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Alimentos ultraprocessados e o declínio de uma vida saudável

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13.08.2022 - 08:00:00

Ludymila Siqueira
 
Goiânia – Refrigerantes e salgadinhos: combo perfeito para uma dieta rica em ultraprocessados — produtos que parecem inofensivos, mas capazes de provocar sérios danos à saúde. São alimentos que passaram por um processo industrial tão intenso que a composição deles já nem parece a de comida de verdade. É o que afirma o médico Gustavo Prudente, em entrevista ao jornal A Redação. 
 
Prudente explica que são formulações industriais pobres em nutrientes e ricas em calorias, gorduras, açúcares e sal. Os três últimos são os principais vilões de uma dieta saudável, de quem busca qualidade de vida. 
 
Além disso, possuem aditivos químicos, com a finalidade de realçar o sabor e obter um maior prazo de validade. "Por terem uma certa praticidade no preparo, a troca das principais refeições, em especial o jantar, por lanches como macarrão instantâneo e produtos congelados é uma realidade comum entre a população", ressalta.
 

(Foto: reprodução)

Se encaixam na lista deste tipo de alimento:  biscoitos, sorvetes e guloseimas; barras de cereais; sopas, macarrão e temperos “instantâneos”; achocolatados; iogurtes e bebidas lácteas adoçadas; produtos congelados e prontos para consumo como massas, pizzas, hambúrgueres, nuggets, salsichas, entre outros, conforme consta no Guia Alimentar do Ministério da Saúde.
 
Ultraprocessados no Brasil e a relação com a obesidade 
Dados da pesquisa ‘Vigitel 2021’, realizada pelo Ministério da Saúde (MS), apontam que seis em cada dez brasileiros, uma taxa equivalente a 57,2%, estavam acima do peso no ano passado. Um estudo coordenado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), divulgado em dezembro do mesmo ano, aponta que 80% das crianças brasileiras de até 5 anos costumam consumir alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados e refrigerantes.
 
Além disso, esses produtos podem aumentar em até 45% o risco de obesidade em adolescentes. Com alto consumo desse tipo de produto, aumenta em 52% o risco de acúmulo de gordura abdominal e em 63% a chance para gordura visceral, entre os órgãos internos. Alimentos como estes têm obtido altos índices de consumo também pelos idosos. O alerta é do Ministério da Saúde, que lançou um guia alimentar para a faixa etária. Nele, há recomendações com opções nutritivas que podem beneficiar o organismo da terceira idade. 
 

 (Foto: Cecília Bastos/USP Imagens)
 
Em outubro deste ano, entram em vigor as novas regras de rotulagem dos alimentos. A parte frontal dos produtos terá de informar se há alto teor de açúcar, sódio e gordura saturada — ou uma combinação deles. Os produtos que já estiverem nos mercados nesta data terão mais 12 meses para se adequarem, enquanto os alimentos fabricados por empresas de pequeno porte, como as de agricultores familiares e microempreendedores, têm o prazo estendido até 9 de outubro de 2024. Por fim, as bebidas não alcoólicas em embalagens retornáveis têm até 9 de outubro de 2025 para fazerem a mudança. 
 
As novas normas chegam às prateleiras 24 meses após a publicação do documento, em outubro de 2020, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As mudanças são fruto de estudos e trabalhos realizados desde 2014 e valem para os produtos alimentícios embalados na ausência do consumidor. 
 
Um perigo à saúde
Os alimentos ultraprocessados, além de contribuírem para o sobrepeso e favorecer a obesidade, podem desencadear outras doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e dislipidemia, que é o colesterol anormalmente elevado ou gorduras (lipídios) no sangue. Também aumenta o risco de câncer, conforme pontua o médico Gustavo Prudente ao AR.  


Médico pós-graduado em Nutrologia, Gustavo Prudente (Foto: arquivo pessoal)
 
"Outro fator preocupante é o consumo excessivo de produtos como estes e a falta de atividade física. Associados, podem agravar essas enfermidades e prejudicar ainda mais a qualidade de vida. O corpo pode dar sinais de uma má alimentação, entre eles, sono sem qualidade, fadiga crônica, má disposição e sensação de dormência ou peso nas pernas", descreve.
 

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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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