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A matemática em meio ao caos pandêmico

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20.10.2020 - 14:07:00
Achatamento da curva de contaminação, incidência da taxa de contágio e a proporção de pacientes recuperados são expressões que se popularizaram em meio à pandemia do coronavírus (Covid-19). Para a elaboração e compreensão desses gráficos, além dos profissionais da saúde envolvidos, é necessária também a atuação de profissionais de uma área que não lida diretamente com pessoas, mas com números: a matemática.
 
A ciência relaciona as práticas do cotidiano e a natureza ao raciocínio humano e à lógica numérica. Com as modelagens, a matemática prestou, mais uma vez, serviços valiosos à saúde pública. Modelos matemáticos têm sido bastante utilizados para determinar a disseminação do vírus, bem como os números de infectados, de mortes e de hospitalizações. Assim, a estatística ajuda a simular o comportamento futuro da pandemia, levando em consideração os dados colhidos, possíveis ações de controle do crescimento da enfermidade e tomada de decisões. 
 
Existem modelos epidemiológicos para tudo que se imaginar. No entanto, o modelo matemático para adoção de medidas epidemiológicas de saúde pública é uma estratégia adotada há mais de 100 anos. Os primeiros surgiram a partir de cálculos manuais, enquanto os mais recentes utilizam capacidade de computadores.
 
Dengue, HIV, bactérias causadoras de infecção alimentar, Covid-19. A ideia de utilizar o raciocínio lógico para identificar a disseminação epidemiológica começou a ser desenvolvida em 1854. Desde 1910 o índice R0 é um dos principais parâmetros para a construção de um modelo matemático destinado a prever o comportamento epidemiológico. Em 1927, foi criada a modelagem SIR, que divide a população em três categorias principais: suscetível – aquele que pode ser infectado; infectado – indivíduo capaz de transmitir a doença; e “removido” – pessoa curada ou falecida.
 
Um dos casos de maior repercussão sobre o papel de matemáticos durante a pandemia foi um modelo apresentado pelo Imperial College de Londres. As previsões são realizadas com base em uma modelagem matemática integrada com ferramentas computacionais.
 
Os modelos matemáticos para a mesma situação podem apresentar resultados diferentes, e as previsões que não se concretizam são um acontecimento comum. No entanto, é a partir desses modelos que governos do mundo todo estão traçando suas estratégias para conter a maior crise sanitária dos últimos 100 anos.
 
Quando aparece uma doença como essa, as autoridades de saúde ficam mais ou menos perdidas, sem saber o que fazer porque é tudo muito novo. Nessas condições, a única coisa que resta é lançar mão desses modelos matemáticos para fazer projeções.
 
Outra área que pode auxiliar em contextos de pandemia, principalmente no que diz respeito à orientação de governantes, é a análise de riscos. Através dela, é possível ter uma ideia de possíveis cenários mediante ações de controle do crescimento do contágio. Isso é importante para estabelecer de que forma o movimento da população poderá ser liberado, sem perder o controle da situação.
 
Claro que muitas das vezes os gráficos são mais catastróficos que a realidade. Isso é o paradoxo do sucesso, ou seja, os epidemiologistas mostram o caos caso não sejam tomadas medidas de prevenção. Os matemáticos são videntes que torcem para errar. O objetivo não é espalhar terror, mas evitar que as previsões se concretizem.

*Bartolomeu de Gusmão Júnior é matemático e engenheiro civil

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por Bartolomeu De Gusmão Júnior

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