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Agonia de Uma Vida

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07.05.2018 - 12:40:00
 
Goiânia – Os filmes do mestre do melodrama Douglas Sirk transcendem a condição fílmica para ganhar vida própria. Penetrar neste microcosmo é se esbaldar em uma torrente de sensações que reacendem a esperança na humanidade. As personagens em seus filmes demonstram uma vontade indômita em preservar aquilo que acredita, vislumbrando uma fé inabalável diante de toda a tormenta que lhes são impostas. Mesmo com tudo desfavorável, a fé é capaz de conduzi-las ao caminho correto, ainda que seja necessário enfrentar a hipocrisia da sociedade e a maldade humana.
 
Em Agonia de Uma Vida (1951), Valerie Carns (Ann Blyth), sob a acusação de ter assassinado seu irmão, é condenada à morte. No caminho, escoltada por soldados, depara-se sobre uma tempestade que os obriga a se refugiarem num convento. A Irmã Maria Boaventura (Claudette Colbert), diretora do monastério, após uma conversa com a acusada, suspeita de sua inocência e passa a auxiliar a justiça para descobrir o verdadeiro culpado. 
 
Colbert aqui destoa de sua sensualíssima presença em Cleópatra (1934), uma obra-prima de Cecil B. DeMille, mas seu poder de encantamento permanece intacto, uma vez que a empatia pela personagem representa uma força motriz tocante, à medida em que sua luta se intensifica por acreditar na inocência de Valerie para aplacar a injustiça iminente. As personagens nos filmes de Douglas Sirk são uma marca inconfundível em seus filmes e aqui não poderia ser diferente. 
 
A atmosfera taciturna predomina durante a narrativa em uma composição magnífica de cada plano em um retrato em branco e preto que diferencia de seus filmes mais célebres cujas cores se revelam em todo o seu esplendor. Há um trabalho memorável de mise-en-scène em que as atuações e o trabalho de câmera são irrepreensíveis. Se em Amar e Morrer (1958), um de seus melhores filmes, a tragédia encerra a película, em Agonia de Uma Vida o ato final é uma representação de uma divindade, do renascimento da esperança na humanidade, ou seja, um ato de fé.
 
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por Declieux Crispim

*Declieux Crispim é jornalista, cinéfilo inveterado, apreciador de música de qualidade e tudo o que se relaciona à arte.

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