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(Fotos: Elysium Sociedade Cultural)

Agrofloresta de 2,5 hectares com mais de 50 espécies cultivadas é um dos destaques do Parque Florata

Local administrado pela Elysium Sociedade Cultural fica a 12 quilômetros de Goiânia

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01.04.2026 - 10:03:35

A Redação

Goiânia – Em Santo Antônio de Goiás, a poucos quilômetros de Goiânia, uma área antes degradada por pastagem vem sendo transformada, há mais de oito anos, em um exemplo consistentes de recuperação ambiental aliada à produção de alimentos. A agrofloresta do Parque Cultural Florata ocupa hoje cerca de 2,5 hectares, o equivalente a 25 mil metros quadrados, e reúne mais de 50 espécies cultivadas em um sistema que combina biodiversidade, paisagismo e sustentabilidade.

Inserido em uma proposta que une natureza, arte e educação ambiental, o parque é administrado pela Elysium Sociedade Cultural, entidade dedicada à preservação do meio ambiente e ao desenvolvimento de ações voltadas aos patrimônios ambiental e edificado, além da promoção da arte e da cultura.

Responsável técnico pela área de plantio agroflorestal e pela horta orgânica do Parque Florata, o biólogo e agroflorestor Murilo Arantes acompanha de perto a evolução do sistema desde o início. Segundo ele, o primeiro ciclo de plantio foi implantado em novembro de 2017. “Era uma área bastante impactada por uso anterior com pastagem. Desde então, já são mais de oito anos de manejo contínuo, com sucessivos ciclos agroflorestais que vêm transformando completamente o ambiente”, explica Murilo.

Hoje, o espaço funciona como um verdadeiro mosaico de diversidade vegetal. Entre as mais de 50 espécies cultivadas estão árvores nativas do Cerrado, frutíferas e culturas agrícolas de ciclo mais curto. Espécies como baru, jatobá, ipês e copaíba compartilham espaço com frutas como manga, goiaba, acerola e pitanga, além de hortaliças e cultivos como milho, feijão, abóbora e batata-doce, que ocupam o sistema enquanto há maior incidência de sol nos primeiros estágios da floresta.

Mais do que variedade, o que chama atenção é o modelo adotado. Diferente da agricultura convencional, baseada na monocultura, a agrofloresta integra diferentes estratos de plantas, imitando a dinâmica de uma floresta natural. “A gente trabalha com diversidade e com a interação entre as espécies. Isso reduz a necessidade de insumos externos, melhora a qualidade do solo e aumenta a resiliência do sistema”, destaca Murilo, responsávl pela Agrosintropia, uma empresa de consultoria especializada em projetos de agrofloresta, restauração produtiva e agricultura regenerativa.

Esse modelo tem impactos diretos na recuperação ambiental. A partir de práticas como o manejo de podas, o sistema mantém uma camada constante de matéria orgânica sobre o solo, reduzindo a erosão e aumentando a retenção de água. Ao contrário do que ocorre em sistemas convencionais, os resíduos não são descartados. Permanecem no local, alimentando microrganismos, fungos e toda a cadeia ecológica que sustenta o crescimento das plantas.

“O solo passa a ser um organismo vivo. A gente cria um ambiente fértil, com ciclagem de nutrientes e equilíbrio ecológico. Isso também favorece a presença de aves, insetos polinizadores e outros organismos, fortalecendo a biodiversidade local”, afirma Murilo.

A produção também impressiona. De acordo com o biólogo, mesmo com áreas em diferentes estágios de desenvolvimento, a agrofloresta do Florata já alcança uma média de cerca de 15 toneladas de alimentos por ano, entre frutas, hortaliças e outras culturas. Toda a produção segue princípios da agricultura orgânica, com certificação externa e controle técnico rigoroso. Parte desses alimentos é destinada a instituições assistenciais do município, como creches e asilos, ampliando o alcance social do projeto.

Além da produção, o espaço se consolidou como um ambiente de aprendizado. Ao longo dos anos, a agrofloresta tem recebido estudantes, grupos de empresas, idosos e visitantes interessados em conhecer na prática os conceitos da agroecologia. As visitas incluem atividades de campo, troca de conhecimento com a equipe técnica e contato direto com o sistema produtivo.

A proposta é que esse modelo continue crescendo. Há um planejamento de expansão da agrofloresta, alinhado às novas etapas do parque, com o objetivo de ampliar tanto a área produtiva quanto os benefícios ambientais. A ideia é integrar ainda mais o paisagismo ao conceito de sustentabilidade urbana, permitindo que mais pessoas tenham acesso a alimentos saudáveis e a um ambiente equilibrado.

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por Adriana Marinelli

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