Lucas Cássio
Goiânia – Quase um mês após ser vítima de um atentado com bomba em Goiânia, o advogado Walmir Cunha, de 37 anos, falou pela primeira vez com a imprensa sobre o caso. Durante entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (10/8), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), o advogado, que estava nitidamente emocionado, afirmou que nunca recebeu ameaças e que acredita que o crime tenha partido de “alguma parte contrária que tenha se inconformado com algum resultado de processo”. Walmir destacou que não vai deixar a profissão.
“Se o custo para ser advogado era ter sido mutilado, eu aceito”, disse. O profissional perdeu três dedos e parte da mão com a explosão. Walmir lembrou do atentando e disse que naquele dia tinha chegado de uma viagem a São Paulo. Ao receber a embalagem, imaginou que seria um presente de algum cliente. “Estava em uma embalagem bonita, amarrada com barbante. Eu puxei o barbante e percebi que era uma bomba. Na hora, a minha reação foi tentar tirar a bomba da mão da secretária”, explicou.
O advogado ainda ressaltou que não reclama do que aconteceu. “Eu prefiro agradecer pelo livramento do que reclamar pelo mutilamento”, disse. “A mão que eu assino as petições está aqui”, completou.
Walmir descartou a possibilidade de abandonar a advocacia. “Vou continuar a minha vida e me adaptar”. Segundo o advogado, a família optou por não ter informações sobre o crime nessa etapa de investigações.
O presidente da OAB-GO, Lúcio Flávio de Paiva, presente na coletiva, reafirmou que o crime foi um atentado não só à advocacia goiana, mas à advocacia brasileira. “Toda a advocacia se orgulha da forma como o senhor se portou. A sua postura é um exemplo para todos os advogados”, disse.
O caso
O caso aconteceu no final da tarde de 15 de julho, no escritório KRB Advogados e Consultores, na Rua 15, Setor Marista, em Goiânia. O advogado Walmir Oliveira da Cunha abriu um pacote deixado para ele no local por um motoboy e acabou surpreendido com a explosão do artefato que estava dentro do embrulho.