Eu não criei expectativas sobre A Última Casa, novo filme feito por algoritmo para a Netflix, estrelado por Greta Lee e Wagner Moura. Como todo filme do tipo, eu esperava uma diversão nível Sessão da Tarde e, quem sabe, boas atuações de Lee e Moura, excelentes atores. Após conferir o filme, acho que os dois deveriam demitir seus agentes sumariamente por terem colocado o par nessa roubada.
A Última Casa é uma bagunça, uma ideia promissora pessimamente executada por algum produtor e roteirista que começou a surtar por ter que ficar em casa durante a pandemia, em 2020, e decidiu filmar a primeira versão do roteiro que rascunhou em um delírio febril.
A premissa é boa: um dia começa a chover e não para mais. A natureza sobrenatural da chuva se revela logo depois, ao trancar as pessoas em casa. E agora? É a partir daí que começa o principal conflito e a tensão do filme: sobreviver dentro de casa por tempo indeterminado.
Imediatamente, o filme se perde nos principais clichês de filmes de sobrevivência (“será que vamos ter que comer o pet?”), aliados a um ritmo lento e deliberado que só deixa as coisas mais chatas. Claramente, você também está preso naquela casa, e os lanchinhos acabaram.
Conforme a trama manca em direção a todos os pontos pivotais do manual de roteiro básico de Robert McKee, a única coisa que dá sustentação ao nonsense em cena são Moura e Lee. Os dois fazem o melhor com o roteiro quase incorpóreo que receberam. Ambos convencem muito bem como bons pais preocupados, fazendo o que podem para sobreviver e manter seus filhos seguros. Claro que há um problema de roteiro aí também: os dois são infalíveis por anos de reclusão, no máximo perdendo a paciência e dando uma choradinha de vez em quando.
Quanto mais perto do final, pior o filme fica e menos sentido ele faz: aos poucos, o roteiro tenta oferecer alguma explicação para os acontecimentos, o que é um erro. As explicações são tão ruins e incoerentes que seria melhor manter o mistério, culminando em um final absolutamente ridículo, cereja no bolo de vazio que o precedeu.
