Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
A Academia Goiana de Letras definiu 2022 como Ano Cultural Lêda Selma de Alencar e suas ações devem começar em fevereiro. Inaugurado em 2010 pelo acadêmico Ursulino Leão, o Ano Cultural é uma homenagem instituída pela AGL, quando diversos eventos comporão suas atividades culturais, todos focados na obra do homenageado, que será estudada, divulgada e discutida por literatos, ensaístas e professores, em mesas redondas, palestras etc. Essas sessões são abertas ao público, como anunciou nesta quinta-feira, dia 2, o presidente da Academia, Ubirajara Galli.
Também em 2022 Lêda Selma receberá a mais alta comenda cultural de Goiás, o Troféu Jaburu 2020, concedido pelo Conselho Estadual de Cultura e que ainda não foi entregue em função da pandemia. Segundo o presidente do CEC, Carlos Willian Leite, a escolha deve-se a um trabalho que vai além da literatura, destacando a notável atuação de Lêda “tanto na poesia e na prosa como em relevantes projetos literários, que obtiveram reconhecimento nacional”. Explicou que ela teve atuação destacada por causa de seu senso “inovador e criativo” como gestora cultural.
Quem é
Baiana de Urandi e goiana desde a infância, quando a família se mudou para Goiânia, tendo feito do primário ao magistério no Colégio Santo Agostinho, onde começou a escrever e fundou o jornal “Juventude Agostiniana”, Lêda Selma de Alencar, ocupante da Cadeira nº 14 da Academia Goiana de Letras, presidiu a AGL em dois mandatos consecutivos. Nesses quatro anos (2015-2019) revolucionou a entidade, desde uma ampla reforma em sua estrutura física como ao levá-la para as calçadas e ruas, aproximando a instituição e os acadêmicos dos vizinhos e da comunidade.
Cursou Letras Vernáculas na Universidade Católica de Goiás e fez pós-graduação em Lingüística na Universidade Federal de Goiás. Produtora cultural e professora em diversos estabelecimentos de ensino em Goiânia, pertence à União Brasileira de Escritores de Goiás, Associação Goiana de Imprensa e outras entidades culturais.
Poetisa, cronista e contista, assinou crônicas no jornal “Diário da Manhã”, organizou coletâneas de poemas, contos e crônicas, inclusive acadêmicas, e participou de antologias nacionais e internacionais. Começou no Jornalismo escrevendo crônicas para a “Folha de Goyaz”, de Goiânia. Recebeu da Câmara Municipal de Goiânia e da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, respectivamente, os títulos de ‘Cidadã Goianiense’ e ‘Cidadã Goiana’, pelos serviços prestados à capital e ao Estado.
Publicou as seguintes obras: “Das sendas à travessia”, 1986; “A dor da gente”, 1988; “Fuligens do sonho”, 1990; “Migração das horas”, 1991; “Erro médico: uma ferida social”, 1991; “Pois é, filho”, 1997; “Nem te conto”, contos, 2000; “Até Deus duvida”, 2002; “Silencios de viento y mar” (bilíngüe) – em parceria com Lygia de Moura Rassi, 2003; “Hum! … sei não”, 2005; “À Deriva”, 2005; e “Sombras e sobras”, de 2007. É autora ainda de “Eu hem?!”, “Mexidos e remexidos”, “Sortidos e requentados”, “De sinas e ceias” e “Travessia para a eternidade”, ensaio, de 2019.