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A obsolescência programada, o consumismo e seus impactos

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27.12.2020 - 18:31:06
Você tem a sensação de que é difícil acompanhar as novidades lançadas no mercado e de que os produtos não duram mais como antigamente? Já adquiriu algum produto que começou a apresentar problemas de funcionamento com pouco tempo de uso, mesmo não tendo nenhum defeito de fábrica?
 
Essas situações têm sido cada vez mais comuns nos últimos anos, e revelam o fenômeno da obsolescência programada (ou planejada), que trata de uma estratégia utilizada pelos fabricantes de tornar os produtos rapidamente ultrapassados para manter elevados os patamares de consumo. A obsolescência programada pode ocorrer de duas formas: pela inovação tecnológica, buscando sempre apresentar alguma novidade ao consumidor, ou pela redução deliberada do tempo de vida útil das mercadorias.
 
Automóveis e eletroeletrônicos são os bens “duráveis” mais comuns dessa estratégia, em especial telefones celulares e computadores. Apesar de parecer que o fenômeno é recente, e que se dá em função das rápidas inovações proporcionadas pelas tecnologias informacionais, ele remonta à década de 1930. O documentário espanhol Obsolescência Programada, de 2010, demonstra que entre 1929-1930, durante a Depressão, a indústria de lâmpadas optou por reduzir sua durabilidade como forma de garantir mais vendas e driblar a crise de superprodução.
 
No mesmo documentário, um consumidor tenta consertar sua impressora que parou de funcionar, até descobrir que ela continha um chip que a programava para travar assim que atingisse certo número de impressões. Tal situação tem sido cada vez mais recorrente, pois não raro nos vemos obrigados a adquirir novos produtos ao descobrir que não há conserto ou não há determinada peça disponível para troca ou sua reposição custará mais caro do que a substituição do produto.
 
Porém, é através da constante inovação que se encontra a forma mais sutil e não menos problemática de garantir a rápida absorção no mercado. Lançamentos de um mesmo produto em um espaço curtíssimo de tempo, com mudanças na sua aparência e pequenos incrementos nas suas funcionalidades, convencem uma grande parcela da população que consome acriticamente qualquer “novidade”. Influenciada pelos apelos publicitários em uma sociedade cada vez mais pautada na aparência e ostentação, acaba não percebendo que gasta e até contrai dívidas desnecessariamente.
 
Ainda que se possa alegar que as pessoas possuem autonomia para disporem de seus próprios ganhos da forma que bem entenderem, quando critica-se o comportamento de tipo consumista, há outras variáveis a serem examinadas nesta questão, que vão além da mera discordância sobre posturas individuais. Além dos prejuízos financeiros pessoais, a obsolescência programada causa impactos ambientais extremamente danosos, que vão desde a quantidade cada vez maior de lixo acumulado e exploração de recursos naturais, até os poluentes encontrados tanto na fabricação quanto nos materiais produzidos.
 
E sobre este aspecto, cabe a nós enquanto consumidores e cidadãos, sempre parar para refletir antes de adquirir algum produto se ele realmente é necessário. Pesquisar sobre os fabricantes das marcas questões relativas à garantia, troca, conserto, reparo ou reposição de peças também é uma maneira de nos protegermos contra gastos que poderiam ser evitados e de futuras situações incômodas. Bem como denunciar empresas que se utilizam das estratégias que forçam o consumo.
 
*Maria Emília Rodrigues é mestra em Sociologia, professora da área de Humanidades do curso de Sociologia do Centro Universitário Internacional Uninter
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por Maria Emília Rodrigues

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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