Jales Naves
Especial para A Redação
Goiânia – A Academia Goiana de Letras (AGL) abre solenemente na próxima quinta-feira (2/2), às 17h, em sua sede, na Casa Colemar Natal e Silva, no auditório Jaime Câmara, o Ano Cultural acadêmico Miguel Jorge, que ocupa a Cadeira nº 18, que foi do escritor Bernardo Élis. O convite para o evento, que marca o início das atividades da AGL neste ano, é do presidente Ubirajara Galli; a saudação ao homenageado será feita pela acadêmica Maria Helena Chein.
Já com 37 obras publicadas, ele foi um dos fundadores do Grupo de Escritores Novos (GEN), que presidiu por dois períodos, e também presidente, por dois mandatos, da União Brasileira de Escritores, Seção de Goiás. Dirigiu, igualmente em duas ocasiões, o Conselho Estadual de Cultura; e integra os quadros das Associações Brasileira e Internacional de Críticos de Arte.
Trajetória
Natural de Campo Grande (MS), ainda criança Miguel Jorge se mudou para Inhumas, acompanhando os pais, Miguel Jorge e Sarah Thomé Jorge, comerciantes, e lá cursou o primário, no Grupo Escolar 19 de Março. Fez o ginásio em Goiânia, no Ateneu Dom Bosco, e terminou o científico no Colégio Marconi, em Belo Horizonte.
Formou-se em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e em Direito e Letras Vernáculas pela então Universidade Católica de Goiás (UCG). Lecionou Farmacotécnica na Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Goiás e Literatura Brasileira no Departamento de Letras da UCG.
Poeta, teatrólogo, romancista e contista, possui obra variada e eclética, cujo mérito vem sendo atestado em sucessivas premiações. Sua obra vai do romance à dramaturgia, da poesia ao roteiro de cinema. Seu romance “Veias e Vinhos” (Ática, 1981) foi adaptado para o cinema. Outros títulos: “Avarmas”, (Ática, 1978), “Asas de moleque” (FTD, 1989), “Profugus” (Kelps, 1990) e “Pão cozido debaixo de brasa” (Mercado aberto, 1997 – Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional). Recentemente foi incluído no “Dictionary of International Biography”, Twenty-Third Edition, a convite dos organizadores.
Em 2022 lançou o livro de contos “As noites que não deveriam existir”, oportunidade em que foram abertas as exposições de arte de Juquinha (desenho) e Erasmo Gama (pinturas).
Cinema
Miguel Jorge elaborou o roteiro do curta-metragem “Watáu”, que recebeu o Prêmio de Incentivo Cultural do Ministério da Cultura e foi filmado às margens do rio Araguaia, sob a direção de Débora Torres. Tem um projeto de sete roteiros de curta-metragem, intitulado “Linguagem Nova”, aprovado pela Lei Goyazes, da Agência Goiana de Cultura. O primeiro deles, intitulado “A Janela”, já foi filmado, sob a direção de Pedro Diniz, tendo nos papéis principais Marcela Moura, Flávio Miguel e André Pimenta; “Promessa” também já foi filmado, sob a direção de Gel Mess e Ângela Torres, tendo Mauri de Castro como protagonista.
Escreveu com João Batista de Andrade o roteiro para o longa “Veias e Vinhos”, baseado no seu romance homônimo, filmado em São Paulo, em abril e maio de 2004, lançado no mercado em 2006, tendo no elenco principal os atores Leonardo Vieira, Simone Spoladore, Eva Wilma, José Dummont, Celso Frateschi, Kaio Pezzutti, Marcela Moura, Mauri de Castro e Ailton Graça, sob a direção de João Batista de Andrade.
Foi o idealizador do FestCine Goiânia. Seus textos sobre artes visuais estão inseridos, na grande maioria, no livro “Da Caverna ao Museu: Dicionário das Artes Plásticas em Goiás”, de Amaury Menezes, editado pela Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira.
Academia Goiana de Letras abre Ano Cultural Miguel Jorge em 2 de fevereiro
*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG