Lucas Cássio
Goiânia – Advogadas que integram a Comissão da Mulher Advogada em Goiás se manifestam contra a atual gestão da comissão, presidida pela advogada Monimar Leão Alves. Insatisfeitas, as advogadas afirmam que estão sendo excluídas dos eventos organizados pela comissão. Motivos eleitoreiros são levantados, já que a Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Goiás (OAB-GO) passa por um momento de pré-campanha para escolha do novo presidente da entidade.
O movimento “Mais mulheres na OAB” foi lançado pelo conselho federal e é um movimento institucional da Ordem. Cada seccional faz o lançamento na sua região. No dia 16 de setembro ocorreu o lançamento do movimento em Goiás, durante Sessão Ordinária do Conselho Seccional, na sede da entidade, na capital. O evento deu início ao mal estar entre as advogadas da Comissão da Mulher Advogada. “Num evento dessa envergadura, o mínimo que se esperava é que se entrasse em contato com as integrantes de uma comissão que é muito pequena”, lamenta a vice-presidente da comissão, Flávia Fernandes.
“Infelizmente a presidente [da comissão] não convidou todas as integrantes, ela convidou a secretária adjunta, que é apoiadora da chapa também defendida por ela [pela presidente], a do atual presidente, Enil Henrique de Souza Filho, que busca a reeleição. Também convidou outra integrante que é recém-chegada na comissão e que é cabo eleitoral do atual presidente”, destaca Flávia Fernandes. “A justificativa dela foi a de que não tinha tempo para entrar em contato com as integrantes”, completa.
Tatiely Martins Campos faz parte da comissão, que conta atualmente com cerca de dez advogadas. Ela também ressalta sua insatisfação com a atual situação. “Os eventos não estão sendo passados para nós, parece que foram monopolizados. Questões políticas deveriam ser deixadas de lado e o trabalho deveria ser feito, de fato, em prol da mulher”, destaca Tatiely.
“O movimento Mais Mulheres é para agregar mulheres e não para excluí-las. Entendo que, como é um evento importantíssimo para nós, mulheres advogadas, o convite deveria ser o principal, ou seja, chamar os membros que sempre contribuíram para efetividade dos trabalhos do grupo”, ressalta a secretária-geral da comissão, Camila Queiroz Capuzzo, que também não foi comunicada do evento.
“Não sei se por uma questão de período pré-eleitoral, nós estamos tendo essas dificuldades. Ela nos reportou que para ela era humanamente impossível conseguir atender as nossas expectativas”, ressaltou a advogada Flávia Fernandes, referindo-se à atual presidente da comissão. “Eu coloquei que como vice eu estava ali para fazer este tipo de coisa”, acrescentou.
Segundo informações da diretoria da comissão, a presidente do grupo é escolhida pelo presidente da seccional. No caso da Comissão da Advogada Mulher, o objetivo é defender os direitos da mulher; trabalhar pela valorização da mulher advogada, especialmente no exercício profissional; incentivar a participação da mulher advogada nos órgãos de classe entre outras que levam um empoderamento da mulher, em especial o da mulher advogada.
Nossa equipe de reportagem entrou em contato com a presidente da comissão, Monimar Leão Alves, para saber a sua versão sobre o fato. Em um primeiro contato, a advogada afirmou que fazia questão de esclarecer todas as dúvidas existentes sobre o assunto que envolve a comissão e uma entrevista chegou a ser agendada. Alegando compromissos profissionais, a presidente da comissão desmarcou a entrevista logo depois.
Os questionamentos também foram enviados por e-mail pela equipe de reportagem, mas não foram respondidos. A presidente também não retornou as ligações.