Kamylla Rodrigues
Goiânia – Quando o assunto é alimentar a imaginação das crianças, o senhor de barba branca e de pança saliente é mestre! O Papai Noel Waldemar Vieira, de 64 amos, não poupa as histórias da casa no Polo Norte ou do veículo nada convencional, puxado por renas, e até da imensa fábrica de presentes. O bom velhinho, que passa horas sentado na poltrona em um centro de compras da capital goiana, garante que tem amor pelo que faz e que vê no sorriso de cada criança uma forma de retribuição.
“Faz parte do encanto do Natal dar asas à imaginação das crianças. Qual criança não gosta de uma história? É muito gostoso ver o brilho nos olhos quando conto. Nessa época, é fundamental no meu trabalho manter vivo esse símbolo”, disse Waldemar, que troca de identidade há 15 anos.
Paula Vitória, de 9 anos, que negociou um tablet após tirar nota 10 na prova de matemática, desvendou o mistério de como o presente aparece nas casas que não tem chaminés, ou seja, as brasileiras. “Ele tem a cópia das chaves dessas casas. Ele entra, coloca o presente lá e vai embora. Ele é bem silencioso”, revelou.
Além dela, Bruna de Jesus, de 7 anos, e o Luiz Carlos, de 8, também conhecem o trabalho duro do Noel no Natal. “Ele tem só a noite para deixar os presentes nas casas de todas as crianças. Eu não sei se ele tem ajudante, só sei que ele faz isso muito rápido”, explicou Bruna. “Eu falo pra minha mãe me acordar, mas ela dorme muito. Por isso não vejo ele entrar”, lamentou Luiz.
Luiz Carlos e o Papai Noel (Foto: Kamylla Rodrigues/A Redação)
Todas essas histórias, cada uma com suas peculiaridades, fazem parte do imaginário infantil, que, segundo a terapeuta e psicóloga de criança Virginia Suassuna, é totalmente saudável e, inclusive, influencia no desenvolvimento da criança. “A fantasia estimula a criatividade. Alimentar essa crença é dizer que um sonho pode ser realizado”, explicou.
Segundo a profissional, a conquista do presente tão esperado deve sempre acompanhar o esforço. “Estabelecer alguns pontos para que o Papai Noel presenteie essa criança como estudar ou obedecer os pais, por exemplo, estimula a capacidade de lutar por algo e isso pode refletir em um adulto perseverante”, disse. A figura do Noel pode alimentar também valores morais e éticos, que são, segundo Virginia, alicerces da inteligência emocional. “O respeito aos mais velhos, a fraternidade, compaixão e vários comportamentos são os verdadeiros presentes e uma forma de eternizar o Papai Noel”, completou.
Waldemar conta que o bom velhinho tem responsabilidades ao conversar com uma criança. “Ser Papai Noel não é só contar a história e perguntar qual brinquedo a criança quer. É conversar, falar de Jesus. Escuto muitas situações pessoais e procuro sempre passar que tudo vai ficar bem. Em casa, eu rezo por todas", ressaltou.
Waldemar Vieira (Foto: Kamylla Rodrigues/A Redação)