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Alegria e sorte

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25.11.2011 - 17:34:53

Sem medo de ficar monotématica, vou falar outra vez de maturidade. O assunto tem a ver com a chegada dos 40 anos, e de algumas frases interessantes que escutei essa semana.

Uma amiga minha quase nos matou de rir quando soltou na mesa de almoço que quando era mais jovem ela pensava em muitas coisas da vida e agora – aos 40 anos – só tem um pensamento: Botox.

A toxina butolínica virou uma ideia fixa na vida da minha amiga. Agora, quando ela encontra uma conhecida fica olhando para testa da pessoa tentando identificar o uso da substância milagrosa, analisando quem está lisinha e quem está enrugada, essas coisas que as mulheres sabem fazer muito bem. No seu próprio espelho, minha amiga examina o seu temido bigode chinês e pergunta se realmente chegou a hora de paralisar alguns músculos da face para ficar mais bonita. 

De fato, perto dos 40 ou – com sorte –  depois deles, nossas peles dão os primeiros sinais de desgaste e da passagem do tempo. E o corpo acompanha essa jornada rumo à velhice. Aos 20 anos, nos sentimos imortais. Aos 40, começamos a ter a consciência da finitude da vida e de que tudo, inclusive nós mesmos, acabaremos em pó.

Talvez essa primeira tomada de consciência se dê com a constatação dura de que nossos pais não estarão conosco para sempre.  Olhamos para eles e lentamente observamos que já não carregam a vitalidade de antes. Os cabelos estão brancos, a pele enrugada, a pressão alta e os passos mais lentos.

E se você perguntar como se sentem, vão te responder: jovens.  Porque “a grande tragédia da velhice consiste não no fato de sermos velhos, mas sim no fato de ainda nos sentirmos jovens”, como bem disse Oscar Wilde.

“Eu me sinto jovem.” Não importa se a pessoa tem 20, 40, 50, ou 80 anos. O corpo decai, mas o espírito preserva a criança, o jovem, o adulto em cada um de nós, mesmo que a idade cronológica marque os 100 anos.

E citando Sêneca: “Ninguém é tão velho que não espere que depois de um dia não venha outro.” Temos sede de vida, vontade de viver, ver o mundo, os filhos crescendo, netos nascendo. Ninguém quer a morte, só alegria e sorte.

 

 

 

 

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por Bia Tahan

*Jornalista

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