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Hugh Jackman como Robin Hood (foto: divulgação)

‘A Morte de Robin Hood’ mistura redenção com a desconstrução de um personagem clássico

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09.09.2026 - 08:29:01

Antes de ver este filme, a principal crítica que vi da audiência foi a de que era o filme “mais chato do mundo”, o que diz mais sobre o estado do público hoje do que sobre o filme em si. Em A Morte de Robin Hood, acompanhamos os momentos finais do famoso fora da lei, aqui interpretado com sobriedade por Hugh Jackman. O filme pode ser dividido em dois momentos.

No primeiro, testemunhamos a desconstrução do mito, conforme Robin lida com os inúmeros fantasmas de seu passado: ele foi um bandido comum e particularmente sanguinário, sendo atormentado pela culpa na velhice e pelos incontáveis familiares enraivecidos, em busca de vingança, que o procuram em seu isolamento, apenas para se tornarem eles mesmos novas vítimas e, assim, gerarem novos crimes.

No segundo, as circunstâncias levam Robin a um priorado cuidado por uma freira que não se importa com o passado criminoso e violento daqueles que buscam refúgio, sendo dada a ele uma verdadeira oportunidade de se redimir e de fazer o bem, deixando esta vida com algo positivo para trás.

O filme traz em seu cerne essa questão: até que ponto podemos compensar os erros do passado e será que é possível corrigi-los? Quando é tarde demais para recomeçar? Todos merecem uma segunda chance? O filme não consegue responder bem a essas questões, em particular na parte das consequências, mas tenta construir a ideia de que é possível escalar a saída para fora do fundo do poço do niilismo.

Essa jornada contemplativa é acompanhada por uma cenografia primorosa, facilmente o ponto mais forte do filme, que bebe da fonte neogótica aberta por Robert Eggers desde A Bruxa. O filme é escuro, lento, até certo ponto silencioso. Um filme medieval que parece medieval em sua aparência e em suas texturas adequadamente soturnas.

O ritmo deliberado também se rompe, pontualmente, com excelentes e brutais cenas de ação, conforme Robin precisa enfrentar a fúria de vítimas vingativas. A câmera não recua diante da violência, da brutalidade e da futilidade do derramamento de sangue.

O elenco enxuto faz um bom trabalho como suporte a Jackman. Bill Skarsgård vive uma versão repelente de João Pequeno, principal comparsa de Robin e que, pelo menos momentaneamente, conseguiu deixar a vida do crime para trás. Jodie Comer está bem no papel da contida freira Brigid, que cuida do priorado, ela mesma carregando feridas e desejos profundos.

Há uma dissonância profunda entre essas duas partes do filme, e a segunda, com o arco de redenção, não funciona tão bem. Ainda mais após a violência ser tão reforçada na primeira, parece ser pedir demais da audiência aceitar tão facilmente que todo o sangue seja perdoado. Talvez seja essa a intenção. Porém, não chega a ser uma dissonância tão grande quanto em Pecadores, por exemplo, e Jackman consegue nos conduzir o mais suavemente possível até o final.

Dificilmente esta vai ser a versão definitiva do personagem, mas há um frescor em revisitar este personagem clássico sem ser por meio de um tosco filme genérico de ação, como os que tomaram conta das últimas tentativas de levar Robin Hood para as telas. Esta é uma abordagem diferente o suficiente para se justificar.

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por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

Um comentário

  1. Vi o filme e não gostei! Até que ponto valeu a pena a destruição da imagem do personagem! Eu, preferiria vê uma nova versão de Robin Hood. Acho até que faria melhor sentido, não gostei dessa desconstrução do personagem. Eu ainda prefiro o entretenimento.

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