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Anão sim, mas sem sangue palestino nas mãos

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26.07.2014 - 08:18:12


Goiânia – Finalmente algo para nos orgulharmos na política brasileira, mesmo que seja externa. A decisão de retirar o embaixador brasileiro de Tel Aviv para consultas mostra que o Brasil não concorda, não compactua com o que está acontecendo na Faixa de Gaza. 

Sei que o medo provoca descontrole, sei que a ira cega. Por isso até que dou um desconto para a desastrosa declaração do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, para o jornal The Jesuralem Post em que afirma que o Brasil é um anão na seara diplomática. Com toda sinceridade, prefiro ser um anão na diplomacia do que dormir com o peso de consciência de estar com as mãos sujas de sangue de crianças e mulheres palestinas. Se isso é que impõem estatura diplomática na lógica do governo de Israel, na boa, é melhor morrer de velho na irrelevância.

Só sendo muito partidário para não perceber que Israel usa de força desproporcional contra a Palestina. É evidente que estão dando tiro de bazuca para matar um camundongo. A desproporção das forças israelitas contra o questionável Hamas na Faixa de Gaza pode ser comprovado com números. O Ministério da Saúde de Gaza informa que durante a ofensiva militar israelense morreram 813 pessoas e 5.237 ficaram feridos. Segundo o escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, dos que faleceram pelo menos 578 são civis, sendo que são 185 crianças e 93 mulheres. 

Do lado de Israel, os números são infinitamente menores. Morreram 36 israelenses, dois deles civis. Com todo respeito à dor das famílias que perderam entes queridos, afinal de contas, uma morte sempre é uma chaga gigantesca, a diferença de números não é razoável e evidencia que estão reagindo com uma força descomunal contra a ofensiva do Hamas. 

Não sou ingênuo para santificar um lado e demonizar o outro. Sei de todos os problemas do mundo árabe – repressão pesada à mulher, perseguição aos homossexuais, tiranias, liberdades individuais cada vez mais limitadas. Nesse cenário, Israel aparece como um oásis no meio das trevas. Mesmo que capengando, o país judeu é uma democracia, as liberdades civis são minimamente respeitadas e as mulheres têm direitos bastante semelhantes às do mundo ocidental.

Por outro lado, constatar isso não me impede de condenar a violência extrema que o país está impondo aos palestinos da Faixa de Gaza. 

Mesmo que com nossa baixa estatura diplomática de acordo com a visão de Israel, nossas diferenças são minimamente respeitadas aqui no Brasil. Se do alto de sua arrogância Israel se permitisse observar o nosso exemplo, certamente teria muito a aprender.

Por ora, só nos resta torcer para uma breve solução com o cessar-fogo e fim das mortes. De ambos os lados.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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