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A seleção feminina de futebol me emociona mais

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12.07.2011 - 09:49:33

Vou confessar uma coisa logo de cara: eu chorei após a decisão de pênaltis no último domingo que eliminou a seleção brasileira feminina de futebol. A útlima vez que eu havia chorado com futebol foi na conquista do tetra, em 1994. Ou seja, já tinha um tempinho que eu não me envolvia a ponto de escorrer lágrimas com uma partida desse esporte. E, tomando um vinho após a derrocada canarinho, refleti que a seleção das garotas hoje me emociona infinitamente mais que a masculina. Ou vai dizer que o time de Mano Menezes lhe causa alguma coisa fora a vontade de mudar de canal na televisão?

O primeiro motivo é que percebo mais verdade no jogo feminino do que no masculino. A parada é mais ingênua, mais sincera. Me lembra o futebol de outros tempos, quando comecei a me interessar pelo esporte. Os erros crassos são mais frequentes, o que deixa o jogo é mais humano, mais falível. Por exemplo, você raramente vê um jogador no masculino pegando a bola no meio de campo e saindo em disparada até o gol como a Marta faz com frequência. Goleiros frangando, se você não torce para o São Paulo de Rogério Ceni, são coisas escasssas. O futebol feminino parece até meio de videogame, tamanha a inocência de algumas jogadas.

Além disso, existe a expectativa do ineditismo, já que o Brasil nunca foi campeão do mundo de futebol feminino. Essa vontade de ver algo que até então nunca havia presenciado foi o que me motivou na seleção masculina de 1994. Após a derrocada de 1986 com o Zico perdendo pênalti e tudo (não tinha idade para acompanhar a seleção de 1982, mas sei de todos os detalhes que meu pai me contou minuciosamente), eu tinha certeza de que não veria mais o Brasil campeão de Copa do Mundo alguma. A taça sendo erguida era só algo que só as gerações dos meus pais para trás teriam o prazer de acompanhar. Eu não tinha nascido no tempo certo. Mas o Romário estava aí para destruir essa triste sina marcada. A seleção do Parreira foi a minha seleção de 1970. Bebeto e Romário foram os meus Pelé e Tostão. E o Raí foi o… Bem, o Raí não foi ninguém – perder a vaga para o Mazinho é o fim da picada. Com a seleção feminina eu sinto essa mesma sede de títulos que senti até 1994 com a masculina.

Por essas e outras é que eu não estou dando a mínima para essa enfadonha Copa América – torço só pelo Neymar pois acho esse moleque fantástico. Por outro lado, ainda não consegui digerir perder a vaga para as norte-americanas quando vencíamos o jogo até os acréscimos da prorrogação. E já conto os dias para a próxima Copa do Mundo feminina de 2015.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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