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A Última Nota

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31.05.2021 - 10:35:45

Filme da Netflix que conta com atores famosos como Patrick Stewart, Katie Holmes e Giancarlo Esposito. Norteado pelo diretor Claude Lalonde, o filme “A Última Nota”, do original “Coda”, é repleto de sensibilidade, onde ele soube passear com maestria através das músicas escolhidas para o filme, como: Beethoven, Bach, Scriabin. O filme conta a história de um renomado pianista, que após alguns anos sem tocar pela perda da esposa, retorna aos palcos. O Pianista Henry Cole, vivido por Stewart, soube transpor para a tela a solidão, a ansiedade pelo palco e  a dúvida ao retorno do mesmo. Uma delicadeza de história, que nos mostra por outro lado, os bastidores da profissão do músico. Nos apresenta também o envelhecer e suas consequências, não esquecendo de uma certa forma, de homenagear Nietzsche, tanto pela frase: o mundo não teria sentido sem a música, como pelo belo e bucólico cenário onde Nietzsche passou seus últimos verões, de 1881 a 1888, em Sils Maria, um vilarejo localizado nos Alpes Suíços, que fica  próximo ao Lago Sils. Nietzsche teria escrito ali vários livros importantes.  

Nota-se um cuidado na apresentação de temas sobre ansiedade, a dificuldade de se manter como bom músico e sua missão neste mundo, o amor e a compaixão.  Como exemplo, no filme, após um concerto de Cole, o jovem pianista Daniel diz que quer ser igual à ele, e Cole o convida a tocar no mesmo palco, mostrando que durante a caminhada entre a coxia e o piano, enquanto a platéia está à espera do concerto, pode ser o caminho mais assustador, não deixando de demonstrar características que o músico deve ter, como  a humildade e a gratidão.

Algumas vezes, o filme parece estar entrando em uma certa monotonia, mas os atores e a direção não deixam isso acontecer. Dessa forma, o filme mostra a solidão que um músico necessita para criar, tocar e expandir, e depois de anos de dedicação, uma única nota que falha durante o concerto, pode ser o fim de uma carreira. Outra reflexão que o diretor nos proporciona. Quais seriam os sentidos musicais e suas reais expressões em um contexto de experiência e praxismo?

A atriz Katie Homes, que vive a jornalista Helen Morrison, também traz a certa nostalgia  de Nietzsche, fazendo com que as frustrações dos dois atores principais sejam rodeadas das reflexões sobre carreira, vida e superação . Ao final do filme, as entonações musicais e poéticas cercaram tanto os personagens que nos remetem à própria sobrevivência do ser humano, mesmo sendo um filme de ficção. Perceber esses caminhos que passam em nossas memórias, nos fazendo partícipes e reverentes à toda condição humana.

Como disse Nietzsche em seu livro Além do Bem e do Mal ou Prelúdio de uma Filosofia do Futuro (2010:37)
“E cercai-vos de pessoas que sejam como um jardim ou o reflexo do sol na água, pois quando cai a tarde, o dia não é mais que lembrança. Escolhei a boa solidão, a solidão livre, a que vos permite seguir sendo bons em qualquer sentido”

A direção do filme nos mostra que “A Última Nota” pode ser o início de muitas outras…

*Andréa Luísa Teixeira é pianista e pesquisadora da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás e investigadora-colaboradora do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical da Universidade Nova de Lisboa.

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por Andréa Luísa Teixeira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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