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A luz da esperança cristã

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07.01.2026 - 07:29:26

No número seis da Bula de Proclamação do Jubileu Ordinário do ano 2025, o Papa Francisco indicou as datas de início e de conclusão deste Ano Santo, ambas na Basílica de São Pedro, em Roma: nos dias 24 de dezembro de 2024 e 6 de janeiro de 2026. E logo depois escreveu: “Que a luz da esperança cristã chegue a cada pessoa, como mensagem do amor de Deus dirigida a todos. E que a Igreja seja testemunha fiel deste anúncio em todas as partes do mundo”.

A esperança foi o tema principal deste Ano Santo. A Bula de proclamação começou com este anúncio: “Spes non confundit – a esperança não engana (Rm 5, 5). Sob o sinal da esperança, o apóstolo Paulo infunde coragem à comunidade cristã de Roma”. E, logo depois, faz referência ao fato que todos esperam, pois no coração de cada pessoa encerra-se a esperança como desejo e expectativa do bem, apesar de não saber o que trará consigo o amanhã.

Mas a partir desta esperança presente em cada ser humano, o Papa Francisco fala especificamente da virtude cristã da esperança que nasce do amor e funda-se no amor que brota do Coração de Jesus trespassado na cruz: “Se de fato, quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com Ele pela morte de seu Filho, com muito mais razão, uma vez reconciliados, havemos de ser salvos pela sua vida” (Rm 5, 10). E a sua vida manifesta-se na nossa vida de fé, que começa com o Batismo, desenvolve-se na docilidade à graça de Deus e é por isso animada pela esperança, sempre renovada e tornada inabalável pela ação do Espírito Santo. De fato, o Espírito Santo, com a sua presença perene no caminho da Igreja, irradia nos crentes a luz da esperança, e a mantém acesa como uma tocha que nunca se apaga, para dar apoio e vigor à nossa vida.

Com efeito, a esperança cristã não engana nem desilude, porque está fundada na certeza de que nada e ninguém poderá jamais separar-nos do amor divino. Por isso, o apóstolo Paulo escreveu: “Quem poderá nos separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? (…) Mas em tudo isso saímos mais do que vencedores graças Àquele que nos amou” (Rm 8,35. 37).

Paulo é muito realista. Sabe que a vida é feita de alegrias e sofrimentos, que o amor é posto à prova quando aumentam as dificuldades e a esperança parece desmoronar-se diante do sofrimento. No entanto, escreve: “Gloriamo-nos também das tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência, a paciência a firmeza, e a firmeza a esperança” (Rm 5, 3-4).

A tribulação, então, faz crescer uma virtude, que é parente próxima da esperança: a paciência. Infelizmente, habituamo-nos a querer tudo e agora, num mundo onde a pressa se tornou uma constante. Já não há tempo para nos encontrarmos e, com frequência, as próprias famílias sentem dificuldade para se reunir e falar calmamente. A paciência foi posta em fuga pela pressa, causando grave dano às pessoas. Sobrevêm a intolerância, o nervosismo e, por vezes, a violência gratuita, gerando insatisfação e isolamento.

Mas deste entrelaçamento de esperança e paciência, temos que a vida cristã é um caminho, que precisa também de momentos fortes para nutrir e robustecer a esperança, insubstituível companheira que permite vislumbrar a meta: o encontro com o Senhor Jesus.

O Ano Santo foi um destes momentos fortes e nos ensinou que a luz da esperança cristã ilumina sempre a nossa vida!

*Lino Rampazzo é professor nos Cursos de Filosofia e Teologia da Faculdade Canção Nova.

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por Lino Rampazzo

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