Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – Em evento que floriu o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG) em todos os sentidos, em especial de ideias, histórias e proposições, na manhã desta terça-feira, dia 22, a Acieg Mulher reafirmou acreditar na força da mulher que empreende, que lidera, que ocupa espaços, que cria oportunidades e que participa ativamente da construção do desenvolvimento econômico e social de Goiás. “Mas acreditamos também que o protagonismo feminino não precisa significar romper com as histórias que vieram antes”, disse a presidente da entidade, Tatiana Aciolly, ao abrir o “Casa Rosada – Legado e Negócios: Histórias que inspiram, legados que permanecem”. “Ele pode significar dar novos sentidos a essas histórias”.
Por isso – justificou – “escolhemos reunir hoje mulheres que trazem consigo trajetórias muito diferentes, mas que têm algo em comum: todas estão, de alguma forma, diante da responsabilidade de transformar uma história recebida em uma história própria — e, ao mesmo tempo, construir algo que possa permanecer”.
A reunião, que foi muito prestigiada, teve a presença, dentre outros convidados, da vice-prefeita de Goiânia, coronel da Polícia Militar Cláudia da Silva Lira; do atual presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), Rubens José Fileti, e de seu futuro sucessor, que assumirá em março de 2027, Thiago Falbo; vereador por Goiânia Luiz Fernando Naves Sanches de Siqueira (Sanches da Federal); e as vice-presidentes da Acieg Mulher Daniele Andrade, especialista na área de Odontologia, e Karla Posê, fundadora e CEO da Posê Beleza, grupo de franquias do segmento de beleza presente em diversos estados brasileiros.
O presidente do IHGG, Jales Guedes Coelho Mendonça, saudou as presenças falando do significado daquela parceria com o meio empresarial, ao ressaltar que já estiveram no Instituto instituições de diversos segmentos, como a Assembleia Legislativa do Estado, para comemorar o aniversário de seus 190 anos e 90 da Constituição goiana de 1935; a Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Goiás, que funcionou em espaço do Instituto; a Universidade Federal de Goiás, abrigando cursos; o Tribunal de Contas dos Municípios; e a Defensoria Pública. Lembrou que seu trisavô Joaquim Guedes de Amorim, pioneiro na implantação da política de energia elétrica em Goiás e que foi Cônsul de Portugal no Estado, fundou em 1933 a Associação Comercial do Estado de Goiás na antiga Capital, e quando houve a transferência da entidade para Goiânia criaram nova associação, em 1937, apenas para incluir a indústria, apagando aquela inicial. Finalizando, citou a empresária Nelma Fernandes, presidente da Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, com sede em Portugal, para frisar que é importante “criar relações e não apenas transações”.

Construir histórias
Ao abrir o evento, Tatiana disse de sua alegria em receber a todos em mais uma experiência da ACIEG Mulher. “Hoje, nesta Casa Rosada, em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, nós nos reunimos para falar de dois temas que, à primeira vista, podem parecer pertencentes a tempos diferentes: legado e negócios. Mas, quando pensamos um pouco mais, percebemos que eles estão profundamente conectados”.
“Construir um negócio é também construir uma história. E construir uma história é fazer escolhas sobre aquilo que queremos preservar, aquilo que precisamos transformar e aquilo que desejamos entregar às próximas gerações. E é justamente essa conversa que queremos provocar hoje”, afirmou. “Vamos falar de empresas, de família, de sucessão, de governança, de inovação, de agronegócio, de comunicação, de relações e, sobretudo, de escolhas”.
Legado
Conforme ressaltou, legado não é simplesmente aquilo que se recebe. “Também é aquilo que decidimos fazer com o que recebemos. E talvez essa seja uma das questões mais interessantes para nós, mulheres: como honrar uma história sem ficar aprisionada a ela? Como preservar valores sem impedir a transformação? Como crescer sem perder a essência? E como construir, a partir da nossa própria trajetória, algo que faça sentido para quem virá depois?”. “Hoje teremos o privilégio de ouvir mulheres que vivem essas questões de maneiras muito particulares, a partir de diferentes trajetórias e perspectivas”.
Na abertura falou a advogada Luciana Arruda, poeta e idealizadora de “A Mulher e a Palavra”, que convida a todos a olhar para a cultura, a memória e a força do legado a partir da palavra — porque, antes mesmo de um legado ser transmitido, ele precisa ser contado, registrado, lembrado e significado”.
Diferentes experiências
Na sequência, teve um talk show com três mulheres que representam diferentes experiências de empreendedorismo, tradição e continuidade: Marine Caiado, empresária, odontóloga, com formação em gestão e uma trajetória que une tradição familiar, empreendedorismo, comunicação e novos projetos; Silvia Fontoura de Siqueira (Silvinha Lage), psicóloga e atuante na governança de empresas e instituições que fazem parte de uma importante história empresarial de Goiás, trazendo para a conversa temas tão fundamentais como memória, continuidade, governança e sucessão; e Anita Bufaiçal, médica-veterinária, pecuarista e empresária, que dá continuidade a uma história familiar de décadas no agronegócio e também se dedica a fortalecer a presença e a conexão das mulheres nesse setor.
“Três trajetórias. Três setores. Três histórias. Mas uma mesma pergunta de fundo: O que queremos que permaneça depois de nós? E eu acho especialmente bonito que essa conversa aconteça aqui, na Casa Rosada, um espaço que carrega memória e história de Goiás”, disse. “Porque não poderíamos escolher um cenário mais simbólico para falar sobre aquilo que permanece, aquilo que se transforma e aquilo que ainda está sendo construído”.
Agradeceu a Jales Mendonça, presidente do IHGG, pela parceria “e por nos receber neste espaço tão significativo; à Revittah, pelo apoio; às nossas convidadas, pela generosidade de compartilharem suas histórias; e, principalmente, a cada mulher que está aqui hoje”. “Que esta manhã não seja apenas uma conversa sobre histórias que já foram construídas. Que ela nos faça pensar também sobre a história que cada uma de nós está construindo agora”.
“Que seja uma manhã de boas histórias, boas conexões e, sobretudo, de inspiração para aquilo que ainda vamos deixar”, concluiu.
