Jairo Macedo
Encerrou-se nesta sexta-feira (23/3) os dois dias da inspeção realizada na cidade de Goiânia por uma comitiva da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU). Nesse período, foram vistoriados ginásios, universidades, hotéis e hospitais. Isto porque a capital goiana disputa, junto a Cuiabá (MT) e Natal (RN), o direito de ser sede dos Jogos Universitários Brasileiros (JUB's), evento que chega a sua 7ª edição em 2013 e que abriga atletas universitários de todo o Brasil.
Em sua última edição, realizada em Campinas (SP), mais de 3 mil atletas disputaram os jogos em oito modalidades – atletismo, basquete, futsal, handebol, judô, natação, vôlei e xadrez. Participaram da competição 194 entidades de ensino superior, de todos os estados brasileiros e distrito federal. Na sua escolha pela nova sede, a comitiva passa por Cuiabá dentro de duas semanas e, em seguida, chega a Natal. O resultado será conhecido no final de maio e, caso Goiânia seja a escolhida, os jogos acontecem em outubro do ano que vem.
Centro de Excelência
Entre instituições públicas e privadas, quase 20 praças esportivas foram visitadas pela comitiva em Goiânia, mas a que gera mais expectativa é aquela que ainda não está ativa. O Centro de Excelência do Esporte, cujas obras foram inicializadas ainda em 2000 e até hoje seguem sem conclusão, faz parte dos planos para o evento universitário.
Quem alega que há tempo hábil para a conclusão do complexo esportivo é José Roberto de Athayde, presidente da Agência Goiana de Esporte e Lazer (Agel). De acordo com ele, a nova licitação sai na próxima semana e, uma vez publicada, as obras devem ser reiniciadas em 90 dias. "Daqui até julho, nós estamos iniciando as obras e, depois disso, concluímos no prazo de 6 a 8 meses", diz. Na pior das hipóteses, garante ele, tudo estará pronto até o início de 2013.
Por "tudo", entenda-se a parte de laboratório, acomodações, quadras e parque aquático. Fica de fora dos planos o campo de futebol. Uma reunião foi realizada na manhã desta sexta-feira (23/3) com o governador Marconi Perillo, que se prontificou a trabalhar também pelo estádio. Porém, segundo Athayde, não é possível garantir a finalização do campo futebolístico a tempo.
Os gastos com reformas para os Jogos Universitários Brasileiros são estimados em cerca de R$ 1,5 milhão por parte do poder público.
Positivos e negativos
Para a realização dos jogos, é preciso ao menos 16 praças esportivas. Cada modalidade deve ser sediada em, no mínimo, quatro ginásios. Neste ponto, Edinilton Vasconcelos, diretor técnico da CBDU, se mostrou impressionado com o Sesi Ferreira Pacheco, onde quatro modalidades podem ser abrigadas. "Todos aqueles pontos necessários para a competição foram atendidos e agora é preciso fazer os comparativos com as demais cidades candidatas", afirma.
Como pontos negativos, Agel e CBDU concordam que hotelaria e aeroporto ainda são questões a serem revistas. Da mesma forma, algumas modificações pontuais nos ginásios são necessárias. As dependências precisam ser modernizadas e ampliadas para atender especialmente ao handebol e futsal, que exigem dimensões maiores.
Critérios
Sobre os critérios da escolha da sede, Luciano Cabral, presidente da CBDU, mantém o discurso da necessidade de várias frentes – tanto o caráter técnico quanto político, assim como os atrativos da região. "É um somatório, não adianta ter vontade política e não ter estrutura, o que já aconteceu no passado", relembra ele. O apoio logístico do governo, bem como das universidades, se faz necessário e, para Cabral, a impressão deixada pelo encontro com as entidades políticas foi muito boa.
Como possível legado para Goiânia, o presidente da CBDU cita Blumenau (SC) como exemplo. A cidade catarinense sediou o evento em 2007 e uma sensível participação desportiva dos universitários foi sentida após a edição. Tanto que os catarinenses resolveram sediar novamente o evento em 2010. "O legado mais visível é o legado fisico, as melhorias em ginásios e equipamentos, mas a formação de uma cultura do esporte é o mais importante para nós", observa.