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Aidenor defende novo olhar para as Academias de Letras

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24.02.2021 - 09:42:28
 
Jales Naves
Especial para o AR
 
Goiânia – Estado de pouca tradição literária, preso a suas raízes calcadas na agricultura familiar, desaguando na produção de commodities (soja, milho, carne bovina e de aves), Goiás criou, a partir da riqueza desses produtos, “um espaço universitário ilhado pelas imensas lavouras tecnológicas”. A afirmação é do escritor Aidenor Aires, presidente da Academia Goianiense de Letras (AGnL), ao discorrer sobre o movimento cultural goiano e suas entidades. “Isto quer dizer que a presença de instrução formal não apurou o gosto pela arte e a ciência”, explicou.
 
Para ele, convive-se “com expressões atávicas das lides agrícolas ou a recriação comercial desses motivos tradicionais, como a música dita sertaneja/caipira, que suplantou as expressões da música roceira tradicional”. Impôs-se como produto da indústria cultural, “de consumo fácil, promovida pelo apelo comercial e divulgação pelos meios de divulgação – rádio, televisão e as redes sociais”.
 
Academias
Fundada em 30 de janeiro de 2005, a AGnL é a mais jovem entidade a ganhar espaço entre tantas que sustentam o movimento cultural goiano. É uma entidade literária, à semelhança de congêneres estaduais e nacionais, todas recordando o desenho da Academia Francesa, fundada por Richelieu em 1635, no reinado de Luís XIII. Primeiro, foi a Academia Brasileira de Letras (ABL), que imitou o modelo, e de cuja fundação participaram “nomes proeminentes de nossas letras”, como Machado de Assis, Inglês de Sousa, Lúcio Mendonça, Graça Aranha, Joaquim Nabuco, Olavo Bilac, Visconde de Taunay, Ruy Barbosa e outros. Isto, no Rio de Janeiro, em 20 de julho de 1897.
 
O surgimento da ABL e sua já longa existência, 123 anos, desencadeou nos estados a criação de outras nos mesmos moldes. “Daí, ao surgimento de academias regionais e municipais, foi consequência natural”, disse. Todas procuram imitá-la, fixando o número de cadeiras com patronos, forma de eleição dos membros e objetivos. Entre esses objetivos destacam-se a defesa da língua pátria e promoção das letras e da cultura brasileira, o estímulo à leitura e à arte literária.
 
Em Goiás, a Academia Goiana de Letras (AGL) foi fundada em 1939, depois de um ensaio, na cidade de Goiás, em 1904, sob a presidência de Eurídice Natal e Silva. Da mesma forma, quase todos os municípios goianos têm sua academia de letras, muitas vezes de letras e artes, quando na comuna não se encontra um número plausível de cultores das letras. “Algumas dessas academias apresentam aspectos peculiares, desde a inclusão de qualquer um que tenha rabiscado algumas letras, até quem nunca escreveu coisa nenhuma”, afirmou Aidenor. “Uma delas recepcionava o novo acadêmico, mesmo sem obra escrita, sob a condição de, em certo prazo, dar à luz algum trabalho. O certo é que essas instituições culturais, ou simples agregados de pessoas interessadas nas letras e nas artes, se organizam e exercem alguma influência e importância nas comunidades de quase nenhuma vida intelectual e faltas até de simples biblioteca”, completou.
 
Esse status, na opinião do escritor, não se modificará com a criação de entidades culturais, promotoras das artes e da literatura. “A transformação resultará do próprio desenvolvimento da sociedade e da busca de parâmetros mais distintos de informação e gosto mais exigente”, explicou.
 
Academia Goianiense
A Academia Goianiense de Letras, como destacou, quer representar a literatura na Capital. Sua fundação foi capitaneada pelo professor e escritor Emídio Brasileiro, seu primeiro presidente, e conta “com nomes importantes das letras, nascidos ou atuantes em Goiânia”. Citou: Hélio Moreira, Nelci Silvério, Bariani Ortêncio, Maria Luiza Ribeiro, Nelson Figueiredo, Nilson Jayme, Valterli Guedes, Maria das Graças Fleury, Geraldo Coelho Vaz, Laudelina Inácio, Iuri Rincon Godinho, Licínio Leal Barbosa, Osmar Pires, Mauro Pereira de Souza, além de outros, “que somam seus quarenta membros, com respectivos patronos”.
 
Em convergência com as demais instituições culturais de Goiânia, a AGnL, em fase de consolidação, aproximando-se dos 20 anos de existência, contribui para o movimento das letras na capital – promove certames, participa de convênios com entes públicos e privados, atua na educação literária, estimula a leitura, publica em revista a produção de seus acadêmicos e prestigia os eventos culturais da cidade. “Sob o ponto de vista literário, a academia se coloca solidária aos esforços das coirmãs de Goiânia”, esclareceu.
 
A Academia carece ainda – explicou – de uma sede definitiva, já que vem sendo albergada em próprios cedidos precariamente tendo que se mudar constantemente, às vezes ficando até ao relento. “Isto ainda impede a Academia de cumprir plenamente suas finalidades, mas não perde a coragem”, afirmou. Acredita que o problema deverá ser logo resolvido pelo apoio e a compreensão de entes públicos ou privados. “Esperamos que mude logo a tradição de se considerar o apoio à cultura como políticas eventuais de beneficência ou mecenato. A Academia, que não é feita de paredes, mas de cérebros, não deixará de atuar por este motivo. Aos poucos vai se consolidando e dando a Goiânia um equipamento que contribuirá para se cumprir a vocação de cultura e arte de nossa Capital”, concluiu.
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por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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