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ACCG comemora resultados

20.08.2012 - 16:15:10
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Em fevereiro de 2012 a ACCG – Associação de Combate ao Câncer em Goiás, instituição mantenedora do Hospital Araújo Jorge, vivia a maior crise de toda a sua história. A então diretoria foi afastada por uma determinação judicial, desencadeada por uma investigação do Ministério Público do Estado de Goiás que indicou má gestão e improbidade administrativa.

A partir dessa denúncia o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás determinou que uma Diretoria Interventora assumisse, em fevereiro de 2012, a gestão da ACCG. Médicos da própria ACCG compõem essa nova diretoria: Alexandre Meneghini – Presidente, Paulo Moacir de Oliveira Campoli – Tesoureiro, Adriano Augusto Peclat de Paula – Secretário e Geraldo Queiroz – Diretor Técnico do Hospital Araújo Jorge.

A nova diretoria da ACCG assumiu a administração quando a Instituição estava diante de um cenário financeiro complicado: uma dívida superior a R$ 74 milhões, atraso de pagamentos de fornecedores, atraso no repasse dos honorários médicos, interrupção no tratamento quimioterápico de pacientes, entre outros problemas.

Logo no início de sua gestão a nova diretoria atuou de forma transparente e trabalhou na melhoria do atendimento aos pacientes da Instituição. Ao assumir a liderança a diretoria Interventora da ACCG adotou medidas prioritárias, em caráter emergencial, garantindo que a Instituição continuasse trabalhando apesar da delicada situação. Uma das mais importantes medidas adotadas Inicialmente foi a regularização no fornecimento de medicamentos quimioterápicos. Logo no primeiro mês da nova gestão os pacientes passaram a receber medicamentos quimioterápicos de forma regular, o que acontece até hoje.

Negociações com fornecedores para garantir o fornecimento de materiais médicos e medicamentos também foram priorizadas, além de obter junto a eles um período de carência de aproximadamente 90 dias para pagá-los.  Após esse período a diretoria passou a pagar aos fornecedores tudo o que os devia relativo às compras feitas no período de fevereiro até o mês de julho deste ano o que resultou num maior poder de compra, já que muitos fornecedores voltaram a confiar na Instituição oferecendo preços melhores.

A diretoria também negociou com o seu corpo clínico os contratos de prestação de serviços com a ACCG fixando valores condizentes com a remuneração de mercado, ou até abaixo dela, em alguns casos. Os médicos aceitaram a proposta e a ACCG tem cumprido com o grupo o compromisso de lhes repassar os honorários médicos mensalmente.

Pequenos investimentos foram feitos em setores do Hospital Araújo Jorge como Centro Cirúrgico, Setores de Anatomia Patológica e Quimioterapia. E renegociados os contratos de manutenção preventiva em serviços como radioterapia, garantindo a continuidade do funcionamento dos equipamentos graças à reestruturação administrativa.

Nos últimos seis meses alguns setores da ACCG passaram por grandes mudanças: processos de trabalho foram revistos e vários setores reorganizaram suas funções e o seu quadro de pessoal, resultando na redução de custos.

Muitas parcerias importantes foram retomadas pela nova Diretoria: a Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, tem ajudado a ACCG na negociação da dívida e o Governo do Estado de Goiás, por meio da Secretaria Estadual de Saúde, já publicou no Diário Oficial um repasse de aproximadamente R$ 500.000,00/mensais (que deve ser liberando em poucos dias), pelo período de um ano, que será destinado à compra de medicamentos.

Os resultados dessa nova gestão são comprovados em relatório financeiro da ACCG, elaborado pela Diretoria Interventora. O resultado financeiro da Instituição, desde fevereiro deste ano, tem sido positivo além de crescer mensalmente. Durante quase todos os meses de 2011 e em janeiro de 2012, esse resultado era negativo conforme gráficos de resultado mensal e faturamento mensal. Além disso, a dívida da Instituição vinha crescendo ano após ano, desde 2001.

Outro grande desafio da diretoria interventora da ACCG para os próximos meses é recuperar a imagem da instituição abalada com o episódio do afastamento da antiga diretoria. A captação de recursos junto a pessoas físicas e jurídicas caiu mais da metade após os acontecimentos de fevereiro e ainda não foi recuperada (veja quadro).


Apesar dos resultados animadores a diretoria interventora da ACCG reconhece que muitas mudanças ainda são necessárias e que a dívida da instituição ainda é muito alta. A partir de agora, serão priorizados o planejamento e desenvolvimento de ações de médio e longo prazo para a redução dessa dívida: estão em andamento negociações com instituições financeiras para que a ACCG consiga pagar suas dívidas com juros menores e, apesar do pagamento de fornecedores e o repasse dos honorários médicos estar em dia, existe uma grande dívida com esses dois grupos a ser paga. 

Alexandre João Meneghini é presidente da Associação de Combate ao Câncer

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por Alexandre Meneghini

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