas e lembro com carinho dessa etapa da minha vida. Agora, querer voltar no tempo jamais. Até porque meu cabelo está muito melhor agora.